Filmes que retratam doenças, principalmente as terminais, são quase um gênero dentro do cinema. Normal, até porque quando uma formula dá certo é mais do que viável haver visitas e revisitas, massificando o tema, o que ainda acaba rendendo exemplares de todos os tipos. Esse em questão, intitulado 50% é um filme sobre câncer, não há dúvidas, mas se diferencia dos demais por tratar o tema por uma visão até certo ponto cômica, mas sem deixar de ser emocional e humano.
A historia logo nos apresenta Adam (Joseph Gordon-Levitt), um rapaz radialista em uma estação pela internet que descobre que a dor que sentia nas costas é um câncer raro e em evolução. Então, o até então pouco conhecido diretor Jonathan Levine trás um retrato sensível e sincero da trajetória de Adam por essa terrível doença, cometendo momentos de destaque como os diálogos entre o protagonista e outros dois pacientes nas sessões de quimioterapia ou ainda as sessões de terapia com uma médica novata que rendem divertidas tiradas.
Em tempos em que cada vez mais somos vistos como estatística (como o próprio titulo sugere com a porcentagem de sobrevivência em relação aos portadores do mal), Levine lança um olhar mais humano aos seus personagens, sem momentos edificantes ou procuras desenfreadas por curas, mostrando pessoas vivendo e tendo que lidar com seus problemas e desconstruindo a idéia de que todos os pacientes devem se prostrar em sua doença, o que rende uma graça educada e lisonjeira, fazendo parecer que Adam poderia muito bem ser um amigo próximo. A boa e equilibrada presença de Seth Rogen como seu camarada de todos os momentos talvez confirme isso.
50% ainda é uma obra em que se faz notar que os envolvidos compraram a idéia do projeto, porque todos os atores aparecem muito bem, talvez Levine seja um bom diretor de atores ou os mesmos se sensibilizaram com a historia que se inspira em um caso real, porque desde Levittà Anna Kendrick, passando por Bryce Dallas Howard e os veteranos Anjelica Huston e Philip Baker Hall todos estão muito a vontade em seus papeis e mostrando talento e timing para mesclar a comicidade e dramaticidade necessária para fazer a trama fluir. As cenas finais são de marejar os olhos e fazem de 50% um bonito e tocante relato de uma doença tão sofrível.
O nome de Marylin Monroe vira e mexe sempre volta à pauta, é inevitável, até pelo mito que a atriz se tornou. Muito se espera dessa adap...
O nome de Marylin Monroe vira e mexe sempre volta à pauta, é inevitável, até pelo mito que a atriz se tornou. Muito se espera dessa adaptação que esta para sair com Michelle Willians no papel da musa platinada. Se será algo notável somente o tempo dirá. Monroe é uma atriz que provou não ser desprovida de talento e por ter vivido um outro tempo acabou reduzida a papeis em sua maioria iguais, de moças sedutoras e falsamente ingênuas, como nesse divertido O Príncipe Encantado, em que faz uma atriz de teatro que se envolve em um impasse político entre um regente de um País europeu dos Bálcãs e seu filho adolescente aspirante a Rei.
O Príncipe Encantado é uma comédia romântica despretensiosa, que faz rir e tira sarro da pompa e circunstancia da realeza. Nessa proposta, Monroe faz seu trabalho muito bem, concebendo seu tipo de humor que mistura o estilo corporal com um tom sarcástico. Apesar de pouco convencer o enlace romântico que é amostrado entre a espevitada Elsie (Marylin Monroe) e o blasé Regente da Carpácia vivido pelo ator Laurence Olivier (que também dirigiu o filme), a obra tem bons momentos, como quando a moça vai jantar a primeira vez com o homem e ele tenta seduzi-la e acaba sendo esnobado de maneira hilária ou quando a Rainha meio esclerosada resolve lhe escolher como sua dama de honra e assim oferecer uma das muitas honrarias que a moça recebe durante o filme.
Claro que O Príncipe Encantado não é seu melhor trabalho e nem o que aparece mais sensual, até porque é bem perceptível algumas gordurinhas saltando no vestido branco que usa em praticamente toda a historia. Porém não deixa de ser delicioso poder assistir o trabalho de uma atriz que exala carisma e simpatia em cena, dominando cada espaço e usando pequenos detalhes para engrandecer um personagem que beira o superficial e bobo. São em filmes menores e menos importantes como esse que se percebe com mais clareza porque Monroe sempre será eternamente saudada.
Habemus Papam começa com a morte de um Papa, mostrando a cerimônia do funeral do Pontífice e todas as honrarias. Logo vemos o conselho d...
Habemus Papam começa com a morte de um Papa, mostrando a cerimônia do funeral do Pontífice e todas as honrarias. Logo vemos o conselho de Bispos se reunindo para a formação de um conclave com a missão de eleger o substituto, um novo Papa. Até ai parece que tudo vai correndo normalmente, mas na cena da votação percebemos o que realmente esta acontecendo e que passa longe de uma normalidade. Durante o expediente, escutamos os pensamentos dos “concorrentes” e percebemos que todos estão preocupados em não serem eleitos! Isso mesmo, o novo filme do diretor italiano Nanni Moretti é uma comédia ácida sobre os bastidores da eleição de um dos representantes mais importantes e queridos do mundo.
Quando se diz comédia, a maioria pode esperar algo mais escrachado, mas Habemus Papam passa longe de um escracho, Moretti conduz a sua excelente e divertida obra com sutilezas, mostrando as nuances da vida daqueles Bispos e Padres por trás das paredes do Vaticano e trazendo a tona o lado mais humano deles, como se quisesse desmistificar a áurea de santidade que a maioria deles é imbuída. Na trama, logo após a escolha do novo Papa, representado de forma magistral pelo ator Michel Picolli, vemos o mesmo entrar em crise, beirando uma depressão e fugir do Vaticano como uma criança foge do colégio. O próprio diretor entra como um dos principais personagens do filme, um psicoterapeuta que aparece para tentar ajudar a Sua Santidade, mas que na verdade acaba trazendo descontração e irreverência aos dias em que fica enclausurado naquele que é considerado o menor e um dos mais poderosos Estados do planeta.
Claro que um católico mais fervoroso pode se sentir amplamente ofendido pelo filme de Moretti, porque aonde já se viu um Papa fazer analise? Ou não querer assumir seu posto? Mesmo fazendo essa critica contundente ao Catolicismo e como ele funciona, Moretti não deixa de cometer cenas sensíveis, principalmente quando vemos o Papa vagando como um desconhecido pela cidade de Roma, vivendo como o povo realmente vive e provando daquela humanidade que parece lhe fazer falta. Em contraponto, temos cenas realmente engraçadas, principalmente quando vemos o terapeuta vivido pelo diretor organizar um torneio de vôlei entre os religiosos para assim tentar motivar o Pontífice ou quando ministra uma mini-aula sobre antidepressivos para alguns deles que parecem abusar das medicações. Como disse, vai incomodar alguns, mas o melhor é relaxar e se divertir com todas aquelas situações (em suas maiorias absurdas) apresentadas por esse controvertido realizador.
- 30 Minutos ou Menos (30 Minutes or Less/Ruben Fleischer/2011) Comédia de ação, 30 Minutos ou Menos é a historia de Nick ( Jesse Eisenb...
- 30 Minutos ou Menos (30 Minutes or Less/Ruben Fleischer/2011)
Comédia de ação, 30 Minutos ou Menos é a historia de Nick (Jesse Eisenberg), um entregador de pizza que é seqüestrado por uma dupla de malucos (Danny Mcbride e Nick Swardson) vestidos com trajes de macacos. Os seqüestradores prendem ao corpo de Nick uma bomba que pode ser acionada pelo telefone com a intenção de fazer o rapaz roubar 100 mil dólares de um banco e assim poderem pagar um assassino que mate o pai (Fred Ward) militar e malvadão de um deles. Confuso, nê? Sim, 30 Minutos ou Menos é um filme feito para confundir mesmo, a agitação catártica é concebida de forma intencional para assim esconder a falta de inspiração do roteiro. Beira o ruim, ainda com piadas pouco engraçadas e personagens bem irritantes como o indiano amigo do personagem de Jesse Eisenberg, mas a pequena e ótima participação de Fred Ward, o eterno Remo, Desarmado e Perigoso, acaba salvando em parte essa realização da chatice completa. Fracasso total nos EUA, teve uma bilheteria pífia e deve ser lançado diretamente em home-video no Brasil;
- Sua Alteza? (Your Highness/David Gordon Green/2011)
Outro fracasso retumbante nas bilheterias americanas no ano de 2011, Sua Alteza? coincidentemente ou não também é co-protagonizada pelo comediante Danny Mcbride. De orçamento folgado, visível até pelo CG de primeira categoria usado que concebe cenas tão impressionantes quanto as de Avatar, a produção ainda chama atenção pelo elenco de bons atores formados por James Franco, Zooey Deschanel, Natalie Portman e Toby Jones. O filme é uma sátira a filmes épicos de capa e espada ao estilo Rei Arthur, 300 e Senhor dos Anéis. Não é de todo ruim, porque tem um bem vindo clima politicamente incorreto até o talo, brincando com a sexualidade dos personagens e fazendo um bocado de piadas escatológicas, umas engraçadas e outras inevitavelmente enfadonhas. Ainda consegue ter algumas cenas realmente emocionantes, mas no final fica até compreensível o descaso que o filme recebeu. Talvez hoje em dia fazer graça sem um público direcionado pode ser um tiro no pé. Porém esse filme tem um pequeno “diferencial”, trazer Natalie Portman em uma cena em que nada seminua em um lago, no mais, para assistir em um dia de chuva e sem muitas opções.
Comédia que provavelmente vai ganhar o prêmio de chatice do ano de 2011, Eu Queria Ter a Sua Vida é uma bobagem só. Explorando um tema r...
Comédia que provavelmente vai ganhar o prêmio de chatice do ano de 2011, Eu Queria Ter a Sua Vida é uma bobagem só. Explorando um tema recorrente no cinema: a troca de corpos, que na verdade parece estabelecida como um gênero. Totalmente previsível e apoiada em clichês exagerados e que pouco funcionam, é daqueles filmes que com meia hora de exibição se torna enfadonho, nem a presença carismática de Ryan Reynolds e o talento para comédia de Jason Bateman salvam o filme de uma seqüência de bocejos.
Na historia, Dave (Jason Bateman), um pai de família bem sucedido na vida profissional troca de corpo com Mitch (Ryan Reynolds), seu melhor amigo de infância, um ator de filmes pornôs softcores que passa boa parte do tempo sem fazer nada. Com uma premissa tão fraca como essa também não se pode esperar grandes coisas, mas algumas realizações com idéias fracas ou requentadas têmconseguido se sair bem nos últimos tempos, como Se Beber, Não Case ou Missão Madrinhas de Casamento, mas definitivamente não é o caso de Eu Queria Ter a Sua Vida, que se não é o pior do ano, chega bem perto disso.
Se teve uma época que realmente impulsionou minha cinefilia foram os anos 80, inúmeros filmes assistidos repetidas vezes, alguns de gosto...
Se teve uma época que realmente impulsionou minha cinefilia foram os anos 80, inúmeros filmes assistidos repetidas vezes, alguns de gosto duvidosos é verdade, mas o que importava era a diversão e a década de 80 talvez seja lembrada com carinho por muitas pessoas por ter esse cunho divertido mesmo. Tanto que nela o cinema considerado pipoca se estabeleceu e até hoje é o que movimenta o público a ir ao cinema. Foram anos deliciosos e inevitavelmente saudosos para mim e com certeza para muita gente. Os textos abaixo relembram dois filmes diferentes entre si, mas que fizeram muito sucesso nas sessões da tarde da vida:
-Mulher Nota 1000 (Weird Science/John Hughes/1985)
Um sujeito que pode ser considerado o papa do cinema jovem nos anos 80 era John Hughes, diretor de obras marcantes como Clube dos Cinco, Gatinhas e Gatões, Curtindo a Vida Adoidado e escritor de uma outra infinidade delas, Hughes tem em Mulher Nota 1000 um dos seus maiores sucessos. Tudo bem que essa produção não tem o caráter discursivo das outras citadas, mas dialoga de forma muito divertida sobre um dos principais temas em voga na era oitentista, a iniciação sexual e a popularidade. O diretor usa referencias de filmes de ficção cientifica e terror para conceber a historia de dois jovens que criam à mulher perfeita usando um computador em casa. A mulher perfeita no caso é a maravilhosa Kelly LeBrock que povoou o imaginário adolescente por muito tempo, afinal, quem não queria ter uma mulher daquela a disposição para o que der e viesse? Além da saudosa Kelly, o filme também tinha um dos atores preferidos de Hughes que era Anthony Michael Hall, um jovem realmente talentoso, mas que o envolvimento com drogas acabou lhe privando de uma carreira de sucesso mais extensa. Mulher Nota 1000 carrega bem o clima catártico das produções da década, todos parecem viver o último dia de suas vidas e coisas realmente impossíveis que desafiam a física acontecem nessa realização, como uma casa inteira voar por uma chaminé ou ainda a quadrilha de sádicos invadir uma festa. Um filme delicioso que guardo com carinho em algum lugar do meu desgastado cérebro;
- O Último Dragão (The Last Dragon/Michael Schultz/1985)
O ano de 1985 foi um dos mais prolixos da década de 80, com produções que arrebataram o mundo e viraram clássicos totais, como De Volta para o Futuro, A Hora do Espanto e até o citado acima Mulher Nota 1000, sem comentar os dramas. Além dessas produções com cunho mais populares, 1985 também produziu obras menores, mas que ganharam o publico como O Último Dragão. O diretor Michael Schultz realizou muita coisa nos anos 80 e 70, incluindo uma versão cinematográfica de Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band de 1978 com Peter Frampton e Bee Gees no elenco que não teve muito sucesso. O Último Dragão foi uma das produções derradeiras da Motown, uma produtora que primava por trazer artistas negros em suas obras e além de algumas produções para o cinema, como uma versão do Mágico de Oz que trazia um jovemMichael Jackson e Diana Ross nos papeis principais, a Motown ganhou maiores notabilidades por lançar inúmeros excelentes artistas negros da musica norte-americana. Nessa obra, Schultz misturou tudo o que podia de referencias da cultura negra como a black-music (a trilha sonora é sensacional e talvez melhor que o filme), com o sucesso dos videoclipes e ainda parodiou artistas em evidencia na época como Madonna. Mesclou tudo isso a uma historia sobre artes-marciais inspirada em Bruce Lee (?). Isso mesmo! Dessa junção improvável surgiu o carismático Bruce Leeroy (Leroy Green) e seu antagonista inesquecível Shogun (Julius Carry). O filme é isso, um produtor de musica picareta quer impor que uma de suas cantoras seja lançada em uma discoteca capitaneada por uma DJ das mais sexys, no meio disso Bruce Leeroy entra como guarda-costas da moça e para enfrentar o discípulo negro de Bruce Lee, o produtor contrata o querido Shogun, um sujeito que se acha o maioral do Brooklyn na porradaria e quer desbancar o ingênuo Leeroy a qualquer custo. O Último Dragão é um filme que peca em muitos sentidos, o roteiro apresenta furos enormes e as atuações mais caricatas impossíveis, mas afinal, quem liga? Esse eu guardo na minha memória afetiva e quando revejo, volto a ter 10 anos e bate uma saudade daquelas...
Os anos 80 já são lendários, muita gente pode criticar ou mesmo achar bizarro, mas talvez essa tenha sido uma das décadas mais criativas para o mundo. Existe muito material de qualidade duvidosa produzido nessa época, isso é verdade, mas erarealmente louvável a intenção de ser criativo, não havia o medo de tentar, se pecava pelo excesso de ousadia e não pela falta e talvez por isso se sinta tanta falta dessa magia oitentista.
Uma das obras mais incensadas da carreira de Mel Brooks como diretor é esse O Jovem Frankenstein . Apesar de ter realizado 12 filmes, Brook...
Uma das obras mais incensadas da carreira de Mel Brooks como diretor é esse O Jovem Frankenstein. Apesar de ter realizado 12 filmes, Brooks se especializou em sátiras de gênero como Banzé no Oeste e SOS, Tem um Louco solto no Espaço, filmes divertidos, como esse, mas nada mais que isso. O humor do diretor é bem peculiar, voltado para piadas sarcásticas e talvez por isso não seja tão abrangente o seu tipo de comédia, que assim como angaria fãs, também tem sua legião de detratores. Não dá para dizer que sou fã do seu cinema, mas respeito, principalmente em A Última Loucura, que considero bem notável.
O respeito pelo diretor e a curiosidade de ver a obra clássica de Mary Shelley adaptada em uma obra que tem como intenção fazer rir é o que motiva apreciar O Jovem Frankenstein, porque o filme por si só não chega a empolgar. Claro que a concepção visual, remetendo aos filmes clássicos do monstro é muito bem construída, principalmente as cenas passadas dentro do castelo do Doutor Frankenstein, concebido aqui por Gene Wilder, o ator fetiche de Brooks, mas diferente de Banzé no Oeste, Spaceballs ou até mesmo em Drácula - Morto mas Feliz as piadas do gênero não encaixam tão bem, principalmente uma super sem graça envolvendo o nome do protagonista.
Na visão de Brooks para o texto clássico, o neto do Dr. Frankenstein herda o castelo e as experiências do avô, mas cético em relações aos experimentos de seu antepassado resolve imprimir uns dos estudos dele, ressuscitando um cadáver que viria a ser o seu monstro (Peter Boyle), só que dessa vez um cérebro “anormal” é usado por engano na criatura. A obra tem até boas cenas, principalmente as que o monstro em fuga se refugia na casa de um sujeito cego ou uma outra como apresentação no estilo Broadway em que a criatura dá um show de sapateado, rendendo algumas das poucas seqüências realmente engraçadas. O Jovem Frankesntein não é ruim, diria que esta mais perto de bom, mas não rende risadas verdadeiras, por isso não empolga, talvez as piadas funcionassem mais em 1974 ou seria essa uma das comedias que são feitas para não fazer rir? Alias, será que filmes de comédia para serem bons necessariamente têm que fazer rir?
É até compreensível que Uma Noite Mais que Louca tenha penado para ser lançado no circuito comercial americano (no Brasil necas), filmado e...
É até compreensível que Uma Noite Mais que Louca tenha penado para ser lançado no circuito comercial americano (no Brasil necas), filmado em 2007 rodou nas mãos de vários estúdios majoritários e finalmente nesse 2011 estacionou e teve seu lançamento pela Rogue. Nos dias politicamente corretos de hoje, somente uma empresa mais descompromissada para encarar uma obra que mostra boa parte de seus personagens consumindo cocaína (até então uma droga em alta) explicitamente ou praticando sexo voyeurista. Na verdade, isso são apenas detalhes que compõem essa divertida comédia ambientada nos anos 80 e produzida e estrelada por Topher Grace.
Talvez Uma Noite Mais que Louca seja a realização que melhor tenha captado o espírito da década de 80, mesmo com seus personagens estereotipados, consegue transmitir o sentimento de medo e relegação que pairava na juventude daqueles anos que não queriam viver como seus pais. Apesar de a trama ser desenvolvida como uma típica comedia oitentista, o novato diretor Michael Dowse consegue inserir temas relevantes, principalmente o do personagem de Topher Grace, recém-formado na renomada MIT, mas que trabalha em uma Vídeo Locadora porque tem medo de enfrentar a vida ou a sua irmã vivida por uma morena Anna Faris, que precisa decidir entre se casar com o namorado do colegial ou enfrentar uma pós-graduação na Inglaterra.
Toda a trama é passada durante uma noitada, por isso o péssimo titulo nacional, o que também era recorrente em filmes dos anos 80 e nessa jornada de auto-descoberta do personagem central, acompanhamos um enlace amoroso do rapaz com uma antiga paixão representada pela bela Teresa Palmer, o que rende bons momentos íntimos, deles passeando entre as imponentes casas de Beverly Hills e culminando em uma seqüência arrancada de filmes como A Garota de Rosa Shocking ou Alguém Muito Especial. O filme ainda carrega o clima catártico das festas americanas representadas nessas produções, aonde todos parecem estar vivendo o último dia de suas vidas.
A trilha sonora recheada de sucessos da época é um atrativo a parte, com canções deliciosas do Duran Duran, Motley Crue, The Buggles entre outros menos conhecidos e que deve funcionar muito bem no CD. No mais, Uma Noite Mais que Louca é uma bonita homenagem a uma época aonde todos queriam ser “os moderninhos”, mas mesmo assim pairava ainda certa ingenuidade no ar. Diria que é uma prazerosa sensação de Déjà-vu.
Quero Matar meu Chefe pode não ser a melhor comédia do cinema em 2011, mas se apresenta como um delicioso exercício de humor negro e vou al...
Quero Matar meu Chefe pode não ser a melhor comédia do cinema em 2011, mas se apresenta como um delicioso exercício de humor negro e vou além, se fosse concebido pelos talentosos Irmãos Cohen talvez viesse a ser uma pequena jóia, dado a habilidade da dupla em conduzir historias com temática cruel e mesmo assim dar uma comicidade toda especial a elas, mas o novato Seth Gordon não é nenhum dos dois e acaba derrapando em alguns momentos.
Talvez o maior problema de Quero Matar meu Chefe seja o personagem da dentista ninfomaníaca representada por uma morena Jennifer Aniston, ela esta mais sensual do que nunca, mas a vertente relacionada ao funcionário que ela assedia não parece tão importante, fazendo a moça ficar em segundo plano e acaba descreditando um pouco o intento da trinca de amigos que deseja matar os próprios chefes. Até porque Jennifer Aniston não é tão “assassinavel” assim.
Por um outro lado a trinca protagonista (Jason Bateman, Jason Sudeikis e Dale Arbus) apresenta excelente timing cômico e química em cena, principalmente Dale Arbus que se destaca em quase todas as seqüências, principalmente uma em que aparece doidão de cocaína depois de espalhar um bocado da droga na casa de um dos chefes. O filme tem algumas referências interessantes como a Pacto Sinistro de Hithcock, quando os amigos decidem um matar o chefe do outro, mas fica tudo um pouco na superficialidade, até porque do meio para o final o filme perde um pouco da pegada de suspense para apostar mais em uma comédia de erros.
O filme ainda é repleto de atores conhecidos e consagrados como os chefes a serem assassinados (Jennifer Aniston, Kevin Spacey e Collin Farrell irreconhecível), Donald Sutherland que faz uma pequena ponta, Ioan Gruduff como um michê de trabalhos repugnantes, mas de todos quem realmente acaba roubando a cena do filme é Jamie Foxx com o seu Filha da Puta Jones, um personagem picareta que é o guru da trupe na questão dos assassinatos. Com um espírito politicamente incorreto até o talo, Quero Matar meu Chefe não é notável, mas rende boas risadas.
Tendo assistido recentemente Disque Butterfield 8 , me senti na obrigação de assistir esse premiado com a estatueta de melhor filme naquele...
Tendo assistido recentemente Disque Butterfield 8, me senti na obrigação de assistir esse premiado com a estatueta de melhor filme naquele ano, Se Meu Apartamento Falasse, no qual para conferir a atuação de Shirley Maclaine, que concorreu ao Oscar de melhor atriz com Liz Taylor na premiação de 1960. A atuação de MacLaine é muito boa, não supera a de Taylor, mas sinceramente quem manda no filme de Billy Wilder é Jack Lemmon, o ator fetiche de Wilder e que brilhou em outras maravilhosas obras (Quanto Mais Quente Melhor e Irma, La Douce) desse importante diretor nascido em 1906 na Galicia, hoje conhecida como Polónia, mas radicado nos EUA e no cinema americano.
Se Meu Apartamento Falasse é uma obra a frente de seu tempo, deve ter causado certo frisson mostrando altos executivos nova-iorquinos metidos com adultérios, celebrando noitadas e fanfarronices em detrimento aos bons costumes sempre pregados pela sociedade americana. A cena da festa de natal em que vários empregados (tanto homens quanto mulheres) da Corretora de seguros em que C.C. Baxter (Jack Lemmon) trabalha aparecem “se pegando” é revestida de ousadia, prevendo até como funcionaria muitas das relações casuais de hoje em dia, ou seja, fazemos sexo hoje e nem nos cumprimentamos amanhã, uma critica acida a uma nova sociedade que parecia surgir nesses distantes anos 60.
Na trama, Baxter é um executivo que ascende na empresa emprestando o apartamento aonde mora para que seus superiores possam ter encontros sexuais com suas respectivas amantes. Um verdadeiro motel, que parece não incomodar tanto o rapaz, já que ele esta subindo rapidamente de cargo no trabalho, fazendo ainda render a ele uma falsa e cômica fama de garanhão entre os vizinhos. Baxter se interessa por Fran (Shirley Maclaine), a ascensorista do prédio aonde trabalha, mas ela nem liga para ele. Ao voltar para o seu apartamento depois de um empréstimo para um de seus patrões, acaba descobrindo que uma das amantes dele é a sua Fran e alem disso a moça esta desacordada em sua cama depois de tentar um suicídio.
Claro que a sinopse ate sugere uma obra com enfoque mais dramático, mas Wilder trata tudo com certas sutilezas, imbuindo a realização com um humor mordaz, caracterizado pela atuação magnífica de Jack Lemmon, contido nas caretas, mas concebendo um personagem que faz o humor surgir espontaneamente, seja escorrendo o macarrão em uma raquete de tênis ou obrigando a moça a jogar cartas em um jogo totalmente desinteressante ou ainda bancando de enfermeiro para que a mesma não venha a tentar cometer um suicido novamente. No epílogo, tudo parece conspirar para que o filme termine em uma espécie de anti-romance, mas Wylder concebe uma seqüência final mágica em que coloca tudo nos seus conformes. Um filme brilhante que faz jus a fama de seu diretor.
“Se o presente é insatisfatório é porque a vida é insatisfatória”, a citação do escritor Gil ( Owen Wilson ) é carregada de veracidade, que...
“Se o presente é insatisfatório é porque a vida é insatisfatória”, a citação do escritor Gil (Owen Wilson) é carregada de veracidade, quem nunca sonhou viver em outra época? Uma em que as coisas fossem mais fáceis ou mais felizes. Uma das nuances pertinentes ao ser humano é viver do passado, até porque muitas vezes o passado pulsa dentro de nós, nem é necessário povoar a nossa nostalgia com tantos personagens famosos, como faz o mestre Woody Allen em seu filme, às vezes uma lembrança de momentos felizes com amigos já nos faz fazer uma viagem no tempo.
Uma delicia esse Meia Noite em Paris, um filme para assistir com um sorriso no rosto de cabo a rabo. Desde o momento em que Gil entra a primeira vez no antigo Renault e todo um passado de influencias vai traçando a vida do personagem. Uma festa com os Fitzgerald, um drinque com Hemingway, apreciar uma canção tocada por Cole Porter, contemplar uma obra de Picasso, são tantos personagens especiais que povoam a madrugada de Paris que fica difícil lembrar e citar todos. Woody Allen nos propõe uma viagem no tempo mágica para depois nos mostrar que o próprio tempo acaba sendo feito por cada um, não adianta viver de passado, mesmo sendo tão delicioso e atrativo, mas que devemos reverenciá-lo e usa-lo como inspiração para a vida.
Divagações a parte, Meia Noite em Paris apresenta uma cena antológica atrás da outra, como quando Gil visita a escritora e poeta Gertudre Stein (Kathy Bates), que parecia ser a mentora de um invejável grupo de artistas, para que ela leia seu livro ou em uma cena única e impagável em que o escritor sugere a Luis Buñuel que realize o antológico Discreto Charme da Burguesia ou seria O Anjo Exterminador? Ou ainda na viagem no tempo dentro da viagem no tempo em que junto com sua musa inspiradora, representada pela bela Marion Cottilard, eles visitam a Belle Époque e o mesmo percebe o verdadeiro significado de tudo aquilo que está vivendo, com essas improváveis incursões temporais que ainda afloram os verdadeiros sentimentos que mantém com sua fútil noiva (Rachel McAdams) na vida real.
Se Meia Noite em Paris anda sendo considerado um Woody Allen menor, pode até ser, não contem a força narrativa de recentes obras como Match Point e O Sonho de Cassandra, mas se junta a encantadoras realizações como Tudo Pode dar Certo e Vicky Cristina Barcelona, que apresentam um cineasta que mesmo com seus 76 anos parece ter um vigor inesgotável, escrevendo e filmando em profusão e sempre nos brindando com obras no mínimo interessantes, que não é o caso deste, que pode ser considerada como uma preciosa jóia. Woody Allen é como o bom vinho, quanto mais maduro melhor.
Tenho que assumir que adoro comédias despretensiosas, principalmente as que carregam humor adolescente, servem como delicioso escapismo e hi...
Tenho que assumir que adoro comédias despretensiosas, principalmente as que carregam humor adolescente, servem como delicioso escapismo e higiene mental. Claro que em sua maioria elas se apresentam recheadas de clichês ou com traminhas bem ralas, mas vez ou outra alguma surpreende em alguns aspectos, como as duas que escreverei brevemente abaixo:
- Provas e Trapaças (Assassination of a High School President/Brett Simon/2008)
Comédia estudantil, interessante e movimentada que retrata a investigação de um aspirante a jornalista sobre o roubo de umas provas da sala da diretoria. A trama envolve algumas conspirações, como trafico de remédios e drogas, mas tudo com um humor ligeiramente ácido. O filme conta com Bruce Willis interpretando o diretor da escola, ex-combatente e paranóico, e com Mischa Barton fazendo o papel de mais popular do colégio, mesmo a moça parecendo já meio velha para o personagem. O ator principal Reece Thompson se mostra uma grata surpresa e consegue segurar o filme até o final, que ainda tem o bom gosto de apresentar uma trilha sonora com algumas canções dos Mutantes;
- Jovens, Doidos e Alucinados (The Quest/Mike Fleiss/2003)
Bancando de falso documentário, esse filme acompanha o que seria um arranjo entre amigos para que um deles perca a virgindade em um balneário mexicano. Com um humor escatológico que se assemelha muito com o da trupe do Jackass, essa comédia é de riso fácil e com algumas seqüências de mau gosto, mas consegue causar certa surpresa captando momentos sensíveis, alem de expressar muito bem esse sentimento de juventude com tantos hormônios em ebulição. Todos os atores são desconhecidos e existe uma preocupação com que o filme realmente pareça um DOC, o que acaba sendo interessante e fugindo da mesmice de produções parecidas. Com muita bebedeira e sacanagem, ainda apresenta dois anões que inevitavelmente roubam todas as cenas em que aparecem;
São filmes com alguma graça e divertidos, que valem uma olhada em turma ou sozinho, não vão mudar a vida de ninguém, mas rir um pouco sem culpa não faz mal em nada.
Quando aparece algum filme que logo pipocam um monte de comentários elogiosos sobre acabo ficando um tanto desconfiado, mas a campanha posit...
Quando aparece algum filme que logo pipocam um monte de comentários elogiosos sobre acabo ficando um tanto desconfiado, mas a campanha positiva sobre Amizade Colorida procede, pois o longa é bem divertido mesmo, apresentando uma química exuberante entre o casal protagonista, alem de ser um sopro de audácia em meio a produções parecidas e tão politicamente corretas que costumam ser realizadas por Hollywood.
Se bem que esse ano de 2011 já houve algumas produções que descortinavam o pudor excessivo de comedias românticas, jogando o sexo logo de inicio na cara da platéia, como a dramédiaAmor e Outras Drogas dirigida pela mão pesada de Edward Zwick e Sexo sem Compromisso de Ivan Reitman, que ainda não conferi (e nem sei se vou) devido a tantos comentários negativos que acabaram me desestimulando.
Alem da atuação pulsante de Justin Timberlake e da belíssima Mila Kunis (que belos olhos a moça tem, seriam só os olhos mesmo?), Amizade Colorida se torna interessante por apresentar uma trama que satiriza as próprias comédias românticas, alem dos vilões do filme serem os próprios protagonistas, que só não ficam um com outro porque querem manter a proposta de apenas fazer sexo casual, sem amor, sem obrigações. Um paraíso para alguns, mas como sabemos, não é assim que as coisas funcionam, principalmente em um filme.
O diretor Will Gluck, do divertido A Mentira de 2010, comprova que tem talento para conduzir comédias com um tom mais ácido, criando alguns momentos interessantes, como o flashmob do prólogo, além de utilizar muito bem a atmosfera de casualidades da cidade de Nova Iorque, uma cidade que parece perfeita para encontros e desencontros. Com coadjuvantes (Richard Jenkins, Patrícia Clarkson, Bryan Greenberg, Emma Stone, Andy Samberg) que dão suporte devido para a dupla principal brilhar, Amizade Colorida é uma grata surpresa e está entre as produções de destaque desse ano.
O trailer de Missão Madrinhas de Casamento sugere uma versão feminina de Se Beber, Não Case , até que existem algumas semelhanças, mas a pr...
O trailer de Missão Madrinhas de Casamento sugere uma versão feminina de Se Beber, Não Case, até que existem algumas semelhanças, mas a produção dirigida por Paul Feig, que trabalhou em varias series de TV, incluindo a cultuada Freaks & Geeks é um filme que tem áurea própria, principalmente pela atuação da engraçada Kristen Wiig, mais uma revelada pelo Saturday Night Live. No contexto atual cinematográfico, pode-se dizer que a obra ousa em colocar atrizes maduras no papel de protagonistas, tanto Kristen Wiig quanto a noiva defendida por Maya Rudolph tem seus quarenta anos e nem são tão belas assim, mas o carisma em cena faz ate esquecermos os dotes físicos e curtimos o talento e bom timing cômico da dupla.
A historia é um tanto simples e até batida, Lílian (Maya Rudolph) vai se casar e convida a amiga de infância Annie (Kristen Wiig) para ser sua dama de honra, que na cultura dos casamentos americanos é quem organiza tudo, desde o chá de panela a roupas para celebração e outros inúmeros eventos. Annie é um tanto frustrada com suas aspirações profissionais e pessoais, dividindo um apartamento com uma improvável dupla de irmãos e fazendo sexo casual com um sujeito que a despreza. Alem dos contratempos usuais, Annie é deveras avessa e atrapalhada a pompa das comemorações e mesmo assim deseja satisfazer a amiga, mas para piorar tudo, aparece Helen (Rose Byrne), milionária aspirante a melhor amiga de Lílian e que parece querer desmerecer a dama de honra em tudo que se propõe a fazer.
O filme ganha pontos em fugir de tradicionais cenas escatológicas, que renderiam risos fáceis, procurando até certo ponto explorar as dificuldades que uma mulher pode ter em se manter feminina e atraente em um mundo que tende às masculinizar. Claro que Missão Madrinhas de Casamento não tem a intenção de teorizar muito sobre o mundo peculiar das mulheres, mas se apresenta como uma comédia divertida, com cenas engraçadas, como a que Annie tem que provar que não esta bêbada para um pretendente policial ou uma em que aparece drogada dentro de um avião, e ainda satiriza com habilidade todo esse universo particular dos matrimônios. Uma boa surpresa, que vale uma olhada.
Existe um fato engraçado na apreciação de Gotas D’Água em Pedras Escaldantes , nos créditos iniciais logo vem à informação de que a obra er...
Existe um fato engraçado na apreciação de Gotas D’Água em Pedras Escaldantes, nos créditos iniciais logo vem à informação de que a obra era baseada em texto de Rainer Werner Fassbinder, diretor que sempre me cobro e prometo de assistir a mini-serie Berlin Alexanderplatz, e que também não assisti nada, mesmo sempre sendo cobrado pelos amigos cinéfilos. De uma maneira ou de outra, um pouco de Fassbinder acabou vindo parar em minhas mãos, meio que sem querer, com a indicação dessa realização do diretor francês François Ozon pelo amigo Ailton Monteiro no post recente do filme O Refúgio.
Pelo que andei lendo, Gotas D’Água em Pedras Escaldantesguarda um pouco do sarcasmo que Fassbinder aplicou em obras como Berlin Alexanderplatz, mas sem duvida a concepção estética e da trama tem muito de Ozon, com cenas que remetem a outras realizações suas. Como o próprio titulo sugere, na trama, as Gotas D’Água seriam o jovem Franz (Malik Zidi), a sua ex-namorada Anna (a estonteante Ludivine Sagnier) e a transsexual Vera (Anna Levine), e as Pedras Escaldante seriam o dominador Leopold (o excelente Bernard Giraudeau). Na presença escaldante de Leopold, as gotas se dissipam e viram mera precipitação, podendo ainda se tornar nuvens de chuva.
A obra carrega forte tom teatral, tanto que tudo acontece dentro do apartamento de Leopold, desde o encontro inicial com o indeciso Franz, que de noivo prestes a se casar, passa a amante passivo do homem. Leopold se interessa tanto pelo sexo quanto pelas maneiras que tem de diminuir ou desprezar o rapaz. A divisão por atos, aparece pontuando também as fases de um relacionamento, seja homossexual ou hetero, sempre há o deslumbre inicial, que depois pode se converter em desinteresse, talvez devido ao marasmo ou detalhes do caráter da pessoa que possam começar a irritar ou mesmo pela vontade de se procurar “carne nova”, como em certo momento a transsexual Vera, ex-amante de Leopold, cita.
Lá pelo terceiro ato, entra em cena a sonhadora Anna, ex-noiva de Franz, que pretende resgatar o rapaz para si, ainda acreditando que o jovem tenha vivido apenas uma aventura e não ame Leopold, mas tudo acaba ganhando uma dimensão pervertida quando o homem flagra os jovens em sua casa após fazerem sexo. Iniciando assim um jogo sexual com o casal e com Vera que acaba aparecendo no mesmo momento, clamando por sua ajuda. Ali, percebe-se o verdadeiro prazer de Leopold: manipular as pessoas com seus joguetes em que todos acabam ficando a sua mercê. Gotas D’Água em Pedras Escaldantes é um filme inevitavelmente dramático, mas que guarda um humor bem peculiar às obras de Ozon, que parece fazer filmes que sempre tem o que dizer, mesmo os cômicos.
Convenhamos, um filme que a principal motivação do protagonista é arrumar 10 mil dólares para implantar silicones, e esse personagem ainda é...
Convenhamos, um filme que a principal motivação do protagonista é arrumar 10 mil dólares para implantar silicones, e esse personagem ainda é uma professora de crianças, não da para ser levado muito a serio, mas de repente na mão de um cineasta mais habilidoso, sairia uma obra de mau gosto engraçada. Bom, não é o caso de Professora Sem Classe.
A obra do até experiente diretor Jake Kasdan, de A Vida é Dura e Orange County, é um filme tosco, mal conduzindo, com a intenção de fazer graça com situações politicamente incorretas, mas que não funcionam. Consegue se dispor de bons comediantes recentes, como Jason Segel e Lucy Punch, que parecem perdidos ou fora de sintonia em algumas cenas. A realização ainda tenta se segurar no carisma e sensualidade de Cameron Diaz, como uma professora de má conduta, que se preocupa apenas em arrumar um marido rico, que vê no professor substituto de família rica interpretado por Justin Timberlake a oportunidade, mas para isso terá que disputar com outra professora (Lucy Punch).
Professora Sem Classe se mostra como uma produção feita na medida para os cinemas de shoppings venderem muito sua excessivamente cara pipoca. Daqueles filmes que o expectador mais apurado sai com vergonha do cinema ou com vontade de esquecer que assistiu.
Potiche – Esposa Troféu , a obra mais recente do prolífico diretor francês François Ozon , é um filme que faz uma homenagem escancarada à at...
Potiche – Esposa Troféu, a obra mais recente do prolífico diretor francês François Ozon, é um filme que faz uma homenagem escancarada à atriz Catherine Deneuve e sem duvida é uma delicia assistir à senhora Deneuve atuar, que ainda consegue sem manter em forma, mesmo com o inevitável avanço da idade. Os momentos com a atriz em cena são mágicos, principalmente a seqüência inicial, que dá o tom de fabula da historia, mostrando Suzanne Pujol (Catherine Deneuve) se exercitando no meio de uma floresta e vários animais aparecem para reverenciá-la, no melhor estilo desenho da Disney. As comparações com os clássicos Disney ficam por ai, e Potiche – Esposa Troféu mesmo com um tom leve, consegue ser uma obra feminista, desprendida e até certo ponto sexualizada.
Na trama, Suzanne Pujol é a esposa perfeita, mãe e avó afetuosa, preocupada com os afazeres do lar e descartada pelo marido (Fabrice Luchini) em situações de crise, como a que estão passando na fabrica de guarda-chuvas criada pelo pai dela. Suzanne não tem voz ativa, serve somente como um adereço para sua bela casa, um belo jarro, como o titulo sugere e sua filha coloca assim em certo momento. Um problema de saúde faz com que seu marido tenha que se ausentar do trabalho em meio a uma ferrenha greve dos funcionários. Na iminência da fabrica ser fechada, Suzanne assume o papel do marido e parece recolocar as coisas nos trilhos, com seu jeito terno, preocupado e liberal. A iniciativa da mulher acaba fazendo relembrar momentos da sua juventude e um romance com o agora deputado esquerdista Babin (Gerard Depardieu), mas o retorno do marido, possesso com as mudanças feitas pela esposa, acabam fazendo a vida de Suzanne tomar um outro rumo.
Potiche – Esposa Troféu, além de atuações divertidas de todo o elenco, que demonstram uma sintonia perfeita, apresenta um visual kitsch impressionante, meio brega, meio ultrapassado, mais luxuoso e cheio de cores que saltam os olhos e ajudam a conceber o clima nostálgico do filme. A trilha sonora, com canções pops francesas ainda criam momentos maravilhosos, como o do epílogo, quando Suzanne entoa uma canção que exalta como a vida pode ser bela. O filme tem algumas divertidas cenas de sexo protagonizadas por uma Suzanne mais nova, talvez até parodiando a própria Deneuve em A Bela da Tarde de Buñuel, caracterizando ainda mais o tom de homenagem a essa excelente e icônica atriz.
Somente o elenco de Amor a Toda Prova valeria uma ida ao cinema, mas a obra, assinada pela dupla de diretores Glenn Ficarra e John Requa ,...
Somente o elenco de Amor a Toda Prova valeria uma ida ao cinema, mas a obra, assinada pela dupla de diretores Glenn Ficarra e John Requa, que já haviam realizado o interessante e divertido Golpista do Ano de 2009, consegue fugir da sina de filme de esquetes, que normalmente acaba acontecendo quando se envolvem tantos atores interessantes e se mostra uma das melhores comedias realizadas em 2011.
A trama começa mostrando a separação do casal formado por Cal (Steve Carell) e Emily (Julianne Moore). Cal sai de casa e passa boa parte do seu dia em um bar enchendo a cara e lamentando que sua ex-esposa o corneou, ninguém dá muito atenção para ele. Um dia, Jacob (Ryan Gosling), um sujeito boa vida e conquistador inveterado, não agüentando mais a falação de Cal, resolver ajudar o pobre homem. Ajudar como? Bom, Jacob toma o desafio de recolocar Cal no “mercado”, quer dizer, faze-lo de novo atrativo para as mulheres.
A trama não se prende somente a isso, há um desenrolar de subtramas divertidas envolvendo o filho de Cal, que se apaixona pela babá, Emily que se envolve com um colega de trabalho (Kevin Bacon) e uma outra historia, envolvendo uma aspirante a advogada (Emma Stone), que no epílogo do filme é explicado o motivo em uma seqüência bem engraçada. O filme ainda tem ótimas piadas, reverenciando filmes como Karate Kid, Dirty Dancing ou zombando de produções atuais como a Saga Crepúsculo. A dupla de diretores mistura tudo em uma salada romântica deliciosa, mostrando como o amor pode ser estúpido e louco, como o próprio titulo original sugere.
Amor a Toda Prova é um filme leve, bem intencionado, feito para divertir mesmo. Pena que pelo genérico titulo nacional tem a chance de passar despercebido por muita gente ou só pegar aos que procuram uma comedia romântica das mais melosas, que definitivamente esse não é, uma produção que trata adulto como adulto, adolescente como adolescente e criança como criança. Todos envolvidos nos percalços (mesmo que engraçados) que o amor pode infringir a nós.
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