A pouca apreciação do trabalho de Michelangelo Antonioni, tendo visto apenas The Passenger, talvez me afaste de um entendimento maior de Blow-Up – Depois Daquele Beijo. A minha intenção era de assistir antes A Noite, A Aventura ou O Eclipse (todos que tenho aqui, mas reluto em assistir, mesmo sabendo que devem ser obras-primas). A motivação para assistir esse veio do texto publicado recentemente no excelente blog Diário de um Cinéfilo, que costumo freqüentar e interagir bastante com seu administrador Ailton Monteiro, que escreveu com propriedade sobre o filme.
Antonioni é tratado como um cineasta difícil, até entendo essa alcunha, mesmo que tendo assistido apenas duas realizações desse diretor, ambas são de uma lentidão impressionante, em que pouca coisa parece acontecer ou o que acontece às vezes não parece ser tão importante assim para o filme, como o que seria o verdadeiro assunto principal de Blow-Up, a tal seqüência de fotos tiradas as esmo de um casal e que guardaria um segredo terrível, fazendo a moça clicada tentar reaver as fotos com o concebedor das mesmas, Thomas (David Hemmings), fotografo renomado, antenado com moda e de atitudes um tanto blasé. Esse encontro entre os dois rende uma sensível cena recheada de desejos e que é estranhamente interrompida, mas talvez a intenção do diretor fosse causar essa sensação mesmo.
Assim como alguns de seus compatriotas, Antonioni parece ser um realizador de esmero visual, construindo muito de sua narrativa com belas cenas, seja passeando junto com o imponente conversível de Thomas e assim amostrando boa parte do clima modernoso da sociedade inglesa durante aqueles anos 60 ou na belíssima seqüência em que o fotografo tira as comprometedoras fotos da personagem de Vanessa Redgrave ou na revelação das tais fotos em sua casa quando parte do mistério é revelado ou ainda em uma cena em que Thomas entra em um show de rock e encontra toda a platéia catatônica, para depois explodir em catarse quando um dos músicos lhes arremessa uma guitarra quebrada pelo mesmo no palco. Como contraponto a falta de diálogos construtores de trama, o cineasta insere um curioso clima sensual, causando certa atmosfera de mistério no filme, com destaque para a seqüência em que Thomas e duas modelos se digladiam em meio a papeis para arrancarem as roupas uns dos outros.
Blow-Up – Depois Daquele Beijo é um filme que exige um pouco mais de atenção do expectador, mas vale muito assisti-lo com interesse e prestando atenção em seus detalhes. Talvez caiba naquele conjunto de obras para serem sentidas em vez de entendidas, mas de qualquer maneira acho que é um filme que deve ser visto mais de uma vez, para uma apreciação mais completa. A seqüência final, com o grupo de mímicos jogando tênis, é uma das coisas mais bonitas que vi em matéria de cinema. Digna de fazer parte de um filme considerado obra-prima.


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