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George A. Romero é mais conhecido e reverenciado como o pai dos zumbis (apesar de não ser o precursor), principalmente pela sua brilhante...

George A. Romero é mais conhecido e reverenciado como o pai dos zumbis (apesar de não ser o precursor), principalmente pela sua brilhante estréia com o politizado A Noite dos Mortos Vivos de 1968. Indiscutível que tenha o mérito de ter firmado os filmes de zumbis quase como um gênero dentro do cinema, mas em 1977 ele concebeu uma obra que muito se difere da sua filmografia. Existencialista, intimista ou qualquer outra alcunha que receba, Martin, apesar de algumas imperfeições e certos problemas de ritmo, é talvez junto com seu primeiro filme uma das melhores realizações de sua carreira.
                                                                                                                  
A historia começa logo mostrando o que motiva Martin (o estreante John Amplas): beber sangue humano. Seria ele um vampiro? Ou uma pessoa dotada de uma patologia bem singular? Até porque Martin não tem nenhuma característica clássica dos sugadores de sangue. A cruz não lhe ofende, muito menos a luz do sol, alho ou água benta. Ele usa seringas com drogas para dopar as vitimas e assim lhes sorver o sangue das veias. Não é nenhum pouco sedutor e no alto dos seus 84 anos nunca fez sexo. Bem, pode parecer que Martin é um senhor, mas a sua aparência é de um jovem de no maximo seus 18 anos, parece que o sangue humano lhe garante jovialidade e longevidade incomum, além de sua condição ser apresentada na trama como uma característica particular de sua família. Assim, sem muitas explicações, o jovem senhor vai morar na casa de um tio supersticioso conhecido como Cuda (Lincoln Maazel). Um homem que conhece a situação de Martin e que surge na historia como guardião dele, ainda com a missão de impedir que o “vampiro” faça mais vitimas em sua cidade.

Claro que com uma premissa dessas possa se esperar um filme de terror cheio de efeitos especiais, mas Martin passa longe disso, na verdade é quase um drama e em alguns momentos dotado de certo humor. Romero, esperto que é, usou uma história tenebrosa como essa para dialogar sobre timidez, aceitação, preconceito, a vida muitas vezes infeliz do american way of life e até sobre tabus sexuais. Hoje ainda se diz que é um filme estranho e deve ter sido muito mais estranho na época de seu lançamento, tanto que houve uma repulsa bem grande contra ele, mas com o tempo o filme ganhou seu reconhecimento e certa aura “Cult”. Sem dúvidas, Martin é o momento que Romero tentou trazer para o seu cinema a característica de autoral, pena que poucos entenderam e fez uma carreira toda ser repensada.