Assim que começa a projeção de O Palhaço tenho a melhor surpresa do filme, o primeiro rosto a aparecer é de uma velha conhecida, quase amiga, a atriz Michelle Martins. Sei que ela tem feito sucesso na novela global Fina Estampa com a personagem Deusa, mas sinceramente fiquei muito feliz dela aparecer nesse simpático trabalho do diretor/ator Selton Mello. Sempre focada em trabalhar em cinema, ela já tinha feito alguns trabalhos em clipes do Snoopy Dog e Black Eyed Peas, o papel dela no filme é pequeno, sem falas, mas pontua muito bem a jornada de redescobrimento do palhaço Pangaré (Selton Mello).
Passado a surpresa inicial de ver a linda Michelle na tela grande, O Palhaço era um filme que esperava muito, foram diversos textos exaltando a segunda realização de Selton Mello e alguns outros poucos apontando falhas. Talvez a minha expectativa tenha se elevado e achei um filme bonito, belo mesmo, com fotogramas perfeitos e trilha sonora envolvente. A sacada de usar figuras carismáticas e folclóricas como Zé Bonitinho, Ferrugem, Teuda Bara e ainda uma participação maravilhosa de Moacyr Franco faz o filme ficar divertido. O elenco do circo em sintonia, com destaque para Paulo José, que faz o palhaço Puro Sangue, pai de Pangaré é outro ponto positivo da obra, mas o resultado para mim ficou pouco emotivo. O minimalismo de algumas cenas não me cativou como deveria e inevitavelmente a ótica sobre o filme ficou distanciada, achando que em alguns momentos Selton Mello forçou um pouco a barra para emular Fellini.
Claro que Selton Mello apresenta qualidades boas em seu trabalho, principalmente com as seqüências de quando o prefeito de uma cidade convida todos os artistas do circo para almoçarem em sua casa ou o bem conduzido epílogo, em que a bela Michelle volta a aparecer, criando certa emoção e fazendo algum sentimento pelo filme crescer. Nessa segunda incursão na direção, Mello parece apresentar um viés bem intimo que chega perto da alcunha de autoral para o seu cinema, mas como autor tem o que desenvolver ainda e nós expectadores esperarmos por um bem vindo trabalho que possa realmente ser considerado algo parecido com uma obra-prima.


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