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Anti-Heróis é um filme esquisito, isso é fato, não se define entre drama, ação ou policial, não que isso seja ruim, mas da maneira como ...


Anti-Heróis é um filme esquisito, isso é fato, não se define entre drama, ação ou policial, não que isso seja ruim, mas da maneira como é delineado isso pode acabar fazendo o expectador não se identificar com o filme. Seu protagonista Channing Tatum também não ajuda a fazer o filme engrenar, que até tem certo potencial (as seqüências iniciais são promissoras) e trás Katie Holmes como uma coadjuvante para lá de apagada, apesar de achar Holmes uma atriz de única expressão ela aparece aqui um tanto preguiçosa, assim como Tatum, Al Pacino e até mesmo Juliette Binoche.

Estranho que a obra do diretor Dito Montiel, que dirigiu e escreveu Santos e Demônios e Veia de Lutador, apresenta uma outra vertente muito boa, porque o filme é passado em duas épocas diferentes, uma na década de 80 e outra atual. A trama dos anos 80, que apresenta o personagem de Tatum ainda criança é muito bem desenvolvida, com emoção na medida e dotada de certa crueza que acaba realmente impressionando.  Pena que essa parte da historia não tem muitos minutos em cena e é até compreensível, porque o filme tem seus atores famosos para apresentar, mas que inevitavelmente acabam sendo amplamente apagados pelo elenco mirim que trás o pouco de alma que o filme se propõe a ter, diria que apenas Ray Liotta esta realmente bem como um chefe de policia de índole duvidosa.

Na trama, Milk (Channing Tatum) é um policial que vê seu passado obscuro vir assombrá-lo quando começa a receber cartas dizendo que vão revelar os culpados de um crime em que se envolveu ainda criança. No quesito visual, o diretor Dito Montiel concebe até uma atmosfera interessante, marginal e underground, com cenas passadas em guetos, remetendo a Dia de Treinamento e Atraídos pelo Crime. Anti-heróis têm seus atrativos, mas não chega a ser tão bom quanto os citados. Pena é ver um ator como Al Pacino sendo relegado a coadjuvantes em filmes em que deveria ser o astro, o ator já habitou melhor no imaginário cinéfilo.


Baseado no aclamado romance literário de Milan Kundera, A Insustentável Leveza do Ser é realmente um filme notável. O diretor Philip Kaufm...

Baseado no aclamado romance literário de Milan Kundera, A Insustentável Leveza do Ser é realmente um filme notável. O diretor Philip Kaufman constrói sua obra, apoiada em atuações inspiradas de Daniel Day Lewis, Juliette Binoche e Lena Olin. A trama narra os envolvimentos amorosos e sexuais da trinca de protagonistas e tem como pano de fundo a invasão Russa à antiga Checoslovaquia. Apesar do intuito de amostrar um dos momentos mais turbulentos da Europa Central, a realização com certeza se destaca pelo tratamento libertário dado a texto, exaltando a sensualidade e o sexo como forma libertadora e transgressora.

A Insustentável Leveza do Ser exala sensualidade, com cenas que são tesão puro, acho eu que, Lena Olin e Juliette Binoche nunca estiveram tão lindas e voluptuosas como nessa produção. Difícil não se excitar assistindo cenas como a que as duas atrizes tiram fotos nuas uma da outra, principalmente quando a desgarrada Sabina (Lena Olin) pula nas costas da tímida Tereza (Juliette Binoche) e arranca lhe a lingerie, deixando sua bela bunda a mostra, em um momento extremamente belo e contextualizado. Os melhores momentos do longa são os passados dentro de quatro paredes. O filme pode ser caracterizado em três atos, distintos entre si, mas que amostram o sexo de maneira diferente na vida dos personagens. No primeiro, a trama apresenta o medico Tomas (Daniel Day Lewis) como um conquistador inveterado, preocupado apenas em se satisfazer sexualmente e que tem em Sabina sua principal parceira; no segundo, Tomas conhece Tereza, se casam, fogem para Genebra durante a invasão Russa ao seu país, mas Tomas não deixa de ter suas aventuras sexuais fora do casamento, ainda com Sabina; no terceiro, Tereza abandona Tomas e volta para o país, ainda dominado pelos russos, nesse momento Tomas percebe que a vida não é somente sexo e volta para a Checoslovaquia atrás da esposa, mesmo que para isso ele tenha que viver como um operário, abandonando seu oficio, já que não é bem visto pelas autoridades locais, devido a textos anticomunistas escritos anteriormente a invasão Russa.

Nesse terceiro ato, é que temos as cenas mais melancólicas do longa, aonde mostram Tomas sofrendo e amadurecendo, mas que em determinado momento tem um encontro sexual com uma moça que o reconhece da sua antiga vida, a cena funciona como um alivio para o personagem, como se a luxuria passada aparecesse para lhe dar um tapa na cara, uma cena altamente fetichista, que eleva a tensão do expectador. Claro que Tereza descobre a traição do marido e resolve dar o troco, fazendo sexo casual com um desconhecido, interessante como ela resiste inicialmente, mas depois relaxa, se entrega e chega ao orgasmo. Nesse momento é quando ela entende literalmente Tomas e a sua diferenciação entre amor e sexo, que até então parecia absurda para ela, que em certo momento diz que não suporta a leveza do amado, que era insustentável essa leveza do seu ser. A Insustentável Leveza do Ser é um filme com tantas nuances, que fica ate difícil citar todas, merece varias revisões para a apreciação em sua plenitude. Os atores estão tão perfeitos, que é difícil não se apaixonar por eles. O filme pode ter alguns tropeços, excessos de clichês talvez, mas tudo passa batido perante aos sentimentos que transpõe, principalmente o prazer como forma transformadora.

Cópia Fiel é um bonito filme que acompanha um passeio na tarde da cidade de Toscana, na Itália, de Elle ( Juliette Binoche ), uma curadora...


Cópia Fiel é um bonito filme que acompanha um passeio na tarde da cidade de Toscana, na Itália, de Elle (Juliette Binoche), uma curadora de arte e James Miller (William Shimell), um escritor que realizou um livro sobre peças de arte e a importancia de suas cópias originais.
A obra do diretor iraniano Abbas Kiarostami tem um ritmo lento, que pode incomodar, mas que nos envolve  em uma aura de romance, talvez pelas paisagens da belissima Toscana e pela tocante atuação de Juliette Binoche. Em alguns momentos privilegia as expressões faciais da dupla de protagonistas, com closes bem perto dos seus rostos e usando a camêra para fazer um interessante jogo entre os personagens e o expectador. Alguns closes são longos e parecem até obras de arte, talvez a intenção fosse essa mesmo, nos fazer apreciar as cenas como se fossem quadros.
A história me lembrou bastante Antes do Pôr do Sol de Richard Linklater, com aquela situação do casal que só tem uma tarde para passarem juntos, mas Cópia Fiel tem sua originalidade, principalmente quando eles começam a fingir que são casados, fazendo o filme ganhar bastante força. A cena do restaurante é a minha preferida, aonde eles emulam uma discussão de um casal casado a 15 anos e no dia do aniversário de casamento o marido esquece da data, mostrando como o tempo, trabalho e filhos podem desgastar um relacionamento. Nota 08.