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Claro que quando aparece uma obra dotada de qualidades sempre aparecem pessoas incensando o trabalho mais do que deveria, é o caso de muit...



Claro que quando aparece uma obra dotada de qualidades sempre aparecem pessoas incensando o trabalho mais do que deveria, é o caso de muitos críticos que elevaram essa realização ao nível de filmes como O Poderoso Chefão. Não que O Profeta seja ruim, na verdade é muito bom, mas depois de tantos comentários esfuziantes a época do lançamento da película, culminando em uma indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro, fui cheio de expectativas de uma obra prima, que não se concretizou e ate que foi bom ter dado um tempo para a obra se assentar.

Visto, é evidente que Tahar Rahim é o nome que faz O Profeta, do diretor frances Jacques Audiard ser um filme notável. O ator francês, descendente de argelinos, constrói de maneira visceral o personagem Malik El Djebena, árabe, mas inacreditavelmente desligado da religião, que é condenado a seis anos de prisão em um presídio comandado por italianos ou corsos como são chamados no filme. Atrás das grades e sem amigos, Malik começa a ser assediado por sodomitas, uma solução para não cair nos constantes estupros aparece, na verdade acaba sendo imposta: cometer um assassinato dentro do presídio para os mafiosos corsos e assim ganhar proteção. Essa seqüência acaba sendo uma das mais impressionantes da obra, tensa e crua, além do fantasma da vitima, um conhecido criminoso árabe, tornar – se a consciência de Malik durante todo o filme. Nesse momento, entra a outra figura marcante de O Profeta, o mafioso César Luciani (Niels Arestrup), violento e extremista, que não poupa esforços para alcançar seus objetivos. Luciani, inicialmente, trata Malik apenas como um empregado, mas logo o árabe começa a ter importante papel nas transações do criminoso.

Um dos acertos de O Profeta é a edição acelerada, que traz o expectador praticamente para dentro do filme. A realização também trata bem do submundo, mostrando as conexões que criminosos podem ter dentro e fora do presídio, o trafico de drogas e subsequentes desfechos familiares. Não é um filme repleto de seqüências de ação, mas possui algumas marcantes e de tirar o fôlego, como um impressionante tiroteio dentro de um carro. A obra também tenta dar ao personagem um toque mágico, como se Malik fosse um vidente, por isso o titulo O Profeta, mas acho que essa premissa é pouco desenvolvida na trama, mas que não chega a desmerecer o filme.