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O principal tema de Eu. , escrito e dirigido por  Walter Hugo Khouri , poderia ser a formação de uma relação incestuosa, mas na verdade, o q...

O principal tema de Eu., escrito e dirigido por Walter Hugo Khouri, poderia ser a formação de uma relação incestuosa, mas na verdade, o que vemos é o tratamento ao egocentrismo do personagem principal Marcelo (Tarcisio Meira), milionário, poderoso, com mulheres de todos os tipos aos seus pés, desde prostitutas a letradas, passando por empregadas e culminando em uma obsessão por sua própria filha. Khouri constrói toda a trama de uma maneira até certo ponto terna, claro que com momentos extremamente sensuais e deliciosos. Acho eu, que nunca uma nuca feminina foi tão sexy como nessa obra, o símbolo do tesão de Marcelo.

Na trama, Marcelo reúne um time de beldades para passar o final de ano em sua propriedade localizada em uma paradisíaca ilha, para assim aproveitar tudo sozinho, como o mesmo cita, que não precisa ou liga para nada, a não ser para si mesmo. Nessa situação, temos as prostitutas que andam a tira colo (Nicole Puzzi, Monique Lafond e Monique Evans) e ainda aparecem para ebulir mais o local a filha Berenice (Bia Seidl) e a amiga psicóloga Beatriz (Christiane Torloni). Aparentemente o paraíso fica completo com tantas mulheres sexy a serviço de Marcelo, que não esconde o desejo de possuir todas, que de uma maneira ou de outra tentam desvendar a verdadeira face do caráter do homem.

Eu., ainda é um filme com diálogos mordazes e excitantes, trilha sonora que evoca sensualidade tanto quanta as belas mulheres que sempre pipocam com poucas roupas ou nuas em cena. Aliás, como são femininas essas mulheres de Khouri, colocando no chinelo muita gostosona musculosa de hoje. Elas seduzem com olhares, gestos de mão, balançar de cabelos, cruzar de pernas, um deleite para os olhos e sentidos, fazendo momentos que deveriam ser escatológicos, passarem quase que despercebidos e deixar o expectador com vontade de ser Tarcisio Meira, o ator está soberbo como o macho alfa, mostrando como deve se atuar, convincente ao extremo como sujeito poderoso, que passa por cima de tudo para obter prazer.

Se Eu., não é considerada a melhor obra de Walter Hugo Khouri, com certeza é a representatividade de um cinema nacional sem amarras, ousado e talentoso. Alguns cineastas brasileiros, desses globalizados, deveriam pegar a filmografia de Khouri e destrincha-la (como também quero fazer), para assim aprenderem como criar envolvimento de seus personagens com o publico e vice-versa, com cenas bem tratadas, sem pressa de construir a tensão e a excitação, que flui facilmente, e o epílogo, mesmo sendo polêmico, acaba deixando um sorriso safado no rosto do expectador.

  Baseado em um texto de Nelson Rodrigues, O Beijo no Asfalto , adaptado para o cinema pelo cineasta Bruno Barreto e com roteiro de Doc ...


Baseado em um texto de Nelson Rodrigues, O Beijo no Asfalto, adaptado para o cinema pelo cineasta Bruno Barreto e com roteiro de Doc Comparato, é a historia de Arandir (Ney Latorraca), funcionário de uma repartição, que presencia um atropelamento e na intenção de socorrer a vitima acaba sendo o primeiro a chegar ao local. O moribundo atropelado, na iminência da morte, pede que Arandir o beije, que prontamente atende ao pedido.

O caso acaba indo parar no jornal e Amado Pinheiro (Daniel Filho), um jornalista inescrupuloso, aproveita para tentar fazer o seu nome encima da historia. Criando assim uma discussão publica se a vitima e Arandir seriam amantes e levantando essa questão homossexual, então tratada como crime na historia, já que Arandir é casado com Selminha (Cristiane Torloni).

A obra também tem outros personagens importantes, como Aprígio (Tarcisio Meira), pai de Selminha e sogro de Arandir, homem serio que desconfia da índole do rapaz e possui uma estranha fixação por ele, com o verdadeiro motivo revelado no final. Dália (Lídia Brondi), irmã de Selminha, que aparentemente é apaixonada pelo marido da irmã e não acredita que Arandir seja gay e Cunha (Oswaldo Loureiro), o militar que vai ajudar Amado Pinheiro e fazer de tudo para provar a historia do jornalista, até mesmo torturar Selminha.

O Beijo no Asfalto é considerado por muitos como a melhor adaptação de Nelson Rodrigues para o cinema, se bem que gostei mais de Boca de Ouro de Nelson Pereira dos Santos, mas essa realização de 1981 é um filme que alcança excelência em quase tudo que se propõe, desde as atuações, totalmente criveis, a trama bem conduzida, que não dá ponto sem nó, aonde todos são suspeitos e com condutas pouco confiáveis, armando bem o cenário para um texto Rodriguiano.

O filme também tem cenas marcantes e ousadas, como a do banho de Lídia Brondi, em que a atriz aparece nua em pelo, em uma seqüência super sensual e que talvez levante mesmo suspeitas sobre a sexualidade de Arandir. A realização dialoga com temas tabus na época, como o já citado homossexualismo e até incesto, mesmo que de uma maneira velada, e tem um dos epílogos mais explosivos do cinema brasileiro. Um filme com seu lugar na historia. Nota 08.