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Com as salas infestadas (só falta alguém te pegar pelo braço na rua e colocar dentro de um cinema) com o novo exemplar da Saga Crepúsculo...


Com as salas infestadas (só falta alguém te pegar pelo braço na rua e colocar dentro de um cinema) com o novo exemplar da Saga Crepúsculo, intitulado Amanhecer Parte 1, fica quase impossível não assisti-lo, e para falar a verdade, mesmo sem a pressão, tinha a intenção de assistir o filme, porque essa primeira parte do desfecho da “saga” mais insensata do cinema tem a direção de Bill Condon, um diretor que apesar de poucos trabalhos, tenho admiração por obras suas como o maravilhoso Deuses e Monstros e o bom Kinsey, Vamos Falar de Sexo?

A Saga Crepúsculo carrega um estigma ruim, isso é verdade, para a mesma quantidade de fãs e admiradores, existe um numero equivalente de detratores e zombeteiros. Harry Potter passou pelo mesmo problema no seu inicio de carreira cinematográfica, o primeiro filme foi acusado de ser infantil e lento demais, com atuações terríveis da trinca de protagonistas e outras reclamações, mas durante sua existência no telão, a serie HP mostrou desenvolvimento, ora nos roteiros ora nas atuações, houve uma evolução a olhos vistos, o que acabou calando a boca de um bocado de críticos. Bom, já de Crepúsculo não podemos dizer o mesmo e esse talvez seja o maior problema da franquia, não há um desenvolvimento real dos personagens, parece que você esta sempre no mesmo filme, na verdade, com o passar do tempo, é bem provável que um filme se confunda com o outro.

Essa falta de identidade para as produções, aliada a atuações que pouco convencem e a intenção de se levar muito a serio, fazem com que a Saga Crepúsculo caia no desdém para um bocado do público, existe pouca identificação para um expectador mais adulto e no final, fica tudo parecendo um tanto juvenil, o que acaba não sendo estranho, porque um bocado dos amantes da saga vem dessa faixa. Agora, analisando separadamente como realização cinematográfica, Amanhecer Parte 1 é ruim, mas não é péssimo, talvez seja o “melhor” dos realizados, mas carece de agilidade e fluência, porque em boa parte ele soa repetitivo, com varias cenas de juras de amor ao vento e outras tantas sobre a gravidez de Bella, a pouca historia e o filme se resume a isso, o casamento (com cenas bonitas por sinal), a parca lua de mel, com cenas de sexo pífias e a gravidez que culmina em uma interessante seqüência do nascimento do improvável rebento concebido entre a moça e o vampiro Edward.

Como sucesso comercial, Amanhecer Parte 1 parece que vem se saindo bem, mas o tempo vai dizer se foi acertada ou não para a narrativa a divisão do desfecho em duas partes, ficou a impressão que se tudo tivesse se resolvido em um filme, poderia ter sido cometido uma obra que poderia ser chamada de boa, mas como ficou, Amanhecer Parte 1 parece uma tremenda enrolação para faturar em cima do expectador.


Bill Condon é um diretor que provavelmente será muito comentado e talvez lembrado por muito tempo, pois esta envolvido com a direção das de...

Bill Condon é um diretor que provavelmente será muito comentado e talvez lembrado por muito tempo, pois esta envolvido com a direção das derradeiras partes da Saga Crepúsculo, que são acompanhadas por um bom público, mas muito antes de ser escalado como diretor de aluguel para dar credibilidade à conclusão da historinha dos monstros juvenis, ele dirigiu e roteirizou um filme que chega bem perto de uma obra-prima. Essa realização é Deuses e Monstros que conta a parte senil da vida de James Whale, diretor inglês que se notabilizou por fazer filmes antológicos como Frankenstein e A Noiva de Frankenstein.

Condon acerta ao fugir de um estilo de cinebiografia tradicional e retrata o cineasta em uma fase bem frágil, quase débil, mostrando o lado do ser humano do personagem em detrimento ao que poderia ser visto da sua porção genial. Certamente, Condon apresenta uma condução especial da historia, principalmente quando mescla a ficção dos filmes de Frankenstein com a vida real do personagem, com o que ele esta vivendo naquele momento. A direção acertada de Condon é notável, mas quem trás toda a magia necessária ao filme é Ian McKellen (em sua melhor atuação de todos os tempos), o seu James Whale é apresentado como um gay assumido, que teve seu auge com festas regadas a sexo, mas que rompeu com o cinema por não querer trabalhar como a indústria impunha, o que acabou ocasionado seu esquecimento e reclusão, sendo ainda visto como um excêntrico.

O tipo de perfil de Whale apresentado poderia afastar o expectador, mas a entrada de Clayton Boone (Brendan Fraser), o jardineiro com quem Whale faz amizade e parece sentir certa atração, faz uma interessante relação entre fã e ídolo, porque mesmo assustado com o ímpeto daquele senhor de condutas impróprias para a época, Boone se senti atraído pela força do personagem criado por Whale e pela própria vida passada do diretor. Então desabrocha uma improvável amizade entre a dupla, já que Whale propõe ao jardineiro pintar o seu retrato e são nesses momentos íntimos entre pintor e modelo que surgem as melhores cenas do filme, com diálogos mordazes que muitas vezes nascem como embates para depois amostrarem quantas reminiscências os dois possuem. Whale assombrado por seus fantasmas, principalmente os das memórias da guerra que participou como oficial e Boone, frustrado e aborrecido por não poder ter honrado o pai e assim vai se formando aquele distópico laço entre eles.

O título de Deuses e Monstros faz alusão direta a como os diretores de cinema eram tratados nas décadas de 30, 40 e 50 nos EUA, como verdadeiros Deuses, dignos de viverem um patamar acima dos simples mortais. Na cena da festa que o diretor George Cukor dá em sua imponente residência isso fica bem explicito, Cukor (em evidência na época), no filme é apresentado como um gay enrustido e esnobe, estagnado em um local especifico como um trono, ao lado de sua suposta namorada, uma princesa inglesa, esperando que todos os convidados venham reverenciá-los. Alias nessa festa, vemos na mesma seqüência Liz Taylor chegar, enquanto um fotografo intervém para que uma foto seja tirada entre James Whale, Boris Karloff e Elsa Lanchester, isso com a maior naturalidade, quase como se estivéssemos vivendo aquele momento. O epílogo é tão bonito quanto trágico e deixa aquela impressão de que o cinema nasceu para criar magia, mesmo que seja nas formas grotescas de um monstro.