Meu interesse com a serie Harry Potter sempre foi de mero expectador. Nunca li um livro, nem lembro de todos os nomes dos personagens e suas magias ou o significado de alguns artefatos. Sempre ficando um pouco perdido durante os filmes. Acompanhei toda a filmografia e também sempre achei quase todos meio burocráticos, com exceção para Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, do diretor mexicano Alfonso Cuaron, que adorei, talvez por essa obra guardar um lado meio autoral do realizador.
Então, minha a ida ao cinema para conferir Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte II e o duelo final entre Harry e Lorde Voldemort foi sem muitas expectativas, mas o filme me surpreendeu e sai de alma lavada da sala, satisfeito com um desfecho digno para a maior saga cinematográfica de todos os tempos. Um filme repleto de bons momentos, focado nos personagens e deixando um pouco de lado os maneirismos estéticos da saga.
Somente nesse ultimo capitulo consegui entender integralmente a historia e não me senti perdido nenhum momento, talvez até pelo ritmo acelerado da obra do diretor inglês David Yates, em que a ação vai tomando conta da tela em detrimento a cenas mais filosóficas presentes em outros filmes da serie.
Alguns coadjuvantes poucos explorados, como Neville Longbottom (Matthew Lewis) e Luna Lovegood (Evanna Lynch) tem participação decisiva nessa segunda parte e acabam ajudando a dar um tom mais heróico ao desfecho. O trio de protagonistas (Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint) entregam as suas melhores atuações, provando que tem qualidade para seguir na carreira. Outro personagem que cresce na historia é a professora Minerva (a veterana Maggie Smith), muito divertido assistir a contida professora indo para a batalha. Severo Snape (Alan Rickman) protagoniza uma das mais emocionantes cenas de toda a serie, alias, Severo foi escolhido em uma enquete inglesa como o melhor personagem da serie, acho eu que bem justo, o Severo de Rickman é cheio de nuances e mistérios.
Outra seqüência que destaco, é a que Harry se entrega para Voldemort mata – lo, quando seus Pais e o padrinho Sirius Black (Gary Oldman) aparecem para conforta – lo, até para quem não é fã exacerbado, a cena ficou muito bonita e tocante, percebi até algumas pessoas chorando no cinema nesse momento. A realização apresenta uma dose significativa de tensão, sangue, violência e mortes, o que me surpreendeu também.
A cena final, dos protagonistas mais velhos, é que achei desnecessária, uma concessão para os fãs literários, mas é difícil mesmo agradar um publico tão grande e vasto que acompanhou Harry Potter durante tantos anos. Outro ponto negativo que também destaco em toda a saga é o Lorde Voldemort de Ralph Fiennes, será que aquele sujeito sem nariz mete medo em alguém?
A saga Harry Potter transcendeu a premissa de filmes para criança, bateu recordes, lucrou fortunas, principalmente para a escritora e idealizadora J. K. Rowling. Ainda marcou a vida de muitas pessoas e finalmente adquiriu lugar garantido no Panteão do cinema. Nota 08.

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