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Das recentes produções argentinas, esse XXY , dirigido por Lucia Puenzo , não chega a ser dos mais notáveis, mas mesmo assim se mostra uma o...

Das recentes produções argentinas, esse XXY, dirigido por Lucia Puenzo, não chega a ser dos mais notáveis, mas mesmo assim se mostra uma obra interessante que aborda um tema tabu, poucas vezes visitado pelo cinema: o ser humano como hermafrodita, caso raro na nossa genética, mas que acontece e nas suas vezes acaba transformando o acometido em um ser confuso e discriminado, talvez até mais do que no homossexualismo, em que o individuo faz a opção, não sendo o caso em que o mesmo possui dois sexos.

A trama mostra a jovem Alex (Inés Efron), que aparentemente é uma menina, mas desde sempre seus pais sabem que ela é uma hermafrodita. Com a chegada da adolescência, ela começa a desenvolver instintos masculinos, que tentam ser refreados com remédios, que Alex reluta em tomar. Na verdade, o maior conflito da historia é a procura do verdadeiro sexo de Alex, que parece interessada em manter os dois, tanto que age como mulher, mas prefere fazer sexo como ativo em encontros sexuais, como o que tem com Juan (Guillermo Angelelli), filho de um cirurgião plástico que visita a família dela.

A diretora Lucia Puenzo constrói um filme com momentos delicados, principalmente os protagonizados pelo excelente ator Ricardo Darin, que faz o pai de Alex. Com Darin em cena, o filme cresce nas emoções, com destaque para uma cena em que ele visita uma transexual, uma mulher que trocou de sexo e vive uma vida simples e feliz com sua família. O filme emperra em mostrar o relacionamento de Alex e Juan, que no final parece ter pouca importância para a trama, ainda mais quando se propõe a formar um triangulo amoroso com outro rapaz, mas ainda assim, XXY é uma obra que tem o que dizer.

Sosa ( Ricardo Dárin ) é um advogado envolvido com a máfia de indenizações de acidentes de trânsito. No desenrolar de um acidente, conhece ...


Sosa (Ricardo Dárin) é um advogado envolvido com a máfia de indenizações de acidentes de trânsito. No desenrolar de um acidente, conhece Luján (Martina Gusman), uma médica viciada em drogas anestésicas que atua em emergências hospitalares e primeiros socorros. A atração entre os dois é evidente e se envolvem  rapidamente. Quando Luján descobre um armação de Sosa em um acidente que leva a vitíma a morte, percebe que entrou em um caminho sem volta, aonde o dinheiro é que manda.
Será que é impressão minha, mas os atores argentinos estão em um patamar acima dos brasileiros? Não vejo um ator no Brasil que rivalize com Ricardo Dárin, o sujeito a cada filme que passa se mostra completo, capaz de dar a credibilidade necessária aos personagens que defende e elevando em muito a qualidade das obras que participa. É o caso desse Abutres, trama escrita e dirigida por Pablo Trapero, dos bons Leonera e Família Rodante. Trapero conduz muito bem o filme, que em alguns momentos, tem uma camêra que treme bastante, elevando a tensão em muitas cenas. Aliás, o filme tem cenas angustiantes, como os atendimentos de emergência a pessoas acidentadas, tanto nas ruas quanto no hospital. Agora, o que mais impacta mesmo, é a máquina de fazer dinheiro encima do sofrimento dos outros, muitas vezes pessoas bem simples que acabam se deixando levar pela lábia de pessoas como Sosa, agenciadores de escritórios de Advocacia inescrupulosos. Depois de perder o amigo na armação de um acidente e ser abandonado por Luján, Sosa pensa em rever seus conceitos, mas as dívidas e os antigos contatos o impedem, afundando - o cada vez mais na sujeira, que piora quando a médica se envolve em um processo de indenização que prejudicará o escritório que Sosa trabalha.
Abutres é um filme que não tem heróis, nem a médica interpretada por Martina Gusman se salva, que fica evidente em certo momento quando ela quase mata um paciente com medicação errada, ação decorrente  do trabalho excessivo e do vício em drogas. Porém, não podemos classificar os protagonistas como vilões também, na verdade, eles são pessoas comuns, com erros e acertos. Achei um dos pontos fortes do filme essa humanização dos personagens, trazendo as situações para um tom mais real. Um pouco antes do final, a trama fica meio tediosa, o que me tirou um pouco o interesse do filme, mas o epílogo, daqueles inesquecíveis, coloca o filme de novo nos trilhos. Nota 08.