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Em um passado nem tão distante assim as locadoras de vídeo mandavam na distribuição de filmes e muitas obras que saiam exclusivamente para h...

Em um passado nem tão distante assim as locadoras de vídeo mandavam na distribuição de filmes e muitas obras que saiam exclusivamente para home-video eram conhecidas e divulgadas somente nesses estabelecimentos, que hoje em dia soam cada vez mais retrós ou nostálgicos. Saudosismos a parte, um dos carros-chefe das locadoras eram os filmes de ação, alugados frequentemente e por qualquer tipo de publico, desde pré-adolescentes, passando por casais, grupo de amigos  e culminando em senhores de idade que representavam uma boa fatia desse bolo. Afinal, durante um bom tempo a maior diversão que se tinha era curtir um bom filme de ação, que assim como as locadoras, parecem em extinção, devido à falta de action-heros convincentes ou de apelo para o grande público, cada vez mais acostumado a adaptações de Hqs e remakes. Esses dois recentes exemplares que comentarei abaixo fariam sucesso facilmente em locadoras ou até no cinema há uns anos atrás e ainda tornaria seus protagonistas em astros:

- 12 Rounds (Renny Harlin/2009)

Realizado por um diretor que filmou muitos filmes de ação, como Duro de Matar 2 com Bruce Willis e Risco Total com Stallone, 12 Rounds é um triller de ação que almejava lançar o grandalhão John Cena como action-hero, uma espécie de novo Schwarzeneger, até pela semelhança física também. Claro que o ator não tem o carisma do ex-governator, mas consegue segurar bem a historia do sujeito que tem que passar por 12 desafios para reaver a esposa que foi seqüestrada por um criminoso que ele colocou nas grades há  tempos atrás. Nada mais clichê, nê? Mas Renny Harlin constrói um filme de ação ininterrupta que não soa chato, remetendo muitas vezes ao Duro de Matar, criando ainda aqueles impasses entre policiais locais e os do FBI que chegam para assumir o caso, além de mostrar uma seqüência extremamente tensa e bem realizada dentro de um ônibus. Foi exibido nos cinemas nos EUA, tendo uma bilheteria razoável de algo em torno de 6 milhões de dólares no primeiro final de semana, mas não passou perto de nenhuma sala por aqui, sendo relegado as locadoras sobreviventes ou a um download;

- Quebrando Regras (Never Back Down/Jeff Wadlow/2008)

Lançado um pouco antes do Karate Kid do filho de Will Smith, esse filme é uma clara referencia a historia do mestre e aprendiz, produzido talvez até na intenção de entrar na onda do mesmo, mas claro que é uma versão muito mais anabolizada e menos sensível. Protagonizado por atores conhecidos de series adolescentes como Sean Faris e Cam Gigandet (que fez um dos vampiros “maus” do primeiro Crepúsculo), ainda tem a ilustre presença de Djimon Houson como o Mestre de MMA que treinou com a família Gracie no Brasil, que é apresentado no filme com um dos países mais respeitados nas artes marciais, o que não deixa de ser uma verdade. Com lutas extremamente bem coreografadas, que mostram com qualidade a técnica e a violência do MMA, Quebrando Regras mesmo não sendo nenhum primor tem uma pegada jovem muito boa, personagens carismáticos e talvez não fizesse feio no cinema por aqui. No final de semana de estréia americano teve quase 9 milhões de dólares de bilheteria, feito notável para um filme que custou 20 milhões, mas por aqui nem deu as caras no cinema, assim como 12 Rounds somente em locadoras ou na rede;

Hoje em dia os filmes de ação parecem que viraram produções malditas, relegados a amantes do gênero e sendo mal visto por muitos cinéfilos que os consideram lixo. Claro que o gênero tem sido reformulado vez ou outra, mas mesmo assim somente em superproduções que em sua maioria usam e abusam de CG. Mesmo não carregando grandes atuações ou temas extremamente importantes, o gênero no final dos anos 70 e nos anos 80 ajudou a definir o cinema como diversão e catapultou o home-video. Deveria ser visto com mais importância e tenho que assumir que sinto falta de Stallone, Schwarzeneger, Van Damme e seus contemporâneos (e das locadoras também!). Pode parecer fora de moda, mas divertiram a vida de muita gente.