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Jean de Florette A Vingança de Manon Ambientado na França rural dos anos 20 e 30, baseado na obra literária de Marcel Pagnol e filmad...

Jean de Florette
A Vingança de Manon
Ambientado na França rural dos anos 20 e 30, baseado na obra literária de Marcel Pagnol e filmado simultaneamente, a dualogia Jean de Florette e A Vingança de Manon pode ser considerada um marco para o prolixo cinema Francês. Durante muito tempo a produção mais cara do cinema local é desses poucos casos em que se consegue conjurar sucesso de publico e de critica. Não é para menos, a maneira como o diretor Claude Berri conduz a historia até certo ponto simples é extraordinária, focando nos principais temas do texto de Pagnol, como ganância, tragédia, amor e vingança, Berri, que também os roteirizou, concebe com excelência as duas partes, difícil saber qual é melhor e apoiado por um elenco de excelentes atores no auge como Gerard Depardieu, Daniel Auteuil, Yves Montand e Emmanuelle Beart, a obra-prima fica completa.

O inicio de Jean de Florette passa a impressão de uma realização sensível sobre o relacionamento entre o senhor César Souberyan (Yves Montand) e o seu sobrinho Ugolin (Daniel Auteuil), que acaba de chegar da guerra e pretende viver de plantar flores, criando uma das primeiras belas seqüências com o homem ainda jovem se dedicando à plantação e surpreendendo o tio com o feito. Ledo engano sobre a temática, porque quando o dinheiro entra em cena a verdadeira faceta da dupla é revelada. Para produzirem em larga escala as belas flores, eles precisam da fonte de água que nasce no terreno adjacente e não se furtam a arrumar um acidente que leva a vida do velho vizinho, mas o que eles não esperavam é que Jean de Florette (Gerard Depardieu), um cobrador de impostos corcunda e sobrinho do falecido herdaria as terras e se mudaria com a esposa e filha para o local, ainda com o intuito de trabalhar como fazendeiro.

A construção do golpe de tio e sobrinho contra Jean é climatizada de forma lenta, mostrada na primeira parte ao longo de dois anos, quando a dupla veda o fluxo de água do terreno do corcunda, fazendo com que o mesmo sofra com a falta para a irrigação de suas plantações e hidratação de seus animais. É duro ver a determinação do homem para tentar manter tudo nos eixos, mesmo sendo boicotado o tempo todo pelos vizinhos e sofrendo retaliação da população local por ser um homem estudado e da cidade. Depardieu entrega uma atuação excelente, mas nessa primeira parte quem rouba a cena é Daniel Auteuil, deformado com próteses dentarias horríveis, o seu Ugolin é um personagem sórdido, daqueles que se passa por melhor amigo para depois apunhala-lo pelas costas. Apesar de todo o clima dramático, inserido em locações lindas e de difícil acesso, que tornam crível a penosa jornada de Jean, a parte um Jean de Florette é dotada de certo humor, que flui espontaneamente e de maneira maldosa e deixa o publico “espumando” de raiva para assistir a conclusão.

A segunda parte torna-se tão notável quanto à primeira por fugir de uma vendeta mais explicita da filha de Jean, interpretada nesse pela belíssima Emmanuelle Beart. A tal vingança é entendida pela cidade como um castigo de Deus contra as maldades feitas a Jean de Florette, já que a água para de fluir para todo o povoado. A trama pula uma década a frente, mostrando a dupla formada por César e Ugolin prospera nos negócios de flores e a filha de Jean, Manon, vivendo como uma eremita ao lado de uma mulher considerada bruxa nas colinas das terras de seu pai que agora pertencem à dupla de malfeitores. Nesse, Ugolin parece um tanto arrependido com os atos do primeiro filme e resolve pedir Manon em casamento (isso mesmo), mas a moça se apaixona pelo professor local, criando alguns momentos bem íntimos. Recheado de diálogos ácidos e perfeitos que fluem para discussões sobre as verdadeiras facetas da situação apresentada, A Vingança de Manon tem um fecho surpreendente e perfeito para a esmerada produção de Claude Berri.



Potiche – Esposa Troféu , a obra mais recente do prolífico diretor francês François Ozon , é um filme que faz uma homenagem escancarada à at...

Potiche – Esposa Troféu, a obra mais recente do prolífico diretor francês François Ozon, é um filme que faz uma homenagem escancarada à atriz Catherine Deneuve e sem duvida é uma delicia assistir à senhora Deneuve atuar, que ainda consegue sem manter em forma, mesmo com o inevitável avanço da idade. Os momentos com a atriz em cena são mágicos, principalmente a seqüência inicial, que dá o tom de fabula da historia, mostrando Suzanne Pujol (Catherine Deneuve) se exercitando no meio de uma floresta e vários animais aparecem para reverenciá-la, no melhor estilo desenho da Disney. As comparações com os clássicos Disney ficam por ai, e Potiche – Esposa Troféu mesmo com um tom leve, consegue ser uma obra feminista, desprendida e até certo ponto sexualizada.

Na trama, Suzanne Pujol é a esposa perfeita, mãe e avó afetuosa, preocupada com os afazeres do lar e descartada pelo marido (Fabrice Luchini) em situações de crise, como a que estão passando na fabrica de guarda-chuvas criada pelo pai dela. Suzanne não tem voz ativa, serve somente como um adereço para sua bela casa, um belo jarro, como o titulo sugere e sua filha coloca assim em certo momento. Um problema de saúde faz com que seu marido tenha que se ausentar do trabalho em meio a uma ferrenha greve dos funcionários. Na iminência da fabrica ser fechada, Suzanne assume o papel do marido e parece recolocar as coisas nos trilhos, com seu jeito terno, preocupado e liberal. A iniciativa da mulher acaba fazendo relembrar momentos da sua juventude e um romance com o agora deputado esquerdista Babin (Gerard Depardieu), mas o retorno do marido, possesso com as mudanças feitas pela esposa, acabam fazendo a vida de Suzanne tomar um outro rumo.

Potiche – Esposa Troféu, além de atuações divertidas de todo o elenco, que demonstram uma sintonia perfeita, apresenta um visual kitsch impressionante, meio brega, meio ultrapassado, mais luxuoso e cheio de cores que saltam os olhos e ajudam a conceber o clima nostálgico do filme. A trilha sonora, com canções pops francesas ainda criam momentos maravilhosos, como o do epílogo, quando Suzanne entoa uma canção que exalta como a vida pode ser bela. O filme tem algumas divertidas cenas de sexo protagonizadas por uma Suzanne mais nova, talvez até parodiando a própria Deneuve em A Bela da Tarde de Buñuel, caracterizando ainda mais o tom de homenagem a essa excelente e icônica atriz.