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Se tem um tipo de gênero que o cinema nacional costuma apresentar exemplares bons como certa regularidade é o documentário. Difícil uma prod...

Se tem um tipo de gênero que o cinema nacional costuma apresentar exemplares bons como certa regularidade é o documentário. Difícil uma produção ficcional  conseguir captar sentimentos como muitas vezes uma câmera ligada deixando alguém (por vezes desconhecido) falar consegue. Claro que muito depende do talento do diretor para editar e montar suas seqüências, o que não é pouco, já que DOCs dependem muito da mão de quem lhes concebe, porque em sua maioria os apresentados não são atores que podem improvisar salvando alguma cena. Então senão houver certa sensibilidade para confluir cenas e depoimentos podem-se acabar cometendo algo realmente enfadonho. O que não é o caso dos dois filmes em questão, que são realizados com competência por seus diretores:

 - Pretérito Perfeito (Gustavo Rizzi/2006)

Filme de estréia do diretor Gustavo Rizzi, que recentemente realizou o elogiado Riscado, Pretérito Perfeito é um dos mais divertidos DOCs que assisti ultimamente. O filme remonta a historia da Casa Rosa, um dos mais famosos prostíbulos do RJ até a década de 90. Com depoimentos de ex-frequentadores, em sua maioria senhores, sendo o mais famoso deles o cantor e compositor Lobão, que se abrem para a câmera e contam suas historias sobre perda de virgindade, farras e como a Casa Rosa teve certa importância nos anos 50,  quando muitos políticos e personalidades influentes usavam o local para reuniões e debates. Claro que tudo regado à boemia carioca bem característica daqueles anos. Outras historias surgem também da visão de uma prostituta senhora, que teve sua iniciação sexual na casa e trás relatos bem sinceros sobre a profissão, a qual ela chama de “batalha”. Um filme engraçado em alguns pontos e melancólico em outros, mas que vale muito ser conhecido;

 - Pro Dia Nascer Feliz (João Jardim/2006)

Pode se dizer que o diretor João Jardim é um especialista em DOCs, realizou o bom Janela da Alma e co-dirigiu o excelente Lixo Extraordinário, alem de alguns episódios de Por Toda minha Vida da rede Globo. Em Pro Dia Nascer Feliz o diretor trás um olhar intenso em cima do sistema educacional brasileiro, retratando escolas diferentes entre si, mas com aspectos semelhantes vistos através do depoimento dos estudantes e profissionais de escolas públicas bem carentes e colégios particulares de alto poder aquisitivo. Inevitável não se aproximar ou se emocionar com o cotidiano de alguns jovens, principalmente os nordestinos, que acordam as 4:00 da madrugada, percorrem quilômetros até chegarem à escola e muitas vezes não tem aula. A intenção de Jardim é trazer a experiência in loco mesmo e não fazer uma critica explicita ao ensino fundamental, apesar dela surgir muitas vezes pelos próprios comentários dos apresentados. Um filme muitas vezes cru, que trás historias em sua boa parte tristes e cruéis, mostrando muitas vezes como um adolescente pode ser incompreendido ou desprezado em suas aspirações. Pode parecer tendencioso em alguns momentos, mas não deixa de ser uma visão importante e válida.