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A estréia do ator Marco Ricca na direção com Cabeça a Prêmio se mostra um tanto insossa, assim como o filme, que apesar de apresentar pers...

A estréia do ator Marco Ricca na direção com Cabeça a Prêmio se mostra um tanto insossa, assim como o filme, que apesar de apresentar personagens interessantes, como o criminoso descontrolado representado por Otávio Muller ou o piloto de avião hermano (Daniel Hendler) que se entrega a justiça para testemunhar contra o ex-empregador, não engrena em nenhum momento, tornando-se uma sessão com alguns momentos que parecem intermináveis ou outros bem enfadonhos.

A trama até promete no que poderia ser um filme interessante sobre corrupção, ilegalidade e no meio disso tudo um romance, mas os personagens parecem mal desenvolvidos e as cenas um tanto contemplativas, tirando o bom ritmo que o filme poderia ter. Fúlvio Stefanini não convece como uma espécie de mafioso e até Alice Braga aparece um tanto preguiçosa em cena. Os leões de chácara defendidos por Cássio Gabus Mendes e Du Moscovis acabam sendo o que a realização apresenta de melhor, os personagens são parceiros, mas se antagonizam e o bom-humor de Cássio Gabus Mendes é um alivio em meio a uma obra que pleiteia ser tão sisuda.

Cabeça a Prêmio, apesar de fraco, não chega a se comparar a péssimos produtos nacionais lançados recentemente, mas a pretensão do diretor em tentar tornar tudo crível cria um filme que busca fugir das costumeiras obras nacionais de forte enfoque violento e criminal, como os recentes Tropa de Elite e Cidade de Deus. A falta de ação pode fazer a produção soar chata e desinteressante, tanto que em certo momento, talvez percebendo que as coisas não estavam funcionando e na intenção de tornar a obra mais simpática, o diretor cria uma reviravolta, aonde enfia uma improvável sub-trama homossexual na historia.