Primeiro filme a ganhar realmente destaque na filmografia do canadense David Cronenberg, Scanners – Sua Mente Pode Destruir é uma obra de ficção cientifica que flerta com um tipo de cinema B, com tendência gore e que viria a confirmar a predileção de Cronenberg a temas estranhos em sua carreira. Essa realização não tem a profundidade de outras obras suas como Gêmeos, Mórbida Semelhança ou A Hora da Zona Morte, mas a historia de conspiração com humanos que tem poderes telepáticos se mostra como um filme bem realizado dentro dos limites que o próprio teve para concebê-lo.
Um dos destaques de Scanners é a maneira como Cronenberg conduz os embates telepáticos e telecineticos entre os dotados do dom, que no filme são conhecidos como Scanners. Em uma das melhores seqüências vemos o protagonista representado por Stephen Lack invadir um computador com sua mente através de um telefone, isso em uma era aonde a internet era coisa desconhecida, mostrando o quanto visionário Cronenberg era. Claro que o filme tem uma falha aqui e acolá, mas tudo chega a passar despercebido em meio a como a trama vai se desenvolvendo. O clima de suspense em meio à conspiração que vai se revelando trás a obra um bem vindo requinte de espionagem.
Scanners – Sua Mente Pode Destruir pode não ser o melhor Cronenberg, mas figura de maneira destacada em sua filmografia como uma realização de ampla criatividade com parcos recursos. A cena em que o personagem de Michael Ironside explode a cabeça de um sujeito com a mente é extremamente marcante, tensa e agonizante ou mesmo a seqüência final em que os dois Scanners mais poderosos, representados por Lack e Ironside, se enfrentam, por si só já valeria a conferida. Um filme que de uma maneira ou de outra parece ter ajudado a definir o estilo desse grande cineasta.



Follow Us
Were this world an endless plain, and by sailing eastward we could for ever reach new distances