Dustin Hoffman talvez seja o ator mais injustiçado em Hollywood nos últimos anos e décadas, relegado muitas vezes a papeis secundários ou comedias, parece que ninguém lembra das atuações maravilhosas que teve no passado, principalmente nos anos 70, quando protagonizou vários filmes fantásticos, como Pequeno Grande Homem, Sob o Domínio do Medo, Papillon, Todos os Homens do Presidente, Maratona da Morte e esse emocionante Kramer Vs Kramer, realizado quase no final da década. Vencedor de 5 Oscar, incluindo melhor filme, diretor, ator principal e atriz coadjuvante, essa produção capitaneada por um até então novato Robert Benton traça com muita propriedade as seqüelas de um divorcio de um casal com filho.
Inicialmente, Joana Kramer (Meryl Streep fantástica) abandona o marido Ted Kramer (Dustin Hoffman) e o filho Billy (Justin Henry tão impressionante, que até hoje é o mais novo a ser indicado ao Oscar), pois não suporta mais a vida de dona de casa, quer ter sua independência financeira e assim uma vida mais plena. Ted, o típico marido provedor, de repente se vê com todas as responsabilidades para com o pequeno Billy. Despreparado para tantas tarefas, aos poucos Ted vê sua competente vida profissional desmoronar, mas ao mesmo tempo, com a compreensão que vai adquirindo no papel de pai presente, a tal plenitude que sua ex-esposa procura parece se mostrar para Ted também. Um ano se passa e cada vez mais a figura de Joana vai se dissipando dentro da casa, enquanto o laço entre pai e filho se torna cada vez mais forte, mas quando parecia que tudo estava assentado, Joana volta querendo a guarda do filho e Ted indubitavelmente nega, fazendo o caso ir para a fria justiça.
Robert Benton costura as duas partes do filme de maneira crível e ainda sim sensível, mesmo a ex-esposa e Mãe parecendo como uma possível vilã da historia não é tomado partido do Pai e as seqüências do julgamento são mostradas com muita dureza, mas sem deixar a sensibilidade de lado, que aflora em muitos momentos e dificilmente não emociona quem está assistindo. Uma gama de sentimentos são mostrados e muitos realmente pertinentes a relacionamentos como o casamento e entre pais e filhos. Crivando seqüências em que a dupla protagonista mostra todo seu talento, uma verdadeira aula de atuação. No final, pode-se até torcer por Ted, mas a ternura flui naturalmente em relação à Joana, fazendo de Kramer Vs Kramer um filme mais do que notável.


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