A produção inglesa baseada no aclamado livro Precisamos Falar Sobre o Kevin é um filme que foi bem recebido em festivais, como o de Cannes, a qual foi nomeado para a Palma de Ouro e também tem recebido muitas indicações para premiações como o Globo de Ouro e uma boa parte da critica e dos cinéfilos que o assistiram esperam que seja lembrado para o Oscar. São notórios os motivos pelo qual o filme tem sido louvado, pois mostrar uma relação familiar, com foco na mãe e no filho, de maneira tão crua e cruel é para poucos e a diretora escocesa Lynne Ramsay se sai bem no tratamento da tragédia que envolve esses conturbados e perturbados personagens.
A narração entrecortada por passagens em linhas temporais diferentes pode demorar um pouco a fazer o espectador se conectar com a obra, porque em certos momentos elas confundem, mas podem ter sido armadas desse jeito para gerar esse embaralhamento, até porque Ramsay vai liberando as revelações aos poucos, trazendo cenas que mostram o desfecho, para depois mostrar o que aconteceu. Como Precisamos Falar Sobre o Kevin é um filme recente e que deve estrear em circuito comercial no Brasil ainda em Janeiro de 2012, nem vale contar muito de sua trama que mostra o relacionamento deveras difícil entre Eva (Tilda Swinton), a mãe perdida em suas próprias convicções e no trato do filho Kevin (Ezra Miller na fase adolescente), um jovem que parece sofrer algum desvio de caráter ou somente seja carente de amor materno, mas que faz o jovem se tornar uma bomba ambulante, prestes a explodir a qualquer momento.
A opção por não delinear muito os aspectos de Kevin é interessante, mostrando apenas passagens soltas de sua infância e adolescência, porque cabe ao público decifrar o personagem, que ainda parecer guardar muitas semelhanças com a mãe, mesmo que ela não perceba ou faça vista grossa para a situação. A verdade é que o rapaz não se ajusta ao mundo como ele é, parecendo um tanto deslocado para qualquer ponto de vista e somente quando confronta ou afronta Eva é que podemos perceber o quanto ele sofre ou por um outro lado mesmo achar que o rapaz é apenas um sociopata em potencial. A mãe mesmo percebendo o quanto Kevin parece estranho, ainda assim tenta trata-lo como se nada acontecesse, como se tudo pudesse passar em um passe de mágica, mas sabemos que não é assim e ela também, mas é o filho dela e sabe-se que uma mãe mesmo sabendo o quanto seu filho pode ser repulsivo, no seu mais intimo ela nunca deixa de amá-lo. Precisamos Falar Sobre o Kevin é um filme que precisa ser visto e discutido, independente de premiações ou atuações, uma obra que dialoga muito bem sobre esse cotidiano introspectivo.


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