Cyril (Thomas Doret) é um menino de seus 12 anos, após a morte de sua avó, com quem vivia, ele é abandonado pelo pai e acaba indo parar em um orfanato. Durante uma tentativa de fuga do local para ir ao encontro do pai, Cyril conhece a cabeleireira Samantha (Cecile de France), que o acolhe e com ela desenvolve um relacionamento baseado em amizade. Essa é a premissa inicial da produção francesa O Garoto de Bicicleta, verdade que é das mais batidas, mas como os irmãos Dardenne desenvolvem a idéia é que diferencia o filme do lugar comum de outros dramas parecidos.
Os Dardenne concebem um filme minimalista, mas dotado de sentimentos bem verdadeiros, difícil não se comover com a busca do garoto pelo reconhecimento de seu pai. Louvável também como os diretores não apelam, fugindo de clichês e cometem um filme sincero em relação aos acontecimentos e mostram um jovem bem confuso nos seus sentimentos e atitudes, que vão das desobediências e manhas bem pertinentes ao universo infantil a uma violência descomedida que Cyril usa para libertar suas frustrações em relação à vida. O relacionamento entre o garoto e a cabeleireira Samantha é dotado de certa ternura e beleza, mesmo que em atos mínimos, porque assim como Cyril não tem um lar para viver, Samantha tem o lar, mas parece não ter sentido a sua vida.
O Garoto de Bicicleta é um filme bem direto, mostrando também as dificuldades do amadurecimento, principalmente quando não se tem em quem espelhar e muitas vezes pode se mirar em quem esta mais perto ou se aproxime mais, o que é mostrado na historia com o traficante amigável que tenta seduzir o garoto para que cometa um crime. Uma obra com mensagens interessantes e um epílogo que demonstra como muitas vezes podemos nos arrepender dos nossos atos, mas como isso pode somente não bastar.



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