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Dono de uma extensa filmografia, com cerca de 60 filmes no currículo, o diretor português Manoel de Oliveira mesmo no alto de seus 103 a...


Dono de uma extensa filmografia, com cerca de 60 filmes no currículo, o diretor português Manoel de Oliveira mesmo no alto de seus 103 anos parece ainda fazer cinema com amor, visível nessa sua ultima obra adaptada de um conto do escritor Eça de Queiroz intitulada Singularidades de uma Rapariga Loura. Existe um lirismo presente, com cenas esmeradas em detalhes. Evidente que Oliveira concebe um filme menor dentro da sua própria carreira, que detêm algumas preciosidades como Um Filme Falado de 2003, mas mesmo sendo minimalista, ainda assim é envolvente e delicioso em sua apreciação rápida de pouco mais de uma hora.

A historia parte de um ponto de vista de um romance a primeira vista contado pelo jovem Macário (Ricardo Trepa), um empregado administrativo de uma loja de departamentos, e a bela Luísa (Catarina Wallenstein), uma jovem que passa boa parte de seu tempo a se abanar com um formoso leque chinês na janela de sua casa, que vem a dar direto na sala de Macário e por onde os dois se apaixonam, mesmo que sem trocar uma única palavra. A partir do momento em que se encontram, Macário promete casamento à moça e como seu tio e patrão é contra a união, dificulta a parte financeira do rapaz que precisa se virar para conseguir dinheiro para a cerimônia e os preparativos.

Singularidades de uma Rapariga Loura ainda é um filme que o humor surge de maneira sarcástica, mas mesmo assim polida. Alias, é um filme francamente educado na representação de seus personagens, até mesmo nos momentos conturbados, rendendo um anacronismo para como eram delineadas as relações antigamente, principalmente na Portugal do lendário Oliveira