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Um filme em que um dos plots principais é um campeonato de lutas MMA que envolve a rivalidade entre dois irmãos normalmente não deve ser l...


Um filme em que um dos plots principais é um campeonato de lutas MMA que envolve a rivalidade entre dois irmãos normalmente não deve ser levado muito a serio, até porque essa não é a primeira obra e nem vai ser a última a visitar essa temática. Porém, Guerreiro passa longe de ser um filme apenas de lutas e treinamentos, diria que está mais para O Vencedor de 2010 do que para um genérico do Grande Dragão Branco com ex-astro belga Van Damme. Até porque o esporádico diretor Gavin O´Connor trás um retrato contundente e visceral de uma família de lutadores repleta de conflitos, amarguras e tristezas desde sempre que procuram na violência da luta uma maneira de se reencontrarem e libertarem suas frustrações. 

Tommy Conlon (Tom Hardy) reaparece do nada na casa do pai que não vê há 14 anos, Paddy (Nick Nolte), um ex-alcoolatra que vive tentando se redimir com seu outro filho, Brendan (Joel Edgerton). A intenção de Tommy, que carrega certa áurea misteriosa, é que Paddy o treine para um campeonato de MMA chamado Sparta, que vai render 5 milhões ao campeão. Brendan, professor de física em uma escola fundamental, após ser suspenso das suas atividades por conta de uma luta e com problemas financeiros em casa, acaba voltando ao ringue, do qual viveu por um bom tempo como lutador do UFC. Por acaso, Brendan acaba sendo inscrito no mesmo torneio. Então, o que torna Guerreiro destacado na filmografia que envolve filmes de lutadores é como O´Connor trata os aspectos de cada personagem. Não vemos treinamentos edificantes, nem personagens heróicos, os protagonistas são bem humanos, cheios de defeitos, principalmente o Paddy de Nick Nolte, que entrega uma atuação sensacional, como o pai que destroçou aquela família com seu vicio.

Na verdade, Guerreiro é um filme que trás atuações sublimes da trinca principal, Joel Edgerton concebe com qualidade o sujeito mediano que se supera nas adversidades, é dele uma das lutas mais emocionantes quando enfrenta um oponente russo, mas Tom Hardy nos brinda com um momento icônico em sua carreira, desde o magnífico Bronson de Refn feito em 2008 tenho um olhar especial para esse ator. O Tommy de Hardy é daqueles personagens reprováveis que cativam o público de uma maneira tão forte que fica difícil não torcer por ele ou se emocionar com sua jornada. Um homem marcado por tragédias, de poucas falas, mas que com seu olhar selvagem consegue transmitir boa parte de suas emoções contidas que descarrega de forma brutal contras seus adversários.

No meio de todo esse crível conflito familiar, pontuado por momentos brutalizados, mas mesmo assim tocantes, é claro que a realização de O´Connor tem sua ação, com lutas bem coreografadas e filmadas, mostrando toda a violência que o MMA pode proporcionar e que atrai um séqüito de fãs que afirmam a projeção de que o esporte provavelmente vai dominar o gosto do público, superando até outros esportes mais populares. A edição que acelera e desacelera o filme nos momentos certos é mais um dos trunfos que o diretor conseguiu trazer para mesclar com competência drama e ação e assim fazer de Guerreiro um dos melhores filmes no ano de 2011.



Michael Petersen ( Tom Hardy ) é um lunático/psicopata que entra e sai da cadeia desde bem novo. Michael sonha grande, quer ser famoso e par...

Michael Petersen (Tom Hardy) é um lunático/psicopata que entra e sai da cadeia desde bem novo. Michael sonha grande, quer ser famoso e para isso precisa de um nome artístico, um nome imponente, que represente o seu desejo de matar, nada mais apropriado que Charles Bronson, que é como quer que fique conhecido. O envolvente, violento e artístico Bronson do diretor dinamarquês Nicolas Winding Refn, conhecido também pelo mais recente Valhala Rising, é a incrível e surreal historia baseada na trajetória do presidiário mais famoso da Grã – Bretanha. Michael/Bronson era tão alucinado e violento que chegou a passar 30 anos na solitária.

Nicolas Winding Refn (é bom ficar de olho nesse rapaz) transforma a historia do presidiário em uma obra explosiva, visceral, mas imbuída de humor negro e sarcasmo. A seqüência inicial da o tom da película: Michael aparece como se estivesse protagonizando uma apresentação stand – up, em que o que vai falando, vai sendo contradito com as cenas que vão pipocando freneticamente na tela. Praticamente o filme todo vai sendo narrado como se fosse um show, mas a intensidade das inserções teatrais vai diminuindo durante a exibição, alias,  as entradas são ótimas (uma das minhas preferidas e quando Michael aparece com o rosto pintado, fazendo dois personagens), o que faz o expectador ficar esperando sempre pela próxima.

A inserção de certa comicidade nessa realização provavelmente se deve ao excesso de violência do protagonista, talvez numa forma de aplaca – lo. O ator Tom Hardy entrega uma atuação icônica, que eleva seu nome, o seu Michael Peterson é amoral e distopico, mas ao mesmo tempo consegue passar certa ingenuidade, como um animal descontrolado, tanto que em uma das cenas chega a lutar com rotweillers. O mais incrível é que se Michael não fosse tão insano, talvez ele fosse um excelente boxeador, o sujeito tinha socos potentes. Apesar de cometer atos totalmente reprováveis, o protagonista consegue ser extremamente carismático, tanto que é retratado um improvável romance no pouco tempo em que esta livre das grades.

Bronson também é repleto de cenas marcantes, como uma em que esta preso em um hospício e rola tipo um baile, com uma seqüência em que todos os pacientes dançam super chapados ao som de “It´s my Sin” do Pet Shop Boys, para entrar na historia, ou quando começa a praticar lutas clandestinas no tempo em que fica solto ou quando perto do epílogo ele começa a desenhar para libertar sua fúria, mas num acesso de loucura se tranca com o  psiquiatra e pratica no pobre homem toda a sua arte. Para o bem da humanidade, Michael Petersen ou Charles Bronson, como é mais conhecido, continua nas mãos das autoridades britânicas e sem data para ser libertado. Em seus delírios sempre salientava que queria ser famoso e transformar sua vida em arte, parece que conseguiu.

 
O verdadeiro Michael Petersen/Charles Bronson