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Fato que Capitães da Areia têm problemas, como a narrativa que não chega a lugar algum, mas também é inegável que o filme tem seus momentos...

Fato que Capitães da Areia têm problemas, como a narrativa que não chega a lugar algum, mas também é inegável que o filme tem seus momentos, principalmente pela trupe de crianças e pré-adolescentes que compõe o grupo de meninos de rua do titulo. Eles são a alma do filme da estreante Cecília Amado, neta do escritor Jorge Amado, autor do texto do qual o filme se baseia. O elenco carrega o filme nos ombros, que carece de uma historia mais estruturada e acaba apelando para o açúcar em excesso, tornando a realização do meio para o final enfadonha, talvez a trilha sonora de Carlinhos Brown ajude a criar esse clima, porque assim como o filme, as canções oscilam entre razoáveis e ruins.

O laboratório feito com o elenco amador é notável, conseguindo arrancar atuações tão boas até quanto o limite deles pode, fazendo o expectador inicialmente se divertir bastante com a irreverência dos meninos, que carregam em frases de efeito para nos aproximar ainda mais do filme, mas passado o deslumbre inicial com o talento emergente de alguns, como Jean Luis Amorim que faz o líder Pedro Bala ou o deficiente físico Israel Gouvea que faz o polêmico Sem Pernas, o filme parece que não sai do lugar, podendo soar até como uma alegoria publicitária, como vem sendo acusado por boa parte da critica especializada.

Não li a obra literária de Jorge Amado, que é considerada por muitos como uma obra-prima, mas a intenção da diretora Cecília Amado deve ter sido de trazer um recorte do texto, até porque o livro é um calhamaço e deve ter um universo mais complexo. Então o que vemos são varias cenas costuradas, como o grupo batendo carteiras ou assaltando casas ou se desentendo, essas brigas internas acabam rendendo uma ótima cena de briga em uma estação de trem que para mim é uma clara referencia a O Selvagem da Motocicleta, mas como não li ninguém comentando sobre isso, talvez tenha sido impressão minha mesmo.

Houve algumas adaptações encima do texto original para que o filme soasse mais jovial, como a transposição dos anos 20 para os anos 50, podendo fazer Capitães da Areia parecer um filme de época, mas se houve essa intenção também foi por água abaixo, porque esse viés é pouco explorado. Apesar de parecer um filme torto, é bem provável que a real intenção da diretora fosse de fazer uma obra sobre ritos de passagem, até por ter interrompido as filmagens em quase dois anos para que o elenco crescesse fisicamente, mas o resultado não é tão marcante nesse intento e acaba valendo alguma coisa pela diversão proposta pelos meninos.