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Demorei quase um ano para conferir Feliz Natal , o primeiro filme de Selton Mello na direção. Não porque tenha deixado de lado, até tent...


Demorei quase um ano para conferir Feliz Natal, o primeiro filme de Selton Mello na direção. Não porque tenha deixado de lado, até tentei assistir duas vezes, mas o inicio insuportavelmente lento sempre me fazia pegar no sono. A motivação extra para assisti-lo veio logo após a sessão do novo filme desse iminente diretor, O Palhaço, para assim tentar traçar alguns comparativos. Na verdade, os dois filmes têm pouco em comum, alguns enquadramentos parecidos, mas o tom de melancolia e tristeza é muito mais forte aqui, trazendo uma ausência de redenção para os personagens.

A trama se desenrola nos festejos de natal da família de Caio (Leonardo Medeiros), um sujeito que vive afastado da família cuidando de seu ferro-velho e na noite de natal resolve fazer uma visita a seus familiares e antigos amigos. A chegada dele durante a ceia natalina desperta as reminiscências entocadas naquela desestruturada família, que tem no patriarca (Lúcio Mauro inspirado) um sujeito despreocupado com seus entes, que suga financeiramente um dos filhos, enquanto se satisfaz sexualmente com uma mulher bem mais jovem e a matriarca (Darlene Gloria também inspiradíssima) uma senhora com sérios problemas psicológicos, que mistura barbituricos com bebidas alcoólicas, trazendo desconforto aos familiares com seu estado. Claro que todo aquele comportamento reprovável respiga nos filhos, que não sabem lidar tanto com um quanto com outro e ainda parecem perdidos nas próprias convicções.

Feliz Natal é um filme seriamente triste, com fortes tendências depressivas, mas que infelizmente pode ser o cotidiano de uma família e a ambientação dele na época natalina soa totalmente crível, até porque nesses dias é quando as pessoas têm tempo disponível e acabam encarando a vida que levam de verdade. Sendo assim, é normal que muitos sintam esses sentimentos em uma época que deveria ser festiva. O olhar de Selton Mello é pessimista assim mesmo, não elucida beleza da tristeza, mas mesmo assim ele consegue extrair candura e ternura em alguns momentos. Pode não ter a beleza estética da sua mais recente obra, mas dialoga com mais propriedade sobre o assunto apresentado.