Nova adaptação para o romance da escritora inglesa Charlotte Bröne, Jane Eyre é a quinta versão para esse aclamado texto dessa romancista. Antes de tudo, devo dizer que das realizações anteriores não assisti nenhuma, mas parece ser uma história que fascina desde os idos do cinema, porque até o lendário Orson Welles participou da produção de 1943. Mesmo na falta de um comparativo, não me furto a dizer que esse filme dirigido pelo novato diretor americano Cary Fukunaga é uma das boas coisas de 2011, mas talvez pela falta de divulgação ou saturação do mercado em relação a filmes de época tenham privado essa obra de uma sorte melhor no cinema, já que a abertura americana foi bem discreta e provavelmente deve pintar no Brasil apenas para home-video.
Logo no começo do filme, vemos Jane Eyre (Mia Wasikowska) ser encontrada quase morta por um Pastor (Jamie Bell), que instantaneamente recolhe a moça para cuidados e parece sentir uma atração por ela, mesmo que não explicitada, afinal ele é um homem de Deus, mas em certo momento não deixa de mostrar seu real interesse por Jane. Quando ela volta à realidade, suas lembranças vão surgindo mostrando os motivos que a levaram aquela situação traumática, desde sua infância órfã em um internato para meninas, que lhe talhou como uma pessoa taciturna que inibe seus sentimentos, mesmo parecendo com vontade de liberá-los furiosamente, mas o condicionamento violento pelo qual passou a comanda quase que de maneira involuntária; até o momento em que começa a trabalhar como preceptora de uma menina na casa de um nobre conhecido como Rochester (Michael Fassbender). Na casa do homem, Jane se descobre como mulher, que ainda é dotada de amor e que pode fazer alguém feliz e esse alguém é o seu patrão, que no começo despreza a moça, mas logo se mostra que é recíproco no amor em relação à Jane, mas um fato misterioso pode atrapalhar toda a felicidade do casal. Então, Jane se vê no impasse entre um casamento seguro ou uma relação instável com o amor de sua vida.
Um dos pontos mais competentes de Jane Eyre é trazer um retrato plausível da época em que se passa, aonde mesmo os personagens tendo riquezas, tudo parece um tanto decadente e não somos abstraídos pela luxúria ou libido de outras produções parecidas: aqui tudo parece meio frio e duro. Os protagonistas são cheios de reminiscências, o que rende bons e românticos diálogos e que inevitavelmente também surgem como duelos, se enquadrando muito bem na proposta do filme de ser belo e ao mesmo tempo melancólico. A criticada Wasikowska entrega uma Jane Eyre impressionante, com seus silêncios cortantes e olhares esclarecedores, afundada em pensamentos que nem ela mesma consegue entender. Fassbender também não fica atrás e em uma atuação imponente prova porque é um dos melhores atores em atividade. Não posso deixar de citar a fotografia que é outro destaque do longa, trazendo enquadramentos que lembram pinturas naturalistas e dão um charme todo especial a essa excelente obra que não merece ficar relegada ao esquecimento. Assistam porque vale muito a pena.
A diretora Lone Scherfig impressionou o público e a critica quando mostrou ao mundo o seu Educação de 2009, um drama muito bem conduzid...
A diretora Lone Scherfig impressionou o público e a critica quando mostrou ao mundo o seu Educação de 2009, um drama muito bem conduzido que também apresentou ao cinema a atriz Carey Mulligan, que se destacou tanto que chegou a ser comparada a Audrey Hepburn por alguns mais entusiasmados. Então era normal que se criasse certa expectativa em relação ao seu novo filme intitulado Um Dia, com o bom ator Jim Sturgess ea não menos talentosa Anne Hathaway. Não dá para dizer que o resultado é excelente, mas mesmo assim temos um bom filme no que se propõe: um romance que tenta fugir dos clichês, mesmo caindo em alguns que não chegam a atrapalhar e até funcionam em favor do filme.
Emma (Anne Hathaway) e Dexter (Jim Sturges) se conhecem em 15 de julho de 1988, dia de suas formaturase após um breve enlace atrativo, justificado pela decorrência da bebedeira, eles resolvem que serão somente amigos, apesar de ficar evidente a atração entre ambos. Então o filme foge de uma narrativa mais tradicional para trazer um retrato da relação de ambos ao longo de alguns bons anos, sempre mostrando o mesmo 15 de Julho. Vemos a evolução de suas vidas, que vão sendo marcadas por outras evoluções que marcaram o mundo, como o celular, internet, entre outras. Esse talvez seja o ponto fraco do filme, porque a opção de não acompanhar uma narrativa mais aproximada em relação aos protagonistas tornam algumas passagens superficiais, enquanto ficamos esperando por cenas literalmente emocionais entre o casal, que por fim acabam demorando a acontecer na historia.
Tirando alguns desacertos, como a opção narrativa que deve funcionar muito melhor no livro em que é baseado, o casal principal carrega boa química e Anne Hathaway apesar de parecer pouco à vontade com o papel de “inglesinha” (que muitos têm dito que cairia melhor em Mulligan) consegue trazer certa simpatia e entrega ao personagem ao ponto de acreditarmos no amor entre os dois. Sturges também tem seus momentos e seu personagem inevitavelmente é o que tem um arco dramático maior, porque ele realmente passa por mudanças e sofrimentos, culminando em uma das cenas mais bonitas do filme quando ele reencontra o ex-namorado de Emma e em uma conversa franca percebemos o quanto ele realmente ama aquela moça especial.
Água para Elefantes não é um filme péssimo, mas também não é ótimo. É um meio termo bem mediano, mas poderia ter sido melhor, até porque...
Água para Elefantes não é um filme péssimo, mas também não é ótimo. É um meio termo bem mediano, mas poderia ter sido melhor, até porque tem boa fluência e clichês bem utilizados. Dizer que muito do que descredita o filme é a má atuação do galã Robert Pattison seria até certa implicância com o limitado ator, mas realmente não é só isso, até porque muitas vezes filmes bons conseguem ter atuações ruins e em filmes ruins atuações boas. A oscarizada Reese Witherspoon contribui e muito com uma atuação pífia para conceber o clima morno da produção e alem disso a própria trama tem um desenvolvimento bem superficial, fazendo com que o expectador não consiga realmente se envolver com o romance apresentado, em certo momento tudo parece piegas demais. A historia mais ampla em si até é interessante, porque amostra a vida no circo, principalmente em uma época em que eles eram realmente grandes atrações.
Logo no inicio do filme vemos a história ser delineada por um senhor chamado Jacob (Hal Holbrook) que seria o personagem de Pattinson ancião. Abandonado em um circo, ele é resgatado por um jovem que administra o local e o interesse do rapaz por aquele amável senhor que parece ter vivido a época de ouro circense faz com que Jacob conte sua historia que vai tomando forma a partir de um flashback (Titanic?). De maneira clássica, começando pela morte de seus pais, até a entrada no circo, os conflitos com o proprietário interpretado por um Christopher Waltz no piloto automático e por fim o envolvimento com Marlena (Reese Whiterspoon) a estrela da companhia e esposa do patrão.
Engraçado que a pequena participação de Holbrook talvez seja uma das melhores coisas do filme, aliada a uma fotografia bonita e uma direção de arte competente que também devem ser citadas. A seqüência inicial com o velho Jacob até consegue climatizar para o desenvolver da historia, mas os sentimentos que são apresentados pelo casal acabam não justificando toda a emoção daquele senhor. Então logo se pode ver o filme com certo distanciamento, uma pena, porque talvez com atores mais talentosos ou comprometidos, Água para Elefantes poderia realmente ser um filme destacado nesse ano de 2011.
Com as salas infestadas (só falta alguém te pegar pelo braço na rua e colocar dentro de um cinema) com o novo exemplar da Saga Crepúsculo...
Com as salas infestadas (só falta alguém te pegar pelo braço na rua e colocar dentro de um cinema) com o novo exemplar da Saga Crepúsculo, intitulado Amanhecer Parte 1, fica quase impossível não assisti-lo, e para falar a verdade, mesmo sem a pressão, tinha a intenção de assistir o filme, porque essa primeira parte do desfecho da “saga” mais insensata do cinema tem a direção de Bill Condon, um diretor que apesar de poucos trabalhos, tenho admiração por obras suas como o maravilhoso Deuses e Monstros e o bom Kinsey, Vamos Falar de Sexo?
A Saga Crepúsculo carrega um estigma ruim, isso é verdade, para a mesma quantidade de fãs e admiradores, existe um numero equivalente de detratores e zombeteiros. Harry Potter passou pelo mesmo problema no seu inicio de carreira cinematográfica, o primeiro filme foi acusado de ser infantil e lento demais, com atuações terríveis da trinca de protagonistas e outras reclamações, mas durante sua existência no telão, a serie HP mostrou desenvolvimento, ora nos roteiros ora nas atuações, houve uma evolução a olhos vistos, o que acabou calando a boca de um bocado de críticos. Bom, já de Crepúsculo não podemos dizer o mesmo e esse talvez seja o maior problema da franquia, não há um desenvolvimento real dos personagens, parece que você esta sempre no mesmo filme, na verdade, com o passar do tempo, é bem provável que um filme se confunda com o outro.
Essa falta de identidade para as produções, aliada a atuações que pouco convencem e a intenção de se levar muito a serio, fazem com que a Saga Crepúsculo caia no desdém para um bocado do público, existe pouca identificação para um expectador mais adulto e no final, fica tudo parecendo um tanto juvenil, o que acaba não sendo estranho, porque um bocado dos amantes da saga vem dessa faixa. Agora, analisando separadamente como realização cinematográfica, Amanhecer Parte 1 é ruim, mas não é péssimo, talvez seja o “melhor” dos realizados, mas carece de agilidade e fluência, porque em boa parte ele soa repetitivo, com varias cenas de juras de amor ao vento e outras tantas sobre a gravidez de Bella, a pouca historia e o filme se resume a isso, o casamento (com cenas bonitas por sinal), a parca lua de mel, com cenas de sexo pífias e a gravidez que culmina em uma interessante seqüência do nascimento do improvável rebento concebido entre a moça e o vampiro Edward.
Como sucesso comercial, Amanhecer Parte 1 parece que vem se saindo bem, mas o tempo vai dizer se foi acertada ou não para a narrativa a divisão do desfecho em duas partes, ficou a impressão que se tudo tivesse se resolvido em um filme, poderia ter sido cometido uma obra que poderia ser chamada de boa, mas como ficou, Amanhecer Parte 1 parece uma tremenda enrolação para faturar em cima do expectador.
Pode-se até tentar, mas é difícil assistir todos os filmes no cinema e esse Larry Crowne , segunda incursão em longas do ator Tom Hanks n...
Pode-se até tentar, mas é difícil assistir todos os filmes no cinema e esse Larry Crowne, segunda incursão em longas do ator Tom Hanks na direção foi um dos que deixei para assistir em casa, até porque deve fazer pouca diferença, tirando o clima da sala escura é claro, e a beleza dessas cópias que rolam na rede em 720p ou 1080p fazem um cinema em casa bem especial.
Esse foi um filme que rendeu bastantes resenhas, foi bem visto, porque também tem o atrativo de Julia Roberts no elenco, mas a maioria dos textos criticava bastante a obra. Até entendo e compartilho de algumas idéias, mas sinceramente, não vejo Larry Crowne como um péssimo filme, tudo bem que o encantamento romântico entre Tom Hanks e Julia Roberts é quase nulo, trazendo mais ternura do que libido, e o subtítulo nacional têm a intenção de evidenciar um caso romântico, mas na verdade, mesmo que involuntariamente, faz uma alusão do próprio amor a vida que Larry volta a sentir com o redescobrimento de si mesmo, do que pode e ainda poderá fazer, mesmo sendo uma pessoa nem tão jovem assim. E tudo tem inicio quando é demitido de seu emprego de longa data, ainda com a justificativa de não ter feito universidade. Larry até poderia ser feliz com a vida que tinha, mas se não fosse à demissão, não viveria os bons momentos que viria a ter, continuaria na sua monotonia. Nesse ponto de vista, Tom Hanks faz uma obra bem otimista.
Como ator, Tom Hanks compõe muito bem esse tipo de personagem derrotista, mas que tem esperanças, aqui seja ingressando em curso comunitário para aprender sobre retórica e economia ou fazendo amizade com a jovem Talia (Gugu Mbatha-Raw ótima) que o leva para um grupo de motoqueiros. Alias, nesse ponto, o filme cresce quando mostra a amizade entre os dois, rendendo algumas boas seqüências fraternais e engraçadas. As tiradas com o vizinho representado por Cedric The Entertainer também são legais, mas talvez o que não faça de Larry Crowne uma obra realmente ótima é a falta de conexão em alguns pontos da historia, ainda não existindo um verdadeiro clímax, apesar da cena do discurso final ser boa, parece que Tom Hanks, como diretor, não teve a habilidade de costurar as historias e perdeu tempo demais com algumas que no final parecem ter pouca importância, mas confirmo, é um filme bom, que rende até certa felicidade, mesmo que momentânea.
Andei lendo em alguns lugares, inclusive no excelente Cine do Beto (que também defendeu o filme), que o argentino Medianeras vem sendo acu...
Andei lendo em alguns lugares, inclusive no excelente Cine do Beto (que também defendeu o filme), que o argentino Medianeras vem sendo acusado de ser um filme publicitário. Bom, mesmo que a intenção do diretor Gustavo Taretto seja divulgar a cidade de Buenos Aires, é um trabalho que deve ser louvado, pois o faz muito bem, de maneira interessante e mesmo assim, acho que mostrar as mazelas de uma cidade, não seja uma publicidade muito positiva.
O ponto de partida de Medianeras é mostrar a metrópole, pode ser Buenos Aires ou qualquer outra do mundo como influenciadora nas tristezas e alegrias na vida de seus moradores, vivendo em apartamentos minúsculos, aonde muitas vezes não se vê a luz do sol e ainda a imersão dos mesmos em vidas tão particulares, catapultadas por atrativos, como a “vida virtual”, que cada vez mais nos enclausura em casa, criando neuroses e medos em enfrentar uma vida considerada "real".
Nesse meio tempo somos apresentados a Martin (o carismático Javier Drolas), rapaz que como web designer vive na internet e pouco sai de casa, influenciado também por uma desilusão amorosa. Tem como vizinha de quarteirão a arquiteta Mariana (a belíssima Pilar López de Ayala), que como ele está um tanto frustrada com um amor acabado, que tenta se reerguer na sua tristeza. Eles não se conhecem, mas poderiam ser almas gêmeas senão vivessem escondidos em casa com seus receios ou presos ao computador. Esse também é um outro dos diálogos do filme: o isolamento humano dentro de uma cidade tão populosa.
O suposto tom de alegoria publicitária acaba rendendo essa inevitável e errônea comparação devido a como o diretor conduz seu filme, com seqüências bem explicativas sobre a cidade de Buenos Aires ou a fotografia que lembra calendários de moda, mas ganha muito por ser uma obra fluida, com um delicioso sabor de fábula moderna, de bom humor, mesmo que muitas vezes demonstre uma faceta triste, fazendo até um reflexo do estado de espírito do próprio povo argentino, que vive uma melancolia nacional devido à crise econômica que assola o país.
Baseado no aclamado romance literário de Milan Kundera, A Insustentável Leveza do Ser é realmente um filme notável. O diretor Philip Kaufm...
Baseado no aclamado romance literário de Milan Kundera, AInsustentável Leveza do Ser é realmente um filme notável. O diretor Philip Kaufman constrói sua obra, apoiada em atuações inspiradas de Daniel Day Lewis, Juliette Binoche e Lena Olin. A trama narra os envolvimentos amorosos e sexuais da trinca de protagonistas e tem como pano de fundo a invasão Russa à antiga Checoslovaquia. Apesar do intuito de amostrar um dos momentos mais turbulentos da Europa Central, a realização com certeza se destaca pelo tratamento libertário dado a texto, exaltando a sensualidade e o sexo como forma libertadora e transgressora.
A Insustentável Leveza do Ser exala sensualidade, com cenas que são tesão puro, acho eu que, Lena Olin e Juliette Binoche nunca estiveram tão lindas e voluptuosas como nessa produção. Difícil não se excitar assistindo cenas como a que as duas atrizes tiram fotos nuas uma da outra, principalmente quando a desgarrada Sabina (Lena Olin) pula nas costas da tímida Tereza (Juliette Binoche) e arranca lhe a lingerie, deixando sua bela bunda a mostra, em um momento extremamente belo e contextualizado. Os melhores momentos do longa são os passados dentro de quatro paredes. O filme pode ser caracterizado em três atos, distintos entre si, mas que amostram o sexo de maneira diferente na vida dos personagens. No primeiro, a trama apresenta o medico Tomas (Daniel Day Lewis) como um conquistador inveterado, preocupado apenas em se satisfazer sexualmente e que tem em Sabina sua principal parceira; no segundo, Tomas conhece Tereza, se casam, fogem para Genebra durante a invasão Russa ao seu país, mas Tomas não deixa de ter suas aventuras sexuais fora do casamento, ainda com Sabina; no terceiro, Tereza abandona Tomas e volta para o país, ainda dominado pelos russos, nesse momento Tomas percebe que a vida não é somente sexo e volta para a Checoslovaquia atrás da esposa, mesmo que para isso ele tenha que viver como um operário, abandonando seu oficio, já que não é bem visto pelas autoridades locais, devido a textos anticomunistas escritos anteriormente a invasão Russa.
Nesse terceiro ato, é que temos as cenas mais melancólicas do longa, aonde mostram Tomas sofrendo e amadurecendo, mas que em determinado momento tem um encontro sexual com uma moça que o reconhece da sua antiga vida, a cena funciona como um alivio para o personagem, como se a luxuria passada aparecesse para lhe dar um tapa na cara, uma cena altamente fetichista, que eleva a tensão do expectador. Claro que Tereza descobre a traição do marido e resolve dar o troco, fazendo sexo casual com um desconhecido, interessante como ela resiste inicialmente, mas depois relaxa, se entrega e chega ao orgasmo. Nesse momento é quando ela entende literalmente Tomas e a sua diferenciação entre amor e sexo, que até então parecia absurda para ela, que em certo momento diz que não suporta a leveza do amado, que era insustentável essa leveza do seu ser. A Insustentável Leveza do Ser é um filme com tantas nuances, que fica ate difícil citar todas, merece varias revisões para a apreciação em sua plenitude. Os atores estão tão perfeitos, que é difícil não se apaixonar por eles. O filme pode ter alguns tropeços, excessos de clichês talvez, mas tudo passa batido perante aos sentimentos que transpõe, principalmente o prazer como forma transformadora.
Quando se conhece alguém com quem rola certa empatia ou admiração, acaba sendo inevitável que não idealizemos aquela pessoa, ate por ser um...
Quando se conhece alguém com quem rola certa empatia ou admiração, acaba sendo inevitável que não idealizemos aquela pessoa, ate por ser uma novidade o convívio com ela e não a conhecermos verdadeiramente. É uma característica do ser humano criar motivações ou imaginar situações ideais nunca vividas ou que não serão mesmo. Eu mesmo vivo me pegando a personagens do passado que tiveram rumos diferentes na minha historia e fico pensando como seria se certa situação fosse diferente. É um exercício que costumo praticar com certo prazer, principalmente quando quero fugir de preocupações ou me alienar do meu verdadeiro mundo.
É isso que torna Amores Imaginários extremamente interessante, o joguete que o jovem e promissor diretor autoral, Xavier Dolan, faz com essa premissa de idealização que fazemos de pessoas que nos interessam, principalmente na parte romântica ou libidinosa. Quem nunca se pegou pensando como seria o beijo de determinada pessoa? Se te levaria as nuvens, ou se aquela pessoa te completaria do jeito que deseja, mesmo que a outra não te responda da maneira necessária. Podemos ate nos transformar no que interessa o nosso desejado, para assim chamar sua atenção, como faz Marie (Monia Chokri) em certo momento quando descobre que o seu amado é fã da atriz Audrey Hepburn. Nessa ciranda afetuosa, temos Marie e o gay Francis (o próprio Xavier Dolan), dois amigos de longa data e que furtivamente acabam se apaixonando pelo mesmo rapaz, Nicolas (Niels Schneider), um despreocupado bom vivant. Nicolas retribui a amizade, mas em nenhum momento revela interesse romântico ou desejo por qualquer um dos dois. Instantaneamente, vemos um triangulo amoroso mal formado ser instaurado e também uma disputa entre Marie e Francis, mesmo que sutil, mas que em certo momento vai às vias de fato.
Amores Imaginários é um filme que tem um tom bem realístico, mesmo que em alguns momentos soe poético ou utópico, ora, mas a vida também é feita de poesia e sonhos. O diretor Xavier Dolan explicita essa predileção em trazer os personagens para o mundo real, com inserções de depoimentos, que não tem nada a ver com a historia, de pessoas que tiveram frustrações amorosas por idealizarem demais, com destaque para uma menina nariguda de óculos, viciada em romances virtuais, que vive se dando mal. Uma obra também visualmente exultante, com cenas belas, uso exímio da câmera para cativar o olhar do expectador e ainda, diálogos perfeitamente atuais e atuações que não estereotipam seus personagens. Um filme com um frescor jovem delicioso, sem preocupação em ser politicamente correto, mas também sem polemizar. Em que outra obra recente você veria um dos protagonistas dizer que o cigarro lhe faz viver? Pois é, Xavier Dolan concebe isso com a maior naturalidade.
Não é a toa que Douglas Sirk , cineasta alemão radicado nos EUA, é considerado por muitos o Rei do Melodrama, tratando costumeiramente de ...
Não é a toa que Douglas Sirk, cineasta alemão radicado nos EUA, é considerado por muitos o Rei do Melodrama, tratando costumeiramente de romances difíceis e transgressores em sua filmografia. Em Tudo que o Céu Permite, o diretor comprova muito bem seu talento, conduzindo belissimamente a historia de amor entre Cary (Jane Wyman), viúva aristocrata, e Ron (Rock Hudson), um jovem jardineiro.
A atração de Cary e Ron é evidente logo no inicio do filme, quando ela o convida para um café. Ron, arborista, brinda Cary com belas palavras, dizendo que certo tipo de arvore cresce apenas em locais aonde existe muito amor. O romance aflora, meio que clandestinamente, e tudo se mantém belo e feliz, até o dia em que Ron faz o pedido para que Cary se case com ele e vá morar no moinho que esta reformando. Bom, percebe – se que as coisas não vão dar muito certo, nê? Cary vai precisar enfrentar os filhos, a sociedade em que vive e até seus próprios preceitos para viver novamente, já que sua vida, depois da morte do marido, tornou – se um tanto monótona, mas será que o relacionamento dela com Ron não foi apenas um escapismo da vida tediosa que levava? Essa é uma das perguntas que são levantadas também.
Tudo que o Céu Permite esmiúça com certa elegância a situação em que vive Cary, tendo que manter as aparências, mesmo após a morte do marido, assediada por senhores e abandonada pelos filhos, que apenas se preocupam com o que os outros vão dizer. Tendo ainda que reprimir seus sentimentos, considerados um tanto impróprios para alguém de sua idade. Com tanta intensidade pela vida, não seria estranho que Cary se apaixonasse ou flertasse com o galanteador Ron, um jovem cheio de vida. Estranho seria se fosse diferente, mas vale lembrar que o filme foi realizado nos conservadores anos 50, e tem sua parcela de ousadia a tratar de um tema que com certeza ofende boa parte do American Way of Life. Como uma senhora de família poderia namorar ou casar com um sujeito mais jovem ou de classe inferior?
Muito da qualidade da obra vem das atuações de Rock Hudson e Jane Wyman, que apresentam notável química, com belos diálogos e cenas mágicas conduzidas pelo diretor Douglas Sirk, alias a composição de muitas seqüências é dotada de extrema delicadeza, com uma trilha sonora suave que enche de sentimentos a tela e cenários dignos de contos de fadas, com direito a um cervo, animal belo e frágil, que provavelmente representa o amor deles. A seqüência final, com certeza, deve ter sido uma das propulsoras para a criação da expressão: romance sirkiano. Tudo que o Céu Permite é um filme nobre, que deve ser visto e revisto, mesmo sendo uma obra datada, não deixa de ser atual e mantém a sua vitalidade.
A nova realização do diretor brasileiro Andrucha Waddington , Lope , produzido em parceria pelo Brasil e a Espanha, é a historia de Lope ...
A nova realização do diretor brasileiro Andrucha Waddington, Lope, produzido em parceria pelo Brasil e a Espanha, é a historia de Lope de Vega (Alberto Ammann), poeta, dramaturgo e considerado um dos mais talentosos escritores espanhóis. A trama se foca na juventude de Lope e também apresenta um personagem próprio para o cinema. O Lope da obra de Waddington é galanteador e talentoso com as palavras, mas também é heróico, na verdade uma espécie de anti – herói, sujo, bom no manuseio da espada e pronto para se meter em confusões que acometam seus sentimentos.
Lope é um filme de altos e baixos (mais altos que baixos), que consegue empolgar em algumas cenas, devido ao carisma do protagonista Alberto Ammann, que talvez não carregue a carga dramática que o personagem demande, mas que defende muito bem a pele desse aventureiro Lope de Vega. O seu poeta se envolve com duas belas mulheres da corte, o que pode custar sua cabeça, enquanto tenta emplacar peças suas em um teatro bancado por Jerônimo Velásquez (o excelente Juan Diego), um produtor que tenta se aproveitar dos problemas financeiros do escritor.
A produção também utiliza muito bem as paisagens das locações, criando uma fotografia bela, que ajuda a reforçar a primorosa reconstituição de época, fazendo parecer que Lope é cinema de gente grande. Um filme, que no meu ponto de vista, tratado de outra maneira, poderia ter um forte apelo comercial, porque mesmo abordando um tema como a literatura, que pode ser tornar enfadonho pela falta de conhecimento do expectador, nunca chega a ser chato, com boa fluência e apostando até em algumas seqüências de ação, como um bem orquestrado duelo de espadasquando mercenários aparecem para cobrar uma divida passada de Lope.
É fato que Lope é um filme bem legal, mas a falta de uma maior descrição do personagem principal faz com que ele ganhe contornos superficiais, caindo em alguns clichês de biografias de época, a participação de Selton Mello como o Marques de Navas, sujeito que encomenda poemas a Lope para conquistar mulheres, também é bem ruim, Selton arranha um portunhol terrível que destoa a todo tempo. Sonia Braga também faz uma participação pequena como a mãe do poeta.
Em um contexto geral, Lope acaba tendo essas imperfeições suprimidas pelas belas inserções de poemas de Lope de Vega durante a trama, com destaque para o soneto do epílogo, recitado na integra durante uma cena em que o escritor cavalga em alta velocidade, uma das mais belas escritas sobre o amor, o que para um leigo como eu, acabou valendo a ida ao cinema, mesmo que em uma sessão desprezada e única às onze horas da manhã.
Arthur, O Milionário Irresistível é o remake de Arthur, O Milionário Sedutor de 1981 que tinha Dudley Moore no papel principal. Essa n...
Arthur, O Milionário Irresistível é o remake de Arthur, O Milionário Sedutor de 1981 que tinha Dudley Moore no papel principal. Essa nova versão perde em charme, até por ser protagonizada por Russell Brand, do cool O Pior Trabalho do Mundo, um ator que não tem 1/3 do talento de Dudley, mas que com seu estilo mais físico de comedia consegue imprimir alguma simpatia ao personagem, que nessa obra aparenta ser mais um "crianção", com seus automóveis de super – heróis e infinidade de toys, do que o playboy alcoólatra da versão anterior, se bem que o novo Arthur também toma seus goros, mas a trama do alcoolismo fica em segundo plano.
A realização do diretor Jason Winer, da elogiada serie televisiva Modern Family, é um filme que se apóia nos mais diversos clichês de comedia e romance para contar a historia do milionário irresponsável que tem que se casar com um mulher imposta pela mãe para que não perca sua herança e que ao mesmo tempo se vê apaixonado por uma escritora amadora e guia não – autorizada da cidade de Nova Iorque.
A favor, a produção conta com bons coadjuvantes, como Hellen Mirren, no papel de babá de Arthur e Luiz Gusman como o motorista, que elevam um pouco a nota da produção. Gerta Gerwig, que faz o interesse romântico de Arthur também se mostra uma atriz bem simpática e que combinou perfeitamente com a proposta da sua personagem, de ser uma mulher despreocupada, meio cafona e simples; Jennifer Garner aparece bem apagadinha e com o personagem até diminuído, como a mulher gananciosa com que Arthur tem que casar para que não perca sua herança.
Arthur, O Milionário Irresistível é daqueles filmes para se assistir sem preocupação, como mero passatempo e de repente até se divertir e que estranhamente foi suspenso da lista de filmes a serem lançados no cinema em 2011, porque potencial para grande público ele até tem. Nota 6,5.
O que escrever de um filme que figura na maioria das listas dos melhores filmes de todos os tempos? Acho que pouca coisa tenho a acrescen...
O que escrever de um filme que figura na maioria das listas dos melhores filmes de todos os tempos? Acho que pouca coisa tenho a acrescentar, a não ser exaltar a beleza dessa realização do diretor Michael Curtiz, que não conseguiu outro sucesso dessa grandeza. Casablanca, vencedor de 3 Oscar (Filme, Diretor e Roteiro), é a conhecida historia de Rick Blaine (Humprey Bogart), um americano que mantém um bar conhecido como Rick´s em plena Casablanca no Marrocos, aonde pessoas fugitivas da tenebrosa guerra na Europa costumam refugiar – se a procura de uma maneira de embarcar para Portugal e consequentemente a América.
Rick tem um comportamento aparentemente blasé em relação à guerra e suas conseqüências, talvez decorrente das agruras que sofreu, divide suas amarguras, lembranças e apontamentos com o capitão Louis Renault (Claude Rains), um oficial francês de caráter duvidoso responsável pela ordem local, e com outros funcionários do estabelecimento, com destaque para o pianista negro Sam (Dooley Wilson), que executa belissimamente a canção “As time goes by” que também marca outros bons momentos do filme.
A trama começa a tomar outros rumos, quando a bela Ilsa Lund (Ingrid Bergman) e seu esposo, Victor Laszlo (Paul Henreid) aparecem no bar atrás de documentos que possam garantir sua passagem para fora da cidade. Ilsa é uma mulher misteriosa que manteve um relacionamento com desfecho doloroso com Rick, quando os dois viviam na França pré – segunda guerra. Enquanto seu marido Victor é um rebelde, integrante de uma iminente Resistência que esta sendo caçado pelos alemães e precisa a qualquer custo sair de Casablanca para não ir parar em um campo de concentração.
Acho eu, que um dos grandes trunfos de Casablanca é conseguir mesclar com inteligência e elegância uma historia de romance, com envolvimento dramático, usando como pano de fundo a guerra e ainda conseguir imprimir certo tom cômico. A adicionar, ainda tem uma belíssima fotografia, trilha sonora perfeita e interpretações únicas de praticamente todos os atores, até os coadjuvantes são peças chaves para a boa fluência da historia.
Casablanca ainda é uma produção repleta de cenas marcantes e emocionantes, são destaques o momento em que Rick e Ilsa se reencontram, com direito a primeira execução da já citada canção, a seqüência em que Ilsa invade o quarto de Rick, suplicando pelos salvo – conduto que poderão salvar a pele de seu marido, o ponto alto com um beijo icônico, que marcou gerações e o desfecho maravilhoso e emblemático, atestando a realização o status de obra – prima. Um filme que merece todas as reverências. Nota 10.
Pôster Clássico de "Casablanca"
Namorados para Sempre , até pelo péssimo titulo nacional e pelo fraco trailer, é uma obra que na primeira impressão sugere uma comedia ro...
Namorados para Sempre, até pelo péssimo titulo nacional e pelo fraco trailer, é uma obra que na primeira impressão sugere uma comedia romântica das mais açucaradas, mas para quem se interessar, a realização do diretor e roteirista Derek Cianfrance, acostumado a documentários, torna sua investida em uma obra ficcional das mais interessantes.
A historia retrata o relacionamento de Dean (Ryan Gosling) e Cindy (Michelle Williams), mostrando os difíceis momentos atuais do casal e em flashbacks como eles se conheceram. Com as incursões no passado, o diretor traça um parâmetro das relações, em que coisas que não incomodavam no passado, passam a ser insuportáveis no presente. Isso de uma maneira bem competente e crível, trazendo a realidade deles para bem próxima da nossa. Com certeza, muita gente já passou por situações parecidas e vão se identificar com Dean ou Cindy.
As cenas deles se conhecendo são doces e divertidas, passadas na maioria das vezes em locais abertos, enquanto as cenas de discussões e brigas são passadas em lugares apertados, com a câmera bem perto dos atores, o que dá um sentimento claustrofobico crescente e criando bastante tensão.
O casal de atores se entrega aos papeis, com cenas de sexo bem cruas e com muitas outras cenas improvisadas por eles, que recebiam apenas sua parte do texto, para assim darem um tom de surpresa nas atuações, e em alguns momentos eles parecem mesmo surpresos com o que ouvem. Em uma outra seqüência, Ryan Gosling chegou a escalar uma grade no Brooklyn, ameaçando se jogar, o que deixou a equipe de filmagens em polvorosa.
O filme também tem um certo mistério que logo se soluciona, e traça de uma maneira bem simples o motivo pelo qual Cindy fica com Dean, já que ela tinha um namorado e estudava medicina, enquanto ele vivia de bicos. Como muitos poderiam dizer, ele não servia para ela.
Lendo alguns textos de outros cinéfilos, blogueiros e críticos cinematográficos, a tonica predominante das resenhas é que a obra não explora os motivos pelo qual Cindy deixa de amar Dean, até por ele ser um bom marido, mas achei o motivo todo bem claro e até simples, mas não vou escrever a minha impressão, até para quem assistir tirar suas próprias conclusões e Namorados para Sempre vale a pena ser assistido. Nota 09.
Baseado em um conto de Philip K. Dick, Agentes do Destino narra a historia de David Norris ( Matt Damon ), um promissor político, que po...
Baseado em um conto de Philip K. Dick, Agentes do Destino narra a historia de David Norris (Matt Damon), um promissor político, que por forças maiores não pode ficar com o amor da sua vida, a bailarina Elise (Emily Blunt). A força maior no caso é Deus ou o Presidente, como é chamado no filme, que tem os Anjos como seus agentes.
Os agentes não sabem o motivo pelo qual David não pode ficar com Elise, mas fazem de tudo para que isso não aconteça. Porem, Harry (Anthony Mackie), o Anjo que segue David, meio que comovido com a historia (apesar dos Anjos não serem dotados de emoções) resolve ajuda – lo.
Agentes do Destino foi um filme que me surpreendeu, esperava uma obra bobinha, mas a realização do diretor estreante George Nolfi transita bem pelo romance e thriller, brincando com destino e com aquela situação do que aconteceria se você não tivesse feito isso ou aquilo. Sem contar a premissa cristã de que Deus tem um plano para todos nós.
A horda de agentes é uma atração a parte, todos caracterizados com elegantes ternos e chapeis que fazem com que possam atravessar portas que os levam a lugares mais variados, uma espécie de salto no tempo. As cenas em que usam as portas para perseguir David ou quando o agente Harry ensina a David como usa –las são bem legais e visualmente bonitas, a edição rápida das imagens também ajuda bastante.
Matt Damon aparece bem a vontade no papel, ele tem crescido nas suas ultimas atuações, mostrando – se um dos principais atores da atualidade e Emily Blunt esta linda demais, um deleite para os olhos, além de ser talentosa, difícil mesmo querer deixar essa mulher de lado. Terence Stamp faz uma boa participação como um agente meio carrasco. Um filme que vale a sessão. Nota 07.
Hermie ( Gary Grimes ) é um garoto que está passando o verão de 1942 com a família em um bucólica ilha do litoral americano. Hermie compa...
Hermie (Gary Grimes) é um garoto que está passando o verão de 1942 com a família em um bucólica ilha do litoral americano. Hermie compartilha a amizade e a curiosidade pelo sexo oposto com outros dois amigos: Oscy (Jerry Houser) e Benjie (Oliver Conant). Eles vagam pela ilha, ora indo ao cinema, ora andando pela praia, espionando as meninas ou lendo livros sobre iniciação sexual.
Hermie guarda um sentimento especial por Dorothy (Jennifer O´Neill), uma mulher que tem o marido que foi lutar a segunda guerra e mora sozinha na ilha. Um dia, Hermie ajuda Dorothy com as compras no mercado e logo fazem amizade. Então, o garoto começa a freqüentar a casa da moça e o seu sentimento por ela vai aumentado, e aparentemente ela vai desenvolvendo um carinho pelo rapaz, mas tudo muda com um acontecimento inesperado na vida de Dorothy.
Verão de 42 foi o filme ganhador do Oscar de melhor trilha sonora original de 1972, e tem uma das canções instrumentais mais famosas de todos os tempos, tocada em muitos debutes. Porém, a obra do diretor Robert Mulligan não se resume a isso, na verdade é um filme que trata com delicadeza temas como: perda da inocência, iniciação sexual, morte e amadurecimento. O diretor consegue mesclar com competência todos esses assuntos e ainda emocionar o expectador.
Apesar de uma obra com enfoque dramático, o filme tem diversos momentos engraçados, principalmente os protagonizados pela trinca de amigos. Divertida demais as seqüências deles fazendo uma lista com o que devem fazer na hora do sexo ou quando Hermie vai a uma farmácia comprar um preservativo ou quando Oscy consegue perder a virgindade com uma menina da ilha. Uma das coisas que também me impressionaram foi a falta de informação sobre sexo que os adolescentes tinham naquela época, ao ponto de terem que obter dados sobre o assunto em um livro de medicina. Com certeza, os jovens eram muito mais ingênuos, mas esse é um charme todo especial dessa realização.
Na parte mais romântica e melancólica, o destaque é para a atuação da belíssima Jennifer O´Neill, que participou de outros filmes famosos como Scanners de David Cronenberg e Rio Lobo de 1970 com John Wayne. Jennifer faz a típica dona de casa americana, doce e simpática, que tem o marido que vai para o front na Europa. Os momentos dela com Hermie são inocentes, sutis e também belos e até certo ponto sensuais, mas sempre envolvendo uma aura romântica, apesar de o desfecho ser resolvido por um fato doloroso.
Verão de 42 foi uma obra que me agradou muito, conhecia o filme e o desprezava, talvez por guardar alguma semelhança com o anterior A Primeira Noite de um Homem de Mike Nichols, porém são produções totalmente distintas. Muitos me indicaram, mas demorei anos para assistir. Nada como ter uma grata surpresa de algo sem nenhuma expectativa. Nota 10.
Harold ( Bud Cort ) é um jovem rico, sem muitas pretensões e obcecado pela morte, tanto que vive assustando a mãe com situações de suicídio ...
Harold (Bud Cort) é um jovem rico, sem muitas pretensões e obcecado pela morte, tanto que vive assustando a mãe com situações de suicídio e gosta de frequentar funerais. Maude (Ruth Gordon) é uma senhora libertina, a beira de completar 80 anos e que guarda um diferente e peculiar gosto pela vida, além de freqüentar funerais também. Os dois se conhecem em um funeral e desenvolvem uma improvável amizade, que flui para um mais improvável romance (isso mesmo), mas Maude tem seus objetivos, mesmo que estranhos e que vão influenciar toda a maneira de Harold ver a vida ou a morte.
Ensina – me a Viver é um filme fantástico que dialoga sobre vida e morte. A vida representada pelo jovem Harold e a morte pela senil Maude. Uma obra de excelência em tudo. As atuações brilhantes, principalmente de Ruth Gordon, que equilibra bem transgressão, delicadeza e a senilidade de sua personagem. Bud Cort entrega com qualidade um jovem mimado, com preocupação em chocar e que só entende o sentido e o amor pela vida quando conhece Maude. Uma das cenas mais belas e tocantes é quando Harold se declara para Maude no meio de um ferro – velho e lhe dá um presente, que Maude prontamente joga fora e explica o motivo dizendo que sempre vai saber onde o presente estará, além dessa cena revelar sutilmente o passado de Maude.
Apesar de focar no romance e na dramaticidade das situações, Ensina – me a Viver é uma obra que também tem bons momentos cômicos, principalmente quando a mãe (Vivian Pickles) do rapaz começa a lhe arrumar encontros, para que arrume uma esposa. Outros momentos engraçados se dão pela presença de seu tio (Charles Tyner), um militar extremista e patriota que quer corrigir o rapaz levando – o para a vida militar. As cenas do casal fazendo diversas loucuras, como roubar carros e arvores, além de desafiar e zombar de um policial são ótimas e marcantes, dignas de uma obra – prima.
Não poderia deixar de comentar sobre um outro ponto positivo da produção que é a trilha sonora belíssima com canções de Cat Stevens, que ajudam a contar a história, além de dar o tom certo de algumas cenas. Ensina – me a Viver é um filme obrigatório para quem gosta de cinema de qualidade: melancólico, engraçado, belo e poético; que já entrou para a minha lista de filmes preferidos. Nota 10.
Na Companhia dos Lobos é um filme que explora a secular história da Chapeuzinho Vermelho. Nesse o diretor irlandês Neil Jordan transform...
Na Companhia dos Lobos é um filme que explora a secular história da Chapeuzinho Vermelho. Nesse o diretor irlandês Neil Jordan transforma o popular conto de fadas em um filme ora sombrio, ora com conotações sexuais. Aliás o que mais me chamou atenção foi esse lado sexual, que acaba elevando um pouco a qualidade da obra.
Neil Jordan também acerta no visual, que causa certa estranheza e mau estar em alguns momentos, ajudado pela trilha sonora que dá um tom de filme de terror. A atuação de Sarah Petterson, que faz a Chapeuzinho, pode ser destacada, principalmente nos momentos dela com o Lobo – Mau. A menina, de uma beleza impar, nos entrega uma Chapeuzinho bem safadinha e cheia de curiosidade. Stephen Rea faz uma participação especial como um lobo que deu origem a maldição.
O filme é interessante, mas algumas outras histórias que não tem haver com a principal são contadas durante a exibição, o que acaba atrapalhando um pouco a narrativa e em outros momentos achei que Neil Jordan se preocupou em ser bizarro e esses momentos podem desconectar um pouco o expectador da obra. Na Companhia dos Lobos é uma realização inregular, mas que tem seus momentos e pelo que andam dizendo, bem superior ao mais recente Garota da Capa Vermelha. Nota 06.
Luiz Mário ( Marcelo Serrado ) é um empresário paulista e conquistador inveterado. Malu ( Fernanda de Freitas ) é carioca e funcionaria d...
Luiz Mário (Marcelo Serrado) é um empresário paulista e conquistador inveterado. Malu (Fernanda de Freitas) é carioca e funcionaria de um hotel cinco estrelas. Para fugir de uma ex – amante obsessiva, Luiz Mário vai passar uma temporada no Rio e passeando pela praia acaba sendo atropelado por Malu e sua bicicleta. A atração é instantânea e logo eles começam um relacionamento despretensioso, que vai crescendo gradativamente, até estarem apaixonados.
Então chega a hora de Luiz Mário voltar para São Paulo. Os dois resolvem manter um relacionamento a distancia, mas a saudade é grande e em uma das viagens para se encontrarem, Luis pedi Malu em casamento, que prontamente aceita e se muda para Sampa. Tudo anda as mil maravilhas, até que Luis começa a desconfiar da fidelidade de Malu, devido a suas constantes viagens ao Rio e a uma infinidade de amigos homens que estão sempre em contanto com ela. A desconfiança vai aumentando e tudo parece conspirar para que Luis volte à vida de conquistas, principalmente quando Sueli (Marjorie Estiano), amiga de longa data de Malu e conhecida destruidora de lares, aparece na vida deles.
Malu de Bicicleta é um filme que promete, mas não cumpre, daqueles de deixar bem decepcionado. A premissa é bem interessante, porém a história empaca, talvez por ficar martelando o tempo todo no ciúme de Luis. Alias o filme inteiro é praticamente sobre isso, as cenas deles se apaixonando e do romance propriamente dito são curtas e pouco exploradas. Deveriam ter mais momentos da dupla, que demonstram boa química na cena em que fazem sexo a primeira vez, uma das poucas boas cenas. A outra boa cena é a do epílogo com Marjorie Estiano, que se esforça para entregar uma boa atuação.
Não li o livro de Marcelo Rubens Paiva no qual o filme se baseia, mas provavelmente essa obra deve ter ficado bem aquém. Um dos principais motivos do fracasso, talvez seja a obrigação de ser comercial. Uma pena. Nota 04.
Cópia Fiel é um bonito filme que acompanha um passeio na tarde da cidade de Toscana, na Itália, de Elle ( Juliette Binoche ), uma curadora...
Cópia Fiel é um bonito filme que acompanha um passeio na tarde da cidade de Toscana, na Itália, de Elle (Juliette Binoche), uma curadora de arte e James Miller (William Shimell), um escritor que realizou um livro sobre peças de arte e a importancia de suas cópias originais.
A obra do diretor iraniano Abbas Kiarostami tem um ritmo lento, que pode incomodar, mas que nos envolve em uma aura de romance, talvez pelas paisagens da belissima Toscana e pela tocante atuação de Juliette Binoche. Em alguns momentos privilegia as expressões faciais da dupla de protagonistas, com closes bem perto dos seus rostos e usando a camêra para fazer um interessante jogo entre os personagens e o expectador. Alguns closes são longos e parecem até obras de arte, talvez a intenção fosse essa mesmo, nos fazer apreciar as cenas como se fossem quadros.
A história me lembrou bastante Antes do Pôr do Sol de Richard Linklater, com aquela situação do casal que só tem uma tarde para passarem juntos, mas Cópia Fiel tem sua originalidade, principalmente quando eles começam a fingir que são casados, fazendo o filme ganhar bastante força. A cena do restaurante é a minha preferida, aonde eles emulam uma discussão de um casal casado a 15 anos e no dia do aniversário de casamento o marido esquece da data, mostrando como o tempo, trabalho e filhos podem desgastar um relacionamento. Nota 08.
Grupo de amigos se reune em casa de praia para celebrar o casamento de Lila ( Anna Paquin ) e Tom ( Josh Duhamel ). Porém, Laura ( Katie Ho...
Grupo de amigos se reune em casa de praia para celebrar o casamento de Lila (Anna Paquin) e Tom (Josh Duhamel). Porém, Laura (Katie Holmes), uma das madrinhas e melhor amiga de Lila, é ex - namorada de longa data de Tom e por quem ainda nutre sentimentos e aparentemente Tom por ela também. Durante a noite antes da celebração, muitas situações vão acontecer, trazendo a tona antigos sentimentos e revelações para todos os amigos.
O Casamento do meu Ex (péssimo título nacional) poderia ter sido um grande filme romântico, se estivesse nas mãos de um diretor mais experiente e um elenco masculino mais talentoso. O protagonista Josh Duhamel é de uma apatia grande, de estranhar ter sido escalado para um filme desse. A trama também demora a engrenar e é pouco explorado o motivo pelo qual Tom e Laura se separaram ou porque não podem ficar juntos, já que se amam. No final, os motivos ficam parecendo meio bobos e sem sentido. Se fosse uma comédia romântica talvez se justificasse, mas o filme aposta em uma história mais séria, até certo ponto melancólica e o que ficou parecendo foi um episódio de Dawson´s Creek para adultos, até pela presença de Katie Holmes , revivendo seu papel de moçinha incompreendida.
As melhores cenas do filme são protagonizadas pelos coadjuvantes, que formam dois casais e em certo momento eles trocam de par, criando alguns bons momentos, com destaque para a cena entre Adam Brody e Malin Akerman, mostrando a intimidade entre ex - amantes, já que aparentemente todos do grupo de amigos já se relacionaram. Aliás, talvez o diretor tenha percebido que o melhor do filme eram essas sequências e acabou investindo nelas, o que tirou um pouco o foco do triângulo amoroso principal. Um filme que merecia melhor acabamento. Nota 05.
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