Baseado no aclamado romance literário de Milan Kundera, A Insustentável Leveza do Ser é realmente um filme notável. O diretor Philip Kaufman constrói sua obra, apoiada em atuações inspiradas de Daniel Day Lewis, Juliette Binoche e Lena Olin. A trama narra os envolvimentos amorosos e sexuais da trinca de protagonistas e tem como pano de fundo a invasão Russa à antiga Checoslovaquia. Apesar do intuito de amostrar um dos momentos mais turbulentos da Europa Central, a realização com certeza se destaca pelo tratamento libertário dado a texto, exaltando a sensualidade e o sexo como forma libertadora e transgressora.
A Insustentável Leveza do Ser exala sensualidade, com cenas que são tesão puro, acho eu que, Lena Olin e Juliette Binoche nunca estiveram tão lindas e voluptuosas como nessa produção. Difícil não se excitar assistindo cenas como a que as duas atrizes tiram fotos nuas uma da outra, principalmente quando a desgarrada Sabina (Lena Olin) pula nas costas da tímida Tereza (Juliette Binoche) e arranca lhe a lingerie, deixando sua bela bunda a mostra, em um momento extremamente belo e contextualizado. Os melhores momentos do longa são os passados dentro de quatro paredes. O filme pode ser caracterizado em três atos, distintos entre si, mas que amostram o sexo de maneira diferente na vida dos personagens. No primeiro, a trama apresenta o medico Tomas (Daniel Day Lewis) como um conquistador inveterado, preocupado apenas em se satisfazer sexualmente e que tem em Sabina sua principal parceira; no segundo, Tomas conhece Tereza, se casam, fogem para Genebra durante a invasão Russa ao seu país, mas Tomas não deixa de ter suas aventuras sexuais fora do casamento, ainda com Sabina; no terceiro, Tereza abandona Tomas e volta para o país, ainda dominado pelos russos, nesse momento Tomas percebe que a vida não é somente sexo e volta para a Checoslovaquia atrás da esposa, mesmo que para isso ele tenha que viver como um operário, abandonando seu oficio, já que não é bem visto pelas autoridades locais, devido a textos anticomunistas escritos anteriormente a invasão Russa.
Nesse terceiro ato, é que temos as cenas mais melancólicas do longa, aonde mostram Tomas sofrendo e amadurecendo, mas que em determinado momento tem um encontro sexual com uma moça que o reconhece da sua antiga vida, a cena funciona como um alivio para o personagem, como se a luxuria passada aparecesse para lhe dar um tapa na cara, uma cena altamente fetichista, que eleva a tensão do expectador. Claro que Tereza descobre a traição do marido e resolve dar o troco, fazendo sexo casual com um desconhecido, interessante como ela resiste inicialmente, mas depois relaxa, se entrega e chega ao orgasmo. Nesse momento é quando ela entende literalmente Tomas e a sua diferenciação entre amor e sexo, que até então parecia absurda para ela, que em certo momento diz que não suporta a leveza do amado, que era insustentável essa leveza do seu ser. A Insustentável Leveza do Ser é um filme com tantas nuances, que fica ate difícil citar todas, merece varias revisões para a apreciação em sua plenitude. Os atores estão tão perfeitos, que é difícil não se apaixonar por eles. O filme pode ter alguns tropeços, excessos de clichês talvez, mas tudo passa batido perante aos sentimentos que transpõe, principalmente o prazer como forma transformadora.


Follow Us
Were this world an endless plain, and by sailing eastward we could for ever reach new distances