Após 40 anos preso, o coveiro Josefel Zanatas ou Zé do Caixão (José Mojica Marins) é libertado e tem sede de sangue e sexo. Ao lado do seu fiel servo Bruno (Rui Resende) procura por uma mulher que possa gerar seu filho perfeito, a continuidade do seu sangue, como o próprio diz.
No meio dessa jornada, Zé do Caixão vai espalhar muito sangue, arrancar tripas, escalpos, visitar o purgatório e desafiar crendices populares. Além de ter que enfrentar antigos inimigos como o coronel Miro (Jece Valadão) e seu irmão o Capitão Pontes (Adriano Stuart) e novos inimigos como o Padre Eugenio (Milhem Cortaz), filho de um medico que foi vitima do temido coveiro.
Encarnação do Demônio é a volta de José Mojica Marins e suas indefectíveis unhas ao cinema, e olha que o estranho senhor retorna muito bem. Mojica cria uma obra que envolve todo o folclore criado entorno de sua pessoa, explorando o estranho ao extremo, além de criar um filme super ousado para os padrões do cinema nacional.
Antes do inicio do filme, aparece uma legenda dizendo que a obra foi bancada por uma lei de incentivo a filmes de baixo orçamento, sinceramente, nem parece um filme B. A realização é repleta de bons efeitos, alguns bem realistas. A aparição dos fantasmas do passado que voltam para atormentar o coveiro são de gelar a espinha, com destaque para a cena em que uma das mulheres mortas por Zé aparece dilacerada e com varias aranhas enormes saindo do seu ventre.
Um dos outros acertos é a historia ser ambientada em uma favela paulista, com seus terreiros de candomblé e personagens bizarros como as bruxas gêmeas cegas, o lugar certo para criar o clima underground necessário para a trama se desenvolver.
A produção tem boas seqüências, como a da abertura, quando vão soltar Zé do Caixão ou os flashbacks de filmes anteriores como A Meia Noite Levarei sua Alma e Esta Noite encarnarei no teu Cadáver, que inserem as antigas noivas mortas pelo coveiro. Ainda é um filme repleto de frases de efeitos proferidas pelo coveiro e por suas novas noivas, aliás, uma das minhas noivas preferidas é Helena (Nara Sakare), linda e sensual, que protagoniza uma cena de sexo com Zé repleta de sangue. Uma das ressalvas é a obra dar muita importância as cenas gores, que em certo momento cansa um pouco e que acaba deixando um pouco a trama de lado.
Encarnação do Demônio é uma realização que não deixa nada há dever a muitos filmes de terror americanos mais recentes, com direito a uma luta de facas no epílogo. Explora bem as crendices populares brasileiras, ousando com diversas cenas de nu frontal e sexo e utilizando ótimos atores esquecidos como Jece Valadão e Adriano Stuart. Nota 07.

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