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Primeiro filme a ganhar realmente destaque na filmografia do canadense David Cronenberg , Scanners – Sua Mente Pode Destruir é uma obra d...

Primeiro filme a ganhar realmente destaque na filmografia do canadense David Cronenberg, Scanners – Sua Mente Pode Destruir é uma obra de ficção cientifica que flerta com um tipo de cinema B, com tendência gore e que viria a confirmar a predileção de Cronenberg a temas estranhos em sua carreira. Essa realização não tem a profundidade de outras obras suas como Gêmeos, Mórbida Semelhança ou A Hora da Zona Morte, mas a historia de conspiração com humanos que tem poderes telepáticos se mostra como um filme bem realizado dentro dos limites que o próprio teve para concebê-lo.

Um dos destaques de Scanners é a maneira como Cronenberg conduz os embates telepáticos e telecineticos entre os dotados do dom, que no filme são conhecidos como Scanners. Em uma das melhores seqüências vemos o protagonista representado por Stephen Lack invadir um computador com sua mente através de um telefone, isso em uma era aonde a internet era coisa desconhecida, mostrando o quanto visionário Cronenberg era. Claro que o filme tem uma falha aqui e acolá, mas tudo chega a passar despercebido em meio a como a trama vai se desenvolvendo. O clima de suspense em meio à conspiração que vai se revelando trás a obra um bem vindo requinte de espionagem.

Scanners – Sua Mente Pode Destruir pode não ser o melhor Cronenberg, mas figura de maneira destacada em sua filmografia como uma realização de ampla criatividade com parcos recursos. A cena em que o personagem de Michael Ironside explode a cabeça de um sujeito com a mente é extremamente marcante, tensa e agonizante ou mesmo a seqüência final em que os dois Scanners mais poderosos, representados por Lack e Ironside, se enfrentam, por si só já valeria a conferida. Um filme que de uma maneira ou de outra parece ter ajudado a definir o estilo desse grande cineasta.
 
 

Hermie ( Gary Grimes ) é um garoto que está passando o verão de 1942 com a família em um bucólica ilha do litoral americano. Hermie compa...


Hermie (Gary Grimes) é um garoto que está passando o verão de 1942 com a família em um bucólica ilha do litoral americano. Hermie compartilha a amizade e a curiosidade pelo sexo oposto com outros dois amigos: Oscy (Jerry Houser) e Benjie (Oliver Conant). Eles vagam pela ilha, ora indo ao cinema, ora andando pela praia, espionando as meninas ou lendo livros sobre iniciação sexual.
Hermie guarda um sentimento especial por Dorothy (Jennifer O´Neill), uma mulher que tem o marido que foi lutar a segunda guerra e mora sozinha na ilha. Um dia, Hermie ajuda Dorothy com as compras no mercado e logo fazem amizade. Então, o garoto começa a freqüentar a casa da moça e o seu sentimento por ela vai aumentado, e aparentemente ela vai desenvolvendo um carinho pelo rapaz, mas tudo muda com um acontecimento inesperado na vida de Dorothy.
Verão de 42 foi o filme ganhador do Oscar de melhor trilha sonora original de 1972, e tem uma das canções instrumentais mais famosas de todos os tempos, tocada em muitos debutes. Porém, a obra do diretor Robert Mulligan não se resume a isso, na verdade é um filme que trata com delicadeza temas como: perda da inocência, iniciação sexual, morte e amadurecimento. O diretor consegue mesclar com competência todos esses assuntos e ainda emocionar o expectador.
Apesar de uma obra com enfoque dramático, o filme tem diversos momentos engraçados, principalmente os protagonizados pela trinca de amigos. Divertida demais as seqüências deles fazendo uma lista com o que devem fazer na hora do sexo ou quando Hermie vai a uma farmácia comprar um preservativo ou quando Oscy consegue perder a virgindade com uma menina da ilha. Uma das coisas que também me impressionaram foi a falta de informação sobre sexo que os adolescentes tinham naquela época, ao ponto de terem que obter dados sobre o assunto em um livro de medicina. Com certeza, os jovens eram muito mais ingênuos, mas esse é um charme todo especial dessa realização.
Na parte mais romântica e melancólica, o destaque é para a atuação da belíssima Jennifer O´Neill, que participou de outros filmes famosos como Scanners de David Cronenberg e Rio Lobo de 1970 com John Wayne. Jennifer faz a típica dona de casa americana, doce e simpática, que tem o marido que vai para o front na Europa. Os momentos dela com Hermie são inocentes, sutis e também belos e até certo ponto sensuais, mas sempre envolvendo uma aura romântica, apesar de o desfecho ser resolvido por um fato doloroso.
Verão de 42 foi uma obra que me agradou muito, conhecia o filme e o desprezava, talvez por guardar alguma semelhança com o anterior A Primeira Noite de um Homem de Mike Nichols, porém são produções totalmente distintas. Muitos me indicaram, mas demorei anos para assistir. Nada como ter uma grata surpresa de algo sem nenhuma expectativa. Nota 10.