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George A. Romero é mais conhecido e reverenciado como o pai dos zumbis (apesar de não ser o precursor), principalmente pela sua brilhante...

George A. Romero é mais conhecido e reverenciado como o pai dos zumbis (apesar de não ser o precursor), principalmente pela sua brilhante estréia com o politizado A Noite dos Mortos Vivos de 1968. Indiscutível que tenha o mérito de ter firmado os filmes de zumbis quase como um gênero dentro do cinema, mas em 1977 ele concebeu uma obra que muito se difere da sua filmografia. Existencialista, intimista ou qualquer outra alcunha que receba, Martin, apesar de algumas imperfeições e certos problemas de ritmo, é talvez junto com seu primeiro filme uma das melhores realizações de sua carreira.
                                                                                                                  
A historia começa logo mostrando o que motiva Martin (o estreante John Amplas): beber sangue humano. Seria ele um vampiro? Ou uma pessoa dotada de uma patologia bem singular? Até porque Martin não tem nenhuma característica clássica dos sugadores de sangue. A cruz não lhe ofende, muito menos a luz do sol, alho ou água benta. Ele usa seringas com drogas para dopar as vitimas e assim lhes sorver o sangue das veias. Não é nenhum pouco sedutor e no alto dos seus 84 anos nunca fez sexo. Bem, pode parecer que Martin é um senhor, mas a sua aparência é de um jovem de no maximo seus 18 anos, parece que o sangue humano lhe garante jovialidade e longevidade incomum, além de sua condição ser apresentada na trama como uma característica particular de sua família. Assim, sem muitas explicações, o jovem senhor vai morar na casa de um tio supersticioso conhecido como Cuda (Lincoln Maazel). Um homem que conhece a situação de Martin e que surge na historia como guardião dele, ainda com a missão de impedir que o “vampiro” faça mais vitimas em sua cidade.

Claro que com uma premissa dessas possa se esperar um filme de terror cheio de efeitos especiais, mas Martin passa longe disso, na verdade é quase um drama e em alguns momentos dotado de certo humor. Romero, esperto que é, usou uma história tenebrosa como essa para dialogar sobre timidez, aceitação, preconceito, a vida muitas vezes infeliz do american way of life e até sobre tabus sexuais. Hoje ainda se diz que é um filme estranho e deve ter sido muito mais estranho na época de seu lançamento, tanto que houve uma repulsa bem grande contra ele, mas com o tempo o filme ganhou seu reconhecimento e certa aura “Cult”. Sem dúvidas, Martin é o momento que Romero tentou trazer para o seu cinema a característica de autoral, pena que poucos entenderam e fez uma carreira toda ser repensada.  


Uma vez ou outra aparecem filmes que não são divulgados, entram em cartaz e ninguém sabe de nada, até mesmo na rede são parcas as informaçõ...


Uma vez ou outra aparecem filmes que não são divulgados, entram em cartaz e ninguém sabe de nada, até mesmo na rede são parcas as informações. Bom, talvez essa tática tenha a intenção de criar mistério em cima da historia ou usar de seu suposto tom obscuro para atrair a atenção do público ou ainda esconder a verdadeira qualidade da obra. Esse último é o caso mais evidente para o pretensioso 11-11-11, produção lançada nessa já folclórica data e que procura explorar o que seria um suposto apocalipse premeditado desde o inicio dos tempos.

Na trama, temos o cético escritor de contos de terror Joseph Crone (Thimothy Gibbs) que perdeu a esposa e filho em um incêndio criminoso e vive recluso e amargurado. Após um estranho acidente automobislitico em que se envolve, recebe uma ligação do seu irmão Pastor Samuel (Michael Landes) dizendo que seu também pai Pastor está doente e tem poucos dias de vida. Então Joseph resolve viajar até a Espanha, aonde o pai mora, para se despedir. Na casa aonde a família mora é que começam os acontecimentos estranhos que se sucedem envolvendo os números do 11-11-11 que parece surgir a toda hora para o homem, como se quisesse lhe contar algo.

O argumento escrito e dirigido por Darren Lynn Bousman, de alguns Jogos Mortais, soaria até interessante se não fosse tão mal conduzido. A intenção de posar de inteligente talvez seja o maior problema de 11-11-11 que não se aceita como filme de terror e rende bastante tédio durante a sua exibição, com cenas repetitivas em que o protagonista a toda hora entoa que está ficando maluco ou citando porque é ateu e as chatíssimas explicações sobre a data em que encontra na internet. O filme não flui, não há tensão e quando tudo se revela em seu final mirabolante deixa o expectador irritado com tanta baboseira em cena. Sinceramente, não entendo como um filme desses vai para o cinema em detrimento a tantas obras boas que ficam relegadas. Somente a chance de explorar um filão de maldição nessa data que possa levar pessoas ao cinema por causa disso. E parece que deu certo, porque a sala estava bem cheia, mas quando as luzes se acenderam as caras frustradas davam o tom de como essa obra é terrível, no pior sentido da palavra.


Indicação do Elson, um estimado leitor aqui do blog, The Woman é o típico filme que fica conhecido apenas pelo boca a boca, porque não te...

Indicação do Elson, um estimado leitor aqui do blog, The Woman é o típico filme que fica conhecido apenas pelo boca a boca, porque não tem apelo, na época boa das locadoras talvez até rendesse mais divulgação. Pena, porque um filme bom como esse provavelmente vai ser pouco visto. É inevitável a classificação dessa realização como um filme de terror, até porque tem uma considerável quantidade de gore imbuído na trama, mas de forma notável a historia rende interessantes interpretações, diria que algumas até filosóficas.

Na trama temos a família Cleek, típica interiorana americana, Chris (Sean Bridgers) é o pai, um advogado competente e que parece cuidar da família de uma maneira bem dura. Um dia caçando pelas florestas que envolvem sua propriedade se depara com uma Mulher (Pollyanna McIntosh) que vive como uma selvagem, aparentemente não teve contato com a civilização e ainda tende a ser bem violenta. Chris a captura, como quem captura um animal e a leva para casa com a intenção de domesticá-la, mas seria essa a verdadeira intenção do patriarca daquela estranha família?

Então, inicialmente vemos a família se revezando nos tratos da Mulher selvagem, mas logo percebemos que a intenção de Chris não é realmente civiliza-la. Ele que parecia um tradicional cidadão, se revela como um sádico, tão violento e selvagem como a Mulher, ao ponto de estuprá-la com requintes de crueldade. A sua família vive a mercê das imposições dele. A esposa parece não ter força para se levantar contra o marido, a filha mais velha tem tantos problemas com sua emergente vida adulta que parece não querer se preocupar com aquela pessoa presa no porão de sua casa, a filha mais nova ainda é muito criança para entender o que se passa, somente o filho homem parece se envolver com o que esta acontecendo e ainda admirar o pai, a quem se espelha em suas ações.

O que torna The Woman mais do que interessante é essa inversão de valores, como se o selvagem fosse o bom e o civilizado o mau ou como se mesmo o homem se achando civilizado na verdade é o instinto que nos move, seja para a maldade ou para bondade, mostrando uma linha bem tênue entre essas ações, até mesmo para os derradeiros acontecimentos relativos à Mulher. A direção de Lucky Mckee (que também escreveu), experiente com o gênero, é bem segura, infringindo uma boa tensão ao expectador, mas o tom existencialista poderia ser mais explorado, mas acho que a intenção do diretor era manter a pegada de horror, para assim impressionar o publico com as seqüências finais, assustadoras e chocantes. Um filme que se destaca pela originalidade e bem superior a muita produção mainstream. 


Sinceramente, não me sentia nem um pouco motivado para assistir esse Atividade Paranormal 3 , gostei do primeiro pela inovação no estilo “fa...

Sinceramente, não me sentia nem um pouco motivado para assistir esse Atividade Paranormal 3, gostei do primeiro pela inovação no estilo “falso documentário”, mas é o tipo de produção que se desgasta em apenas uma incursão. Lendo alguns textos de pessoas confiáveis que elogiaram o filme fiquei tentado a assistir, pois alguns exaltaram como realmente assustador e definitivamente o filme supera o precursor e faz desse o melhor registro da franquia, sendo ainda baseado em uma historia real da década de 80.

O estilo mockumentary é muito bem empregado aqui, não se restringindo apenas a filmar o quarto do casal, até porque um dos protagonistas é um sujeito que trabalha filmando casamentos e logo que percebe algo estranho, enche a casa de câmeras. A tensão vem em uma crescente e a dupla de diretores cria um ambiente de terror bem real, se apossando de escuridões e fazendo o expectador se assustar muitas vezes, mesmo nas cenas em que não acontecem nada, até porque pode acontecer algo a qualquer momento. Atividade Paranormal 3 não se refuta em amostrar o que deve ser visto e consegue transmitir essa sensação aterradora muito bem.

Em uma das seqüências mais assustadoras, quando uma das filhas do casal e um amigo fazem à brincadeira do “Bloody Mary” dentro de um banheiro, percebi muita gente no cinema olhando para trás e acho que esse é o maior intento do filme: fazer sentir medo. De forma louvável, Atividade Paranormal 3 deixa uma pulga atrás da orelha, será que muitas vezes não somos observados e nem percebemos? Um amigo imaginário de uma criança nunca será apenas uma brincadeira para quem assistir a esse filme. 


F ico consideravelmente feliz quando me surpreendo com alguma obra em que não levava fé, principalmente quando é uma realização de terror, u...

Fico consideravelmente feliz quando me surpreendo com alguma obra em que não levava fé, principalmente quando é uma realização de terror, um gênero que me agrada muito e que infelizmente vem apresentando poucos exemplares bons nos últimos tempos. Não Tenha Medo do Escuro é um filme que vem sendo pouco repercutido, uma injustiça, mas uma rápida olhada na ficha técnica fica mais do que evidente o motivo de seu êxito entre quem assiste, tendo como o principal de seus roteiristas Guillermo del Toro, um dos papas em criar universos fantásticos e estranhos nos últimos anos, que aqui concebe uma historia que tem suas inovações, mas não deixa de ser delineada de maneira clássica, como um bom filme de terror deve ser.

Em Não Tenha Medo do Escuro temos uma mansão imponente e macabra que pertencia a um artista que sumiu junto com o filho inexplicavelmente no final do século 19. Fechada por quase um século, a propriedade é adquirida pelo casal formado por Guy Pearce e Katie Holmes que ainda levam a pequena filha (Bailee Madison) do homem com a ex-esposa para morarem com eles. A intenção deles era reformar o local, considerado um marco histórico por historiadores. Após descobrirem um porão escondido dentro da residência, coisas estranhas começam a acontecer.

O diretor estreante Troy Nixey se apropria bem do texto de Del Toro e comete uma obra que tem uma atmosfera bem parecida com realizações anteriores do cineasta mexicano, como os ótimos A Espinha do Diabo e O Labirinto do Fauno. Usa de muitas cenas na penumbra, com uma trilha sonora característica que rendem bons sustos no expectador. Como não poderia ser diferente, apesar de todo o clima macabro criado, o filme tem um pé na fantasia, mas a trama não se abstém de suas maldades em detrimento a desfechos mais cordiais, digamos assim, o que também é recorrente em textos de Del Toro, trazendo até mais credibilidade a produção.

Com certeza, Não Tenha Medo do Escuro pode ser apresentado como uma das boas realizações do gênero nesse ano de 2011, nem mesmo Katie Holmes consegue estragar o filme com aqueles seus irritantes sorrisinhos laterais, apesar de ainda contar com um bom ator como Guy Pearce e da menina Bailee Madison que se sai muito bem, não é um filme de atuações mesmo, vale muito pelo clima criado e como a trama é conduzida, alem de apresentar uma visão bem singular do “mal” apresentado.



Um descrente no trabalho do cineasta Jose Mojica Marins talvez não entenda o culto em cima de À Meia-Noite Levarei sua Alma , mas analisan...


Um descrente no trabalho do cineasta Jose Mojica Marins talvez não entenda o culto em cima de À Meia-Noite Levarei sua Alma, mas analisando a obra desse lendário diretor fica explicito e compreensível a reverencia em cima dessa produção datada em 1964. Seria nosso Zé do Caixão o precursor dos assassinos em series? Concebendo um estilo, mesmo que seminal, para o cinema taxado como de Horror? Claro que o próprio gênero existe desde sempre, mas o nosso glorioso Mojica apresenta uma faceta dele com viés hardcore, meio pré-gore, misturadas a crendices populares pertinentes ao nosso povo, dando um caráter bem especifico ao que seria um filme de terror brasileiro.

Claro que para apreciar Á Meia-Noite Levarei sua Alma em sua plenitude deve se entrar na viagem proposta pelo diretor, até porque o filme não carrega grandes atuações (excetuando a do próprio diretor) e em muitos momentos o que vemos são monólogos que evocam o sobrenatural e religião, que são desafiadas por Zé constantemente. Alias, nosso querido Zé do Caixão não acredita no além nessa sua primeira aparição cinematográfica. O que Zé quer é a continuação do seu sangue, um filho, mas sua esposa Lenita, infértil, não consegue brindar o coveiro com seu desejo. Zé não vai desistir, mesmo que para isso ele tenha que matar a esposa, seu melhor amigo e assim ter caminho livre para tentar a concepção de seu rebento com a noiva do mesmo pobre rapaz.

O visual do filme também impressiona, com certo toque expressionista em alguns momentos e outros que se utiliza de uma linguagem cartunesca, fazendo algumas cenas soarem experimentais e únicas. É notável como Mojica concebe um clima de suspense, mesclado a estranhamento se utilizando de poucos recursos. Um dos outros pontos interessantes de À Meia Noite Levarei sua Alma é o flerte do diretor com a sensualidade, mesmo que bem mais contida aqui, mas iniciando um estilo que desenvolveria em realizações seguintes, misturando o gore a mulheres sensuais e reverentes ao Mestre do Mal. O jogo psicológico que Zé do Caixão desenvolve com os moradores supersticiosos da pequena cidade ajuda a aproximar o expectador do medo que o próprio filme faz alusão.

As impressionantes seqüências concebidas para o epílogo do filme fazem À Meia Noite Levarei sua Alma ficar impresso na retina de quem o assistir. Difícil esquecer mesmo, pode soar underground e tosco nos dias de hoje, até pelo preconceito nacional que existe em cima desse polêmico e talentoso diretor, mas o público americano, bobo que não é, e acostumado a apreciar obras diferenciadas, reverencia o nosso Zé do Caixão (ou Coffin Joe para eles) como o mesmo merece: um verdadeiro Mestre!


Em época de remakes, na suas maiorias ruins, eis que surge o totalmente despretensioso A Hora do Espanto , dirão que respeita bastante o ori...

Em época de remakes, na suas maiorias ruins, eis que surge o totalmente despretensioso A Hora do Espanto, dirão que respeita bastante o original. Como sempre achei o de 1985 meio mais ou menos e não era um dos meus filmes queridos de infância, digo que essa versão assinada por Graig Gillespie, do ótimo Garota Ideal de 2007, consegue ser superior, mantendo a mesma pegada cômica com momentos de tensão que geram alguns sustos, mas com o diferencial de possuir bons atores como Anton Yelchin, Tony Collette e Collin Farrell, que dá um show como Jerry, o vizinho vampiro, além do sempre engraçado Christopher Mintz-Plasse.

A historia a maioria conhece e não muda quase nada, com poucas adaptações, narra as peripécias do mesmo Charley Brewster (Anton Yelchin), garotão que mora com a mãe (Toni Collette) e namora uma gatinha fogosa (Imogen Poots). Tenta perder a virgindade com a menina enquanto foge do ex-amigo mega nerd (Christopher Mintz-Plasse) que acredita que o vizinho de Charley é um vampiro sanguinário. O diretor não demora a armar o cenário para as investidas do vampiro Jerry contra a família e os amigos do rapaz. Tudo é bem acelerado, mas consegue manter a atenção do expectador, principalmente quando entra em cena o mágico popstar Peter Vincent (David Tennant), um sujeito picareta que se revela um profundo conhecedor da mitologia dos vampiros e que inevitavelmente vai ajudar Charley.

Hora do Espanto pode parecer tentar entrar na onda recente dos filmes de vampiro iniciado pela Saga Crepúsculo, mas pode funcionar também como um antídoto para a serie baseada nos livros de Stephenie Mayer, que em vários momentos é zombada durante o filme. O destaque principal sem duvida é o vampiro de Collin Farrell, que parece se divertir o tempo todo, criando uma áurea especial para o personagem. Claro que o filme pode ter um momento falho aqui e acolá, como a seqüência logo após o epílogo, totalmente desnecessária, o 3D se apresenta bem fajuto, como a maioria, mas no final o filme diverte bastante, que é ao que se propõe, alem de ser uma delicia ver vampiros sendo representados como merecem: verdadeiros monstros.

Nas minhas pesquisas sobre Giallos e sobre diretores que fizeram o gênero, como Mario Bava e Dario Argento , sempre esbarrava nessa ob...

Nas minhas pesquisas sobre Giallos e sobre diretores que fizeram o gênero, como Mario Bava e Dario Argento, sempre esbarrava nessa obra que recebe a curiosa alcunha de A Casa das Janelas Sorridentes. Considerada por muitos especialistas do cinema de terror italiano como uma de suas melhores realizações, o trabalho do diretor Pupo Avati não é um clássico “amarelo”, apesar de guardar algumas características, e se apresenta como um competente filme de serial killer e ainda devo dizer que nunca um assassino serial foi tratado de forma tão reverencial e artística.

A obra de Avati não tem o esmero visual de Argento, mas em compensação o diretor cria uma trama muito bem embasada de um restaurador que é convidado a uma cidade interiorana e bucólica para restaurar uma pintura de um artista local morto e um tanto macabro, conhecido como “o pintor da agonia”. A Casa das Janelas Sorridentes também não guarda a violência explicita de outras produções italianas da mesma época, mas Avati cria um clima de suspense permanente, com uma fotografia meio esmaecida e personagens tão estranhos quanto o pintor em questão.

Acompanhamos a fixação que o restaurador representado pelo ótimo ator Lino Capolicchio desenvolve pelo “pintor da agonia”, que de curiosidade passa a admiração e consequentemente se vê envolvido nos supostos assassinatos cometidos pelo artista e suas irmãs. Reza a lenda na cidadezinha, que o finado pintor gostava de registrar seus modelos em momentos derradeiros e que as suas sinistras irmãs que conseguiam as vitimas. O que torna o filme mais do que interessante é que o diretor demora a fazer suas verdadeiras revelações, deixando muito para o expectador e tornando o clima de mistério quase insuportável.

A Casa das Janelas Sorridentes ainda pode ser considerado um excelente suspense/terror psicológico, que definitivamente influenciou um bocado de diretores, não seria estranho se diretores como David Fincher viessem beber dessa fonte. O estilo de Avati parece tão atual ou até mais ousado do que concepções mais recentes. O epílogo magistral dessa pequena jóia mostra o quanto esse filme deve ser redescoberto.

Obra-Prima esse Suspiria , o refinamento do refinamento no cinema de Dario Argento , é o típico: o que era bom ficou melhor. Feito dois anos...

Obra-Prima esse Suspiria, o refinamento do refinamento no cinema de Dario Argento, é o típico: o que era bom ficou melhor. Feito dois anos após o também maravilhoso Prelúdio para Matar, Suspiria parece transcender o próprio gênero chamado Giallo, que o próprio Argento ajudou a definir. Uma das características mais visível  do Giallo esta  lá, com o assassino que só é revelado no final, mesmo que aqui ele não apareça de luvas, mas suas mãos são tão peludas que poderiam ser consideradas luvas de veludo.

Calcado em um tom mais sobrenatural, Argento cria tensão e clima de suspense desde o primeiro minuto de exibição, quando Suzy Bannion (Jéssica Harper), bailarina americana que vai estudar na Alemanha do filme, pega um táxi no aeroporto em meio a uma tempestade. Acompanhamos o carro atravessar a cidade e uma tenebrosa floresta antes de chegar a Escola de Dança pretendida. Nesses breves 15 minutos iniciais, o expectador já fica na espera de algo acontecer e Argento não se furta em fazer acontecer, nos brindando com talvez a melhor seqüência do filme, minuciosamente tramada e culminando num assassinato duplo que provavelmente deve ser um dos mais belos de sua filmografia.

Suspiria é uma obra que tive a oportunidade de conferir em alta definição, assim como Um Corpo que Cai de Hitchcock foi um dos filmes que mais me impressionou assistidos nesse formato. Com seus tons extremamente vermelhos, escuridões clareadas por trovões, a fotografia salta aos olhos e o filme de Argento parece vivo, com quadros que espiam as alunas ou papel de paredes que parecem criar espirais, causando até momentos de sensação de vertigem. O diretor parece se preocupar com os mínimos  detalhes da cena, como um isqueiro que também é relógio ou uma faca perfeita para reluzir a luz no rosto da protagonista, iniciando uma seqüência que parece ter sido copiada descaradamente por Aronofsky para o seu Cisne Negro. 


Assistir Suspiria é se envolver em uma anti-fábula, regida por um diretor que cria momentos mágicos, mesmo que sejam tensos, macabros e sangrentos. Uma rendição a Dario Argento e o seu esmero audiovisual para conceber narrativa. Dos assistidos de Dario Argento, devo dizer que Suspiria desbancou Prelúdio para Matar. Um filme que me fez perceber que sou fã de mais um diretor italiano, tão talentoso quanto seus compatriotas considerados mais artísticos.

Todo cinéfilo que se preze sempre se pega assistindo filmes tecnicamente ruins ou desprezados, não sou diferente e como sofro de uma insônia...

Todo cinéfilo que se preze sempre se pega assistindo filmes tecnicamente ruins ou desprezados, não sou diferente e como sofro de uma insônia crônica que de vez em quando vem me visitar, passo algumas madrugadas me rendendo as porcarias que costumo gravar da TV a cabo, que em minha opinião na maioria das vezes acabam funcionando como bons soníferos. Em alguns casos, a trama consegue me prender e assisto até o final, como os dois filmes que escreverei brevemente abaixo, já que nem valem uma resenha completa:

- O Tatuador (The Tattooist/Peter Burger/2007)

Produção neozelandesa, O Tatuador é um filme de terror de maldição genérico. Ao estilo O Chamado e O Grito, com trama previsível e fraquinha, mas que consegue segurar o expectador com o mistério do sumiço do filho de um dos personagens principais. Não tem atores conhecidos, mas apresenta um folclore interessante com as tatuagens tribais agressivas e violentas da ilha de Samoa, que funcionam como o meio da maldição agir, assim como a “fita que mata” em O Chamado. Totalmente dispensável, mas talvez também funcione em grupo, com muita pipoca, refrigerante e de preferência chovendo;





 - O Justiceiro Mascarado (Franklyn/Gerald McMorrow/2008)

Esse é a típica produção que pleiteava mais, com nomes conhecidos como Ryan Philipe, Eva Green e Sam Riley, mas algo deu errado, talvez na sala de edição ou com a própria confusa trama, que coloca três historias ao mesmo tempo, uma de uma jovem suicida (Eva Green), outra de um sujeito que acabou de terminar um relacionamento (Sam Riley) e outra de uma espécie de herói soturno (Ryan Philipe), que vive em um mundo surreal, aonde todos tem alguma espécie de religião bizarra. Claro que perto do epílogo as historias se cruzam, mesmo que não explicando muito bem as coisas, mas a má condução do filme acaba fazendo o expectador ficar até o final para ver no que vai dar. Agora, por que diabos o titulo original se chama Franklyn?! Não existe nenhum personagem com esse nome e em nenhuma passagem é citado algo parecido. Um titulo bizarro e estranho, apropriado para o filme em questão.  


Se você é como eu, vez ou outra se perde vendo filmes ruins na madrugada, pode se deparar com exemplares tão “bons” quanto esses. Não engrandece em nada culturalmente, mas de repente pode divertir ou ainda dar sono, o que no final pode ser bem melhor.

Apesar de ter assistido apenas quatro obras de Dario Argento , percebi que uma coisa é fato, o cinema do “melhor diretor de Giallos” é um ta...

Apesar de ter assistido apenas quatro obras de Dario Argento, percebi que uma coisa é fato, o cinema do “melhor diretor de Giallos” é um tanto fetichista, com as mãos dos assassinos cobertas por luvas ou os pés calçados com belos escarpins vermelhos, como nesse Tenebre de 1982, ou ainda a violência que surge sempre de forma esmeradamente estilizada e que parece causar prazer tanto ao seu criador quanto ao expectador, que fica abismado com o detalhismo que Argento usa para conceber suas mortes.

Nos Giallos de Argento, as atuações são meras composições para que o mais importante aconteça: os assassinatos, sejam eles a navalhadas, a machadadas, empalados por lanças ou por estrangulamento. Argento cria toda uma atmosfera, com uma trilha sonora incisiva e sua câmera subjetiva, para que o intento soe como arte e faça o expectador delirar com todas aquelas situações macabras que pipocam na tela. Desde um cão perseguindo uma menina indefesa até o epílogo sensacional, passando por uma seqüência em que a câmera explora um prédio em seus mínimos detalhes antes de nos brindar com o assassinato de duas moças. 

A trama de Tenebre também funciona como um subterfúgio para todo o espetáculo sangrento proposto por Dario Argento: um escritor de livros de suspense começa a ser perseguido por um fã-assassino que parece matar em seu nome. Argento não chega a ser tão gore quanto outros diretores de Giallos, como Lucio Fulci que parece ter subvertido o gênero, mas certamente apresenta uma obra que é referencial para o cinema de terror. Prelúdio para Matar ainda é meu preferido desse diretor, mas Tenebre certamente vem logo abaixo, isso por enquanto, porque sei que a sua filmografia guarda pequenas obras-primas.

Ranking Pessoal Dario Argento:

1º - Prelúdio Para Matar (Profondo Rosso/1975)
2º - Tenebre (Tenebrae/1982)
3º - Jogador Misterioso (Il Cartaio/2004)
4º - Giallo – Reféns do Medo (Giallo/2009)

Álex de La Iglesia é um diretor que inacreditavelmente não foi descoberto em Hollywood, talvez seu estilo ultra-violento, meio nonsense, me...

Álex de La Iglesia é um diretor que inacreditavelmente não foi descoberto em Hollywood, talvez seu estilo ultra-violento, meio nonsense, meio surreal, meio bizarro, não tenha se encaixado em nenhuma produção americana de primeira linha, tendo feito fora da sua Espanha apenas o pouco visto The Oxford Murders, com o frodo Elijah Wood. Porém, em produções espanholas, como A Comunidade de 2000, o diretor mostrou que tem talento para contar historia com personagens desajustados, ressaltado em 800 Balas de 2002 e comprovado amplamente com esse Balada do Amor e do Ódio.

Escrito pelo próprio diretor, Balada do Amor e do Ódio, é um filme que retrata a disputa de dois palhaços pelo amor da bela trapezista Natalia (Carolina Bang) do circo aonde trabalham. Sergio (Antonio de la Torre) é o palhaço principal, o que faz as crianças rirem, mas quando esta fora do trabalho é violento, mal humorado, espanca qualquer um que se engraçar com ele ou com Natalia. Javier (Carlos Areces) é o palhaço triste, daqueles que passam boas e poucas no picadeiro, descendente de uma família de palhaços, que no inicio do filme remontam a guerra civil espanhola (em cenas impressionantes) para contar sua própria historia e dos familiares que eram revolucionários. Natalia se envolve com os dois, e um conflito acaba sendo inevitável.

A trama poderia sugerir um filme de romance/drama, mas Álex de La Iglesia subverte os gêneros, colocando muita violência e fetichismo no filme, o amor acaba ficando em segundo plano e tudo descamba para obsessões e perversões. Javier, que deveria ser o mocinho, em certo momento é tão vilão quanto Sergio e vice-versa. Os palhaços aparecem personificados como verdadeiros monstros, tornando tudo muito exagerado e criando um clima de desordem e terror, mas a intenção do diretor deve ter sido essa mesma. A obra também parece ter um tom reverencial ao mundo dos palhaços, mesmo que de uma maneira censurável ou amoral.  Balada de Amor e Ódio, mesmo que não agrade a todos, é um sopro de originalidade no meio de tantas repetições.

O parco trailer de Apollo 18 – Missão Proibida exibido nos cinemas, não sugere tanto que o filme possa ser um mockumentary , talvez a inten...

O parco trailer de Apollo 18 – Missão Proibida exibido nos cinemas, não sugere tanto que o filme possa ser um mockumentary, talvez a intenção deva ser essa mesmo, até porque esse estilo de produção costuma afastar o publico e na sala, até que tinha alguns incautos expectadores. Às vezes fico pensando qual a motivação para se realizar uma obra com algum potencial nesse formato: redução de custos? Talvez. Parecer mais real? Não sei. O certo é que tirando o pioneiro Bruxa de Blair de 1999, quase nenhum filme nesse formato teve impacto. Por isso,  a intenção de Apollo 18 – Missão Proibida de ser o Bruxa de Blair no espaço seja tão explicita.

A premissa é até interessante: astronautas são mandados a lua, para investigar seu lado escuro, coletar amostras e fazer filmagens do local, só que algo dá muito errado (oras). O filme sugere que as filmagens são as reais, resgatadas dessa missão, que historicamente não aconteceu, mas que foi o motivo para os americanos não mandarem mais vôos tripulados a Lua. Quer dizer, ainda tem um fundo de mito na historia, mas tudo acaba parecendo um pouco insosso ou enfadonho, com tantas cenas sem sentido, amostrando os astronautas fazendo suas necessidades ou escutando musica ou ainda com tantos termos técnicos usados nas transmissões. O terror mesmo demora a acontecer, mas quando aparece são em poucas cenas, até bem orquestradas, que criam uma forte tensão e sentimento de claustrofobia, e fazem dar saudades dos bons filmes de nave espacial, que tem feito falta ao cinema.

A produção americana comandada pelo desconhecido diretor espanhol Gonzalo López-Gallego, deve receber mais a alcunha de bom do que ruim, mas esse estilo mockumentary torna as coisas um tanto impessoais e de difícil identificação com os personagens. Muitas vezes, parece ser até uma desconstrução do cinema: sem trilha sonora, enquadramentos péssimos e som terrível, mas que merece o seu respeito. Enfim, com um pouco de paciência, se consegue assistir Apollo 18 – Missão Proibida e de repente, até se divertir.

Um dos representantes de melhor qualidade dos filmes de terror com temática rural realizados nos anos 70 nos EUA, que teve como o maior expo...

Um dos representantes de melhor qualidade dos filmes de terror com temática rural realizados nos anos 70 nos EUA, que teve como o maior expoente em O Massacre da Serra Elétrica de Tobe Hoper em 1974. Quadrilha de Sádicos se mostra como uma obra visceral e pulsante ainda nos dias de hoje. Em sua segunda realização, o diretor Wes Craven, talvez tenha concebido sua melhor obra, mesmo depois tendo realizado o cultuado A Hora do Pesadelo, que com certeza é mais representativo para sua carreira.

Craven foi genial em colocar um dos melhores prazeres da família media americana, que é cruzar o país em seus moto-homes, em uma situação extremamente aterrorizante: o veiculo quebrado no meio de um deserto inóspito, aonde são espreitados por uma quadrilha de sádicos, como o próprio titulo nacional sugere, frutos, provavelmente, de mutações sofridas por constantes testes nucleares realizados nos arredores. O diretor usa uma câmera quase documental, com uma fotografia pigmentada que exalta em muito a sensação doentia que a trama passa: pessoas normais e até um bebê em meio a loucos que tem como intenção devora-las.

Claro que Quadrilha de Sádicos, pode soar mais light para públicos acostumados ao porn-torture atual. O terror demora um pouco a acontecer, criando um clima angustiante, e quando explode, é de maneira violenta e crua, focando muitas vezes o rosto dos atores bem de perto, para captar bem seus sofrimentos. Ainda ganhou um remake interessante em 2006, intitulado Viagem Maldita, mas que apesar das boas qualidades, não ficará marcado na historia do cinema como esse.

Totalmente desnecessária mais uma seqüência/remake para a franquia Pânico criada em 1996 pelo diretor Wes Craven , mas quantas continuaçõe...



Totalmente desnecessária mais uma seqüência/remake para a franquia Pânico criada em 1996 pelo diretor Wes Craven, mas quantas continuações/refilmagens dispensáveis não vêm sido lançadas ultimamente? E até que Pânico 4 diverte, mesmo sem causar medo em ninguém.

A trama de Pânico 4 não é das mais misteriosas, Sidney Prescott (Neve Campbell), depois de dez anos ausente da cidade de Woodsboro, retorna para divulgar o livro que escreveu, dando seu ponto de vista dos assassinatos que presenciou. A sua visita a cidade faz desencadear uma nova onda de crimes protagonizados pelo serial killer Ghostface e claro que as desconfianças caem em cima de todos.

Personagens clássicos da franquia, como o policial Dewey Riley (David Arquette) e Gale Weathers (Courteney Cox) estão lá, com a adição de Jill Roberts (Emma Roberts), sobrinha de Sidney e que representa o mesmo papel que consagrou Neve Campbell. As tradicionais referencias a filmes de terror também não poderiam ficar de fora, mas desta vez satirizando os remakes e os filmes porn – tortures, como Jogos Mortais, tão comuns nesse inicio de século 21. O filme ainda tem um monte de participações e coadjuvantes famosos, como Anna Paquin, Hayden Panetiere, Kristen Bell, Rory Culkin, Adam Brody e Anthony Anderson, o que acaba sendo uma atração à parte assistir a morte de todos eles.

Pânico 4 é um filme totalmente previsível, do inicio ao fim, mas consegue ser cool e ter um bom ritmo, dando – se ao luxo de homenagear Giallos, Slashers e uma cena de veneração explicita ao Iluminado de Stanley Kubrick. Em certo momento um dos personagens cita uma das novas regras dos filmes de terror: o remake deve ser superior ao original, talvez Wes Craven não tenha conseguido, mas atinge uma outra nova regra: não ofender o original.   

  Até pelo titulo em português, Repulsa ao Sexo pode sugerir um filme dramático, com enfoque em uma pessoa que tem problemas de ordem se...


Até pelo titulo em português, Repulsa ao Sexo pode sugerir um filme dramático, com enfoque em uma pessoa que tem problemas de ordem sexual, diferente do que ele realmente é, pegando até um expectador desavisado, pois a obra do diretor Roman Polanski ainda tem a estrela Catherine Deneuve no auge da beleza. A repulsa do titulo original, com certeza, está mais relacionado à vida da personagem principal.

Esse segundo trabalho desse talentoso diretor na verdade é um forte suspense psicológico que vai numa crescente até tornar – se em um terror dos mais nauseantes e Polanski consegue tudo isso usando apenas um apartamento devidamente mal cuidado, mas apresentando uma atriz em estado de graça, que faz o filme funcionar totalmente. A visão de Carole (Catherine Deneuve) com aquele olhar distante, totalmente transtornada se transforma em uma característica marcante que atesta o estranhamento e a capacidade de Polanski em cria ambientes tenebrosos e claustrofobicos.

Talvez, Repulsa ao Sexo tenha sido um ensaio para O Bebê de Rosemary, obra prima desse diretor que viria um pouco em seguida. Muito de um está no outro, até os personagens femininos são parecidos, acometidos com problemas que aparentemente não existem, mas que as transforma de maneira perturbadora, chegando a atingir o expectador, pois é difícil não ficar nervoso com as situações apresentadas. 

Na trama, Carole é uma menina de família que mora com a irmã mais velha. Trabalha em um salão de beleza e namora um belo rapaz, mas na sua vida tudo parece a incomodar. Ela não gosta do noivo da irmã, seu namorado a irrita, querendo sexo e para piorar sua irmã sai em uma viagem, deixando – a sozinha em casa. A partir desse momento, dentro de sua distopica mente, o apartamento em que mora se volta contra ela, com direito a estupradores perversos e alimentos apodrecendo pela casa. Uma cena das mais agonizantes é criada naquela local, um verdadeiro pesadelo, que parece não ter fim, mas que tem e não é dos melhores.

A mencionar, a produção ainda possui uma trilha sonora que marca e exalta os momentos mais tensos do filme, ora baixinha como se quisesse preparar para as seqüências mais pesadas que estejam para vir, a trilha é muito importante para essa realização, até porque o filme chega a ter longos momentos sem dialogo, pois Carole sofre sozinha em uma aparente mistura de esquizofrenia e depressão. Os efeitos visuais, até simples, compõem muito bem as visões terríveis da moça, que ganham força com a fotografia em preto e branco. É notável também a atuação de Catherine Deneuve, uma atriz que se entrega ao personagem de maneira incrível e realista. Repulsa ao Sexo, definitivamente, é um filme que pode ser incluído na lista dos pontos altos da filmografia do diretor Roman Polanski, mostrando que o terror muitas vezes está em nossa cabeça.

Hobo with the Shotgun (algo como Um vagabundo e sua Espingarda) é mais uma obra baseada em um dos trailers falsos do projeto homenagem exp...


Hobo with the Shotgun (algo como Um vagabundo e sua Espingarda) é mais uma obra baseada em um dos trailers falsos do projeto homenagem exploitation Grindhouse, dirigidos por Quentim Tarantino e Robert Rodriguez. Parece que o sucesso de Machete acabou impulsionando a produção dessa louca aventura protagonizada por Rutger Hauer, um filme que explora a violência ao maximo, as vezes até cansando um pouco o expectador, mas que tem seus momentos, principalmente quando Hauer e a bela prostituta Abby (Molly Dunsworth) estão em cena.

A trama é um fiapo, Hobo (Rutger Hauer) é um sem – teto que acaba de chegar em Fodopólis (isso mesmo, é o nome da cidade), logo ele percebe que a cidade esta tomada pela violência e drogas distribuídas pelo vilão Drake (Brian Downey) e seus insanos filhos. Ao salvar Abby de um ataque, Hobo percebe que tem que limpar a cidade, para isso ele precisa de uma espingarda calibre 12, que consegue no primeiro duelo realizado dentro de uma loja de armas.

Hobo with the Shotgun é um filme que não se leva a serio, também não teria como ser diferente, mas a chance de ver Hauer protagonizando novamente uma produção depois de tanto tempo acaba se tornando o grande atrativo. Uma obra que tem muito sangue jorrando, cabeças decepadas, corpos dilacerados, seqüências sado-maso, um cinegrafista que adora filmar sem – tetos apanhando e até um guerreiro medieval conhecido como A Praga, que serve como o ultimo artifício do vilão Drake para tentar domar Hobo.

A realização do diretor estreante em longas, Jason Eisener, que também dirigiu o trailer falso de Grindhouse é uma obra que diverte, mas que pode deixar o expectador meio enjoado e em comparação a obra irmã Machete perde em simpatia, até por ter atores menos conhecidos. Nota 6,5.

O Gabinete do Dr. Caligari é uma cultuada obra do cinema alemão que é considerada por muitos como um anti – manifesto expressionista, na v...


O Gabinete do Dr. Caligari é uma cultuada obra do cinema alemão que é considerada por muitos como um anti – manifesto expressionista, na verdade, o filme é uma interpretação visual da arte, da literatura e da arquitetura expressionista, com traços tortos, ângulos desconexos e narrativa que fogem de tradicionais soluções mais simplistas.
A historia é baseada em uma lenda do século XII, em que um monge manipula um sonâmbulo que acaba cometendo alguns assassinatos e atormentando uma cidade inteira. A lenda é atualizada e transposta para a época do filme, criando assim, talvez, um dos percussores dos filmes de assassinos seriais.
A realização do prolífico diretor Robert Wiene, considerado por muitos um realizador de segunda, é uma produção quase artesanal, que tem uma narrativa bem visual, com a excelente trilha sonora que da o tom das cenas, hora mais tensas ou mais dramáticas. Por ser um filme mudo, pode – se demorar um pouco a se conectar a trama, até pela dinâmica diferenciada, mas os closes que terminam em cortes e que abrem em outras cenas ajudam a dar uma edição mais rápida que acaba prendendo bem a atenção do expectador.
Acerca do diretor Robert Wiene, vale ainda ressaltar que apesar do sucesso do filme, ele acabou sendo bastante descriminado no seu país natal, por ter feito uma obra acusada de ter forte temática judaica e por isso não conseguiu emplacar mais nada substancial na Alemanha, principalmente por o país estar envolvido em iminentes guerras.
O Gabinete do Dr. Caligari ainda é um filme com cenas marcantes, principalmente as que o sonâmbulo Cesare aparece ou a seqüência final em que o Dr. Caligari (Werner Krauss) é perseguido até um asilo, aonde o mistério é revelado. Uma obra obrigatória para qualquer cinéfilo que se preocupe com a historia do cinema. Nota 10.

  Após 40 anos preso, o coveiro Josefel Zanatas ou Zé do Caixão ( José Mojica Marins ) é libertado e tem sede de sangue e sexo. Ao lado do ...


Após 40 anos preso, o coveiro Josefel Zanatas ou Zé do Caixão (José Mojica Marins) é libertado e tem sede de sangue e sexo. Ao lado do seu fiel servo Bruno (Rui Resende) procura por uma mulher que possa gerar seu filho perfeito, a continuidade do seu sangue, como o próprio diz.
No meio dessa jornada, Zé do Caixão vai espalhar muito sangue, arrancar tripas, escalpos, visitar o purgatório e desafiar crendices populares. Além de ter que enfrentar antigos inimigos como o coronel Miro (Jece Valadão) e seu irmão o Capitão Pontes (Adriano Stuart) e novos inimigos como o Padre Eugenio (Milhem Cortaz), filho de um medico que foi vitima do temido coveiro.
Encarnação do Demônio é a volta de José Mojica Marins e suas indefectíveis unhas ao cinema, e olha que o estranho senhor retorna muito bem. Mojica cria uma obra que envolve todo o folclore criado entorno de sua pessoa, explorando o estranho ao extremo, além de criar um filme super ousado para os padrões do cinema nacional.
Antes do inicio do filme, aparece uma legenda dizendo que a obra foi bancada por uma lei de incentivo a filmes de baixo orçamento, sinceramente, nem parece um filme B. A realização é repleta de bons efeitos, alguns bem realistas. A aparição dos fantasmas do passado que voltam para atormentar o coveiro são de gelar a espinha, com destaque para a cena em que uma das mulheres mortas por Zé aparece dilacerada e com varias aranhas enormes saindo do seu ventre.
Um dos outros acertos é a historia ser ambientada em uma favela paulista, com seus terreiros de candomblé e personagens bizarros como as bruxas gêmeas cegas, o lugar certo para criar o clima underground necessário para a trama se desenvolver.
A produção tem boas seqüências, como a da abertura, quando vão soltar Zé do Caixão ou os flashbacks de filmes anteriores como A Meia Noite Levarei sua Alma e Esta Noite encarnarei no teu Cadáver, que inserem as antigas noivas mortas pelo coveiro. Ainda é um filme repleto de frases de efeitos proferidas pelo coveiro e por suas novas noivas, aliás, uma das minhas noivas preferidas é Helena (Nara Sakare), linda e sensual, que protagoniza uma cena de sexo com Zé repleta de sangue. Uma das ressalvas é a obra dar muita importância as cenas gores, que em certo momento cansa um pouco e que acaba deixando um pouco a trama de lado.
Encarnação do Demônio é uma realização que não deixa nada há dever a muitos filmes de terror americanos mais recentes, com direito a uma luta de facas no epílogo. Explora bem as crendices populares brasileiras, ousando com diversas cenas de nu frontal e sexo e utilizando ótimos atores esquecidos como Jece Valadão e Adriano Stuart. Nota 07.


  Prelúdio para Matar é obra prima dos Giallos, filmes de suspense italianos que envolvem assassinos em serie, investigações, mortes vio...


Prelúdio para Matar é obra prima dos Giallos, filmes de suspense italianos que envolvem assassinos em serie, investigações, mortes violentas (principalmente de mulheres) e luvas. Essa obra dirigida por Dario Argento, um dos mestres do gênero, narra a historia de Marcus Daly (David Hemmings), um pianista que presencia o assassinato de uma paranormal e ao lado da repórter Gianna Brezzi (Daria Nicolodi) se vê envolvido na investigação do estranho crime e de outros assassinatos subseqüentes.  
O diretor e roteirista da obra Dario Argento constrói um suspense psicológico, violento e com certas pitadas de humor, em que muitos dos melhores momentos se vêem apenas a mão do assassino vestida em uma elegante luva, o rosto é revelado apenas no final. A produção também demonstra uma estética forte e trilha sonora que caracteriza bem as principais cenas de tensão.
O interessante é que em alguns momentos o filme demonstra certa sensibilidade para os personagens, principalmente quando Marcus e Gianna começam a se envolver ou quando Marcus visita a casa de um rapaz homossexual envolvido com um dos músicos com quem toca. Como não sou um perito nesse tipo de gênero, não sei se também é uma característica dessas produções.
O filme tem seqüências que me agradaram muito, com destaque para as passadas dentro de uma antiga mansão, aonde parte do mistério se resolve. As cenas aonde se revelam o verdadeiro assassino são bem impactantes, com todo aquele jogo de espelhos e o flashback que mostra o verdadeiro motivo dos assassinatos é forte e ousado.
Prelúdio para Matar é uma obra que atinge a excelência no que se propõe e que influenciou uma centena de filmes, principalmente os slashers e gores americanos. Ainda lançou uma boa parte dos diretores italianos da década de 70 e 80, que fizeram suas estréias em Giallos, como o próprio Dario Argento, Lucio Fulci e Mario Bava, que praticamente criou o gênero. Uma produção que une diversão e arte na medida certa. Nota 10.

P.S: Agradecimentos ao Blog Pudim de Cinema pela interação e indicação dessa obra e diversas outras do gênero que pretendo assistir.