Indicação do Elson, um estimado leitor aqui do blog, The Woman é o típico filme que fica conhecido apenas pelo boca a boca, porque não tem apelo, na época boa das locadoras talvez até rendesse mais divulgação. Pena, porque um filme bom como esse provavelmente vai ser pouco visto. É inevitável a classificação dessa realização como um filme de terror, até porque tem uma considerável quantidade de gore imbuído na trama, mas de forma notável a historia rende interessantes interpretações, diria que algumas até filosóficas.
Na trama temos a família Cleek, típica interiorana americana, Chris (Sean Bridgers) é o pai, um advogado competente e que parece cuidar da família de uma maneira bem dura. Um dia caçando pelas florestas que envolvem sua propriedade se depara com uma Mulher (Pollyanna McIntosh) que vive como uma selvagem, aparentemente não teve contato com a civilização e ainda tende a ser bem violenta. Chris a captura, como quem captura um animal e a leva para casa com a intenção de domesticá-la, mas seria essa a verdadeira intenção do patriarca daquela estranha família?
Então, inicialmente vemos a família se revezando nos tratos da Mulher selvagem, mas logo percebemos que a intenção de Chris não é realmente civiliza-la. Ele que parecia um tradicional cidadão, se revela como um sádico, tão violento e selvagem como a Mulher, ao ponto de estuprá-la com requintes de crueldade. A sua família vive a mercê das imposições dele. A esposa parece não ter força para se levantar contra o marido, a filha mais velha tem tantos problemas com sua emergente vida adulta que parece não querer se preocupar com aquela pessoa presa no porão de sua casa, a filha mais nova ainda é muito criança para entender o que se passa, somente o filho homem parece se envolver com o que esta acontecendo e ainda admirar o pai, a quem se espelha em suas ações.
O que torna The Woman mais do que interessante é essa inversão de valores, como se o selvagem fosse o bom e o civilizado o mau ou como se mesmo o homem se achando civilizado na verdade é o instinto que nos move, seja para a maldade ou para bondade, mostrando uma linha bem tênue entre essas ações, até mesmo para os derradeiros acontecimentos relativos à Mulher. A direção de Lucky Mckee (que também escreveu), experiente com o gênero, é bem segura, infringindo uma boa tensão ao expectador, mas o tom existencialista poderia ser mais explorado, mas acho que a intenção do diretor era manter a pegada de horror, para assim impressionar o publico com as seqüências finais, assustadoras e chocantes. Um filme que se destaca pela originalidade e bem superior a muita produção mainstream.


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