Obra-Prima esse Suspiria, o refinamento do refinamento no cinema de Dario Argento, é o típico: o que era bom ficou melhor. Feito dois anos após o também maravilhoso Prelúdio para Matar, Suspiria parece transcender o próprio gênero chamado Giallo, que o próprio Argento ajudou a definir. Uma das características mais visível do Giallo esta lá, com o assassino que só é revelado no final, mesmo que aqui ele não apareça de luvas, mas suas mãos são tão peludas que poderiam ser consideradas luvas de veludo.
Calcado em um tom mais sobrenatural, Argento cria tensão e clima de suspense desde o primeiro minuto de exibição, quando Suzy Bannion (Jéssica Harper), bailarina americana que vai estudar na Alemanha do filme, pega um táxi no aeroporto em meio a uma tempestade. Acompanhamos o carro atravessar a cidade e uma tenebrosa floresta antes de chegar a Escola de Dança pretendida. Nesses breves 15 minutos iniciais, o expectador já fica na espera de algo acontecer e Argento não se furta em fazer acontecer, nos brindando com talvez a melhor seqüência do filme, minuciosamente tramada e culminando num assassinato duplo que provavelmente deve ser um dos mais belos de sua filmografia.
Suspiria é uma obra que tive a oportunidade de conferir em alta definição, assim como Um Corpo que Cai de Hitchcock foi um dos filmes que mais me impressionou assistidos nesse formato. Com seus tons extremamente vermelhos, escuridões clareadas por trovões, a fotografia salta aos olhos e o filme de Argento parece vivo, com quadros que espiam as alunas ou papel de paredes que parecem criar espirais, causando até momentos de sensação de vertigem. O diretor parece se preocupar com os mínimos detalhes da cena, como um isqueiro que também é relógio ou uma faca perfeita para reluzir a luz no rosto da protagonista, iniciando uma seqüência que parece ter sido copiada descaradamente por Aronofsky para o seu Cisne Negro.
Assistir Suspiria é se envolver em uma anti-fábula, regida por um diretor que cria momentos mágicos, mesmo que sejam tensos, macabros e sangrentos. Uma rendição a Dario Argento e o seu esmero audiovisual para conceber narrativa. Dos assistidos de Dario Argento, devo dizer que Suspiria desbancou Prelúdio para Matar. Um filme que me fez perceber que sou fã de mais um diretor italiano, tão talentoso quanto seus compatriotas considerados mais artísticos.




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