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Álex de La Iglesia é um diretor que inacreditavelmente não foi descoberto em Hollywood, talvez seu estilo ultra-violento, meio nonsense, me...

Álex de La Iglesia é um diretor que inacreditavelmente não foi descoberto em Hollywood, talvez seu estilo ultra-violento, meio nonsense, meio surreal, meio bizarro, não tenha se encaixado em nenhuma produção americana de primeira linha, tendo feito fora da sua Espanha apenas o pouco visto The Oxford Murders, com o frodo Elijah Wood. Porém, em produções espanholas, como A Comunidade de 2000, o diretor mostrou que tem talento para contar historia com personagens desajustados, ressaltado em 800 Balas de 2002 e comprovado amplamente com esse Balada do Amor e do Ódio.

Escrito pelo próprio diretor, Balada do Amor e do Ódio, é um filme que retrata a disputa de dois palhaços pelo amor da bela trapezista Natalia (Carolina Bang) do circo aonde trabalham. Sergio (Antonio de la Torre) é o palhaço principal, o que faz as crianças rirem, mas quando esta fora do trabalho é violento, mal humorado, espanca qualquer um que se engraçar com ele ou com Natalia. Javier (Carlos Areces) é o palhaço triste, daqueles que passam boas e poucas no picadeiro, descendente de uma família de palhaços, que no inicio do filme remontam a guerra civil espanhola (em cenas impressionantes) para contar sua própria historia e dos familiares que eram revolucionários. Natalia se envolve com os dois, e um conflito acaba sendo inevitável.

A trama poderia sugerir um filme de romance/drama, mas Álex de La Iglesia subverte os gêneros, colocando muita violência e fetichismo no filme, o amor acaba ficando em segundo plano e tudo descamba para obsessões e perversões. Javier, que deveria ser o mocinho, em certo momento é tão vilão quanto Sergio e vice-versa. Os palhaços aparecem personificados como verdadeiros monstros, tornando tudo muito exagerado e criando um clima de desordem e terror, mas a intenção do diretor deve ter sido essa mesma. A obra também parece ter um tom reverencial ao mundo dos palhaços, mesmo que de uma maneira censurável ou amoral.  Balada de Amor e Ódio, mesmo que não agrade a todos, é um sopro de originalidade no meio de tantas repetições.