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Produzido na Estônia, um país sem muita tradição cinematográfica, A Classe , que chegou a ser cogitado para concorrer na premiação do Oscar ...

Produzido na Estônia, um país sem muita tradição cinematográfica, A Classe, que chegou a ser cogitado para concorrer na premiação do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2008 é uma contundente abordagem do universo adolescente e estudantil baseado em um fato real. Em tempos de bullying e burnout, a obra dirigida pelo diretor local Ilmar Raag é daqueles filmes para se assistir com “sangue nos olhos”, um soco no estômago mesmo, como se o próprio filme quisesse fazer sentir a violência exibida ao expectador.

Inicialmente, torna-se inevitável a comparação com Elefante de Gus Van Sant, mas diferente da forma contemplativa da tragédia de Columbine amostrada por Van Sant, A Classe é um filme com uma linguagem narrativa muito mais ágil, fazendo o expectador muitas vezes se ajeitar na poltrona para ver o que virá a seguir e o que vem é dolorido, tenso, fazendo a boca secar e a pulsação aumentar. Porque o que vemos é uma seqüência de violências que levam a mais violência, tanto mental quanto física e tudo impressionantemente realístico. O diretor Ilmar Raag concebe com propriedade, separando todos os lamentáveis atos em capítulos que representam muito bem esse tipo de violência praticada em escolas e que em algum momento da vida nos já vimos acontecer, mesmo que mais contida, mas não deixando de ser opressão.

Na trama, um dos alunos resolve defender um outro que sofre diariamente com humilhações e coação, sendo assim mal visto pelos antigos colegas e consequentemente acaba sendo vitima das mesmas atrocidades. Apesar de focar muito mais nas afrontas, a trama nos amostra também alguns elementos que ajudam a criar o clima insustentável que se forma, como o pai violento que não aceita que o filho seja surrado e obriga o mesmo de forma violenta que revide, quer dizer, o garoto já sofria bullying dentro de casa ou os professores que parecem querer resolver o problema, mas só se preocupam com o fato dentro de sala ou de maneira institucional, até porque a mentalidade está criada e infelizmente eles ficam de mãos atadas e parecem não ter muito que fazer.

O interessante é que o filme mostra como a situação toda é vista de maneira invertida, claro que mais violência não é a solução, mas assim como em Elefante a situação é tão sem saída que o desfecho parece ser inevitável e Raag concebe a seqüência final de uma maneira que há essa inversão mesmo, os vilões do filme são visto como vitimas, mas não deixam de ser também, tão vitimas quantos os pobres garotos (alias, todos são vitimas de uma sociedade que procura não se adaptar ao que é diferente). Alguns vão acusar A Classe de ser sensacionalista, mas vejo como um diálogo mais do que interessante sobre esse polêmico tema que já rendeu outras tragédias em paises com culturas diferentes, mas uniformizados pela mesma ignorância. Um filme obrigatório, que deveria ser exibido em praça publica e não ficar relegado a cinéfilos.