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A produção que rendeu o Oscar de melhor filme estrangeiro para o italiano Federico Fellini , A Estrada da Vida é uma obra que pode ser co...

A produção que rendeu o Oscar de melhor filme estrangeiro para o italiano Federico Fellini, A Estrada da Vida é uma obra que pode ser considerada tradicionalista na carreira desse lendário diretor, não tem o experimentalismo e nem a ousadia de outras realizações suas como 8 ½, Satyricon ou Casanova, mas com certeza ganha destaque na filmografia desse realizador pela maneira delicada e ao mesmo tempo dura de como acompanha o relacionamento imposto entre o artista circense Zampano (Anthony Quinn) e Gelsomina (Giulietta Masina), uma moça que ele comprou de uma mãe miserável para ser sua assistente.

Assim como em alguns outros trabalhos seus, Fellini utiliza o seu filme para fazer uma homenagem ao trabalho de circo, visto aqui quase de uma maneira artesanal. A construção da trama é lenta, mas rende momentos bem íntimos, como quando Zampano inicia Gelsomina na arte circense, rendendo uma inevitável comparação e homenagem a Chaplin com o chapéu coco e a maquiagem que a moça usa. O relacionamento entre a improvável dupla é muito difícil, ele um durão, considerado pela própria como um animal e ela tão sensível ao ponto de se debulhar em lagrimas com um simples elogio. Eles estão em conflito boa parte do tempo, mas a admiração, o protecionismo e o amor entre os dois são evidenciados em muitos momentos, mesmo sem haver revelações explicitas e sem eles aparentemente exporem esses sentimentos.

A Estrada da Vida é uma obra que flerta com um tipo de cinema mais abrangente, não rende muitas interpretações do expectador e talvez por isso tenha ganho a premiação da academia, mas mesmo assim guarda as características de seu diretor, como a fotografia realista e certo tom cômico melancólico. A musica de Nino Rota ajuda a compor os momentos mais sensíveis do filme, enquanto a talentosa dupla de protagonistas apresenta atuações mágicas, dignas de um filme que para sempre estará marcado nos autos da memória afetiva da Sétima arte. O epílogo, aonde Zampano expõe de maneira visceral e única  todos os seus sentimentos por Gelsomina é um dos momentos mais emocionais já testemunhados.