Ethan Hunt (Tom Cruise) é convocado dessa vez para confrontar um terrorista (Michael Nyqvist) que tem a intenção de começar uma guerra nuclear global e com o protocolo fantasma instaurado, que extingue a IMF, somente Hunt e um pequeno grupo de agentes (Simon Pegg, Jeremy Renner e Paula Patton) podem salvar o mundo. Bom, nem é preciso uma historia muito plausível para que Hollywood realize mais uma filme dessa franquia de sucesso, até porque sabemos que veremos pela frente uma obra repleta de ação, com momentos vertiginosos de tirar o fôlego e muita, mas muita correria. Um prato cheio para uma sessão despretensiosa regada a pipoca e refrigerante, e nesse intento dá para dizer que o diretor estreante em live-action Brad Bird se sai bem.
Tudo bem que a ação desenfreada mascara um bocado de um roteiro frouxo, que mostra um vilão pouco convincente e confuso em seus próprios propósitos, mas que por outro lado ora trás uma comicidade que cai bem na proposta de filme-pipoca dessa continuação ora mostra uma equipe que talvez seja a que tenha mais química entre os 4 filmes da cine - serie. Bird que até então somente tinha dirigido animações, comete cenas impressionantes, que figuram fácil entre as mais nervosas da serie, como uma em que Ethan escala um arranha-céu em Dubai ou na seqüência em que o personagem de Jeremy Renner fica hasteado por uma roupa imantada sobre uma hélice enorme quando o grupo invade um hotel na Índia para roubar uma seqüência de números de um magnata das informações.
Não dá para dizer que Missão Impossível: Protocolo Fantasma seja o melhor filme da franquia e ainda tenho que lamentar que o tom mais serio, que achei muito bem-vindo, do terceiro episodio tenha saído em detrimento a concepção de um filme mais “aventurão”, voltado para um público mais abrangente, o que também não é nenhum pecado, mas ao final da sessão, mesmo gostando e se preocupando pouco com as suas imperfeições, percebe-se que o longa não empolga como deveria.
As duas cine-séries em questão foram assistidas com amigos em divertidos encontros regados a nostalgia e filmes de ação. Isso ao longo de al...
As duas cine-séries em questão foram assistidas com amigos em divertidos encontros regados a nostalgia e filmes de ação. Isso ao longo de alguns meses e como a maratona cinéfila esta em reta final, esses filmes já estavam mais do que na hora de virem para o blog. Tanto Missão Impossível quanto Desejo de Matar foram realizações que marcaram seus tempos, uma trazendo novidades para o gênero que parecia meio defasado no final dos anos 90 e revolucionou ao mostrar o seu filme precursor como uma trama de ação quase ininterrupta inserida em uma boa historia, mesmo que baseada em uma serie de TV de sucesso nos anos 60 e a outra, mais antiga e sombria, trazendo um cidadão comum que após perder entes queridos para criminosos se rebela contra a criminalidade em si. Uma com o galã Tom Cruise, outra com o lendário ator americano Charles Bronson. Ambas marcaram época no cinema e no home-video e suas revisões são sempre divertidas e válidas:
- Missão: Impossível (Mission: Impossible/Brian de Palma/1996)
Lançado como Blockbuster no verão de 1996, Missão: Impossível conseguiu ir além do simples filme pipoca, trazendo uma interessante trama de ação orquestrada pelo talentoso diretor Brian de Palma. Nesse primeiro somos apresentados ao personagem Ethan Hunt (Tom Cruise) que acusado de ser o culpado da morte dos membros de sua equipe, tem que fugir de assassinos do governo e penetrar em uma verdadeira fortaleza comandada pela CIA. M: I é um filme que ainda impressiona pelas tomadas, como a cena em que Hunt se pendura no teto por um fio e desce em uma sala cheia de artifícios tecnológicos para detectar a mínima presença. Virou clássica e foi excessivamente copiada e parodiada, mas mesmo assim ainda faz o expectador prender a respiração. Outra seqüência que marcou e foi amplamente revisitada é a do helicóptero fugindo do trem-bala. Um filme que vale o jargão muito usado por um certo critico americano: “Trepida de Ação!”
Quatro anos depois veio a sua continuação, dirigida pelo mestre oriental de filmes de ação e conhecido pelo estilismo visual John Woo. Nesse filme, Hunt tem que pegar um terrorista internacional interpretado por Dougray Scott. Acho o filme mais fraco e em alguns momentos lembra a bobagem que é o filme das Panteras realizado no mesmo ano, a ação parece meio sem motivos em certos momentos do filme, apesar de guardar uma das melhores seqüências da franquia em que rola um duelo entre Hunt e o vilão, com direito a uma sensacional perseguição de motos e uma bem coreografada luta na praia. Como disse, Woo primou pela excelência visual em detrimento a uma trama mais envolvente.
- Missão: Impossível 3 (Mission: Impossible 3/J. J. Abrams/2006)
Dirigido por J. J. Abrams, um dos apadrinhados pelo Midas Spielberg no século 21, M: I: III demorou mais de meia década para sair do papel. Talvez a insatisfação do resultado final da segunda parte tenha rendido certa apreensão na hora de revisitar a franquia, mas em minha opinião (que talvez a maioria discorde), esse é o melhor filme. Concatena de maneira eficiente trama com ação, que não surge tão gratuitamente quanto antes, e trás o melhor vilão da franquia vivido pelo sempre talentoso Philip Seymour Hoffman. A trama humaniza Hunt, que tem que se virar entre o serviço de espião e o seu recente casamento. A ameaça é mais emocional e aproxima o expectador. Michelle Monaghan já mostra o seu talento para thrillers e o filme em si apresenta muitos bons momentos de tensão e emoção. Espero que a nova continuação, Protocolo Fantasma, com data marcada para 23 de Dezembro de 2011 tencione mais para esse do que para os anteriores.
- Desejo de Matar (Death Wish/Michael Winner/1974)
O ator Charles Bronson era tão querido na década de 80 e começo da década de 90 no Brasil que a toda poderosa Rede Globo tinha um espaço exclusivamente reservado para seus filmes nos domingos à noite. Desejo de Matar é um dos filmes que mais assisti na vida, delirava com as maneiras que o vigilante Paul Kersey (Charles Bronson) liquidava os bandidos. Se alguém me perguntasse meu filme preferido quando tinha um 14 anos, sem titubear responderia esse. Engraçado que essa primeira parte pouco tem haver com um cinema típico de ação, a obra do diretor Michael Winner, recorrente em trabalhar com Bronson, trás elementos de drama e um ritmo lento, apresentando o personagem Kersey como um arquiteto pacifico e dócil que entra em rota com a violência quando sua família sofre abusos e atrocidades nas mãos de criminosos de uma cidade infestada por um novo tipo de violência: a gratuita. A trama amostra um personagem que enlouquece internamente, criando um alter-ego tão terrível quanto os algozes e que vê em tratar violência com violência a única solução. Era para ser um filme menor, sem muitas pretensões e que provalvemente também era para ser uma obra única, mas fez tanto sucesso que rendeu diversas continuações, que se apresentavam cada vez mais sem fundamentos e por fim denegriram a imagem de Bronson, trazendo o errôneo estigma de que seria um ator ruim e canastrão.
- Desejo de Matar 2 (Death Wish 2/Michael Winner/1982)
Demorou – se 8 anos para que fizessem uma continuação de Desejo de Matar, o mesmo diretor Michael Winner achava que o ciclo de Paul Kersey se resumia ao primeiro filme e que uma continuação seria apelativa. A insistência da MGM com quem Bronson teve um longo contrato por fim convenceu Winner voltar a historia e cometer um filme que é bem inferior ao primeiro, mas que mesmo assim ainda tem seus atrativos e curiosidades, como trazer o ator Jeff Goldblum bem jovem em uma participação não creditada como um dos membros da gangue que é formada pelos mesmos algozes que conseguiram escapar das garras de Kersey no primeiro filme. Então, tudo o que ficou subentendido no anterior e não aconteceu, como a verdadeira vingança do homem, nessa continuação veio à tona. Trazendo um justiceiro muito mais violento que no primeiro filme e uma carga de cenas gore que no anterior não tinha. É um filme que carrega nuances de um cinema exploitation e que reafirmou a identificação que o público tinha naquela época com personagens que resolviam seus problemas no braço ou com chumbo grosso. Tanto Desejo de Matar 1 quanto o 2 eram filmes politicamente incorretos até o talo e que se realizados hoje em dia dificilmente teriam um espaço tão abrangente quanto tiveram em suas épocas.
Ponyboy ( C. Thomas Howell ) e Johnny ( Ralph Macchio ) são deliquentes integrantes de uma gangue chamada Greasers. Quando se envolvem em u...
Ponyboy (C. Thomas Howell) e Johnny (Ralph Macchio) são deliquentes integrantes de uma gangue chamada Greasers. Quando se envolvem em um briga com os Socs, gangue rival composta por adolescentes de classe média alta, Johnny acaba matando um deles. Então ajudados por Dallas Winston (Matt Dillon), outro Greaser, Ponyboy e Johnny se escondem em uma Igreja abandonada, mas um incêndio no local atinge um dos rapazes que tenta salvar umas crianças que ficaram presas dentro da Igreja. Enquanto isso, membros das duas gangues marcam um embate para medir as forças.
Vidas sem Rumo é muito mais que um filme sobre gangues e violência. A pequena obra - prima do diretor Francis Ford Coppola explora as nuances da juventude e como as condições sociais, ausência ou omissão paternas podem influenciar vidas inteira, no caso do filme, deixar os jovens, sejam eles pobres ou ricos, literalmente sem rumo, desajustados, a mercê deles mesmo.
A obra é repleta de cenas marcantes e atuações inesquecíveis, como a de C. Thomas Howell, a cena em que recita um poema, em meio ao amanhecer, ao lado do amigo, os dois isolados pela violência cometida é uma das bonitas que vi no cinema, realmente emocionante e tocante. Há outros momentos tristes e belos, como as cenas protagonizadas porRalph Macchio quando está no hospital todo queimado, após ter salvo as crianças do incêndio, em que diz que valeu muito a pena ter salvo aquelas crianças, mesmo podendo perder a vida, que a vida delas é muito mais importante que a dele... tem que se conter para não chorar.
Vidas sem Rumo também pode ser considerado um filme tecnicamente perfeito, com fotografia impecável, (que crepúsculos são aqueles?), trilha sonora que potencializa a sensibilidade nas cenas e edição lenta que privilegia os cenários, destacando a natureza quando eles estão na Igreja. Além de ter lançado uma penca de atores como Patrick Swayze, Rob Lowe, Tom Cruise, Emilio Estevez, Diane Lane e os já citados acima. Um Coppolão da melhor qualidade, no auge da sua forma. Obrigatório. Nota 10.
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