George Bailey ( James Stewart ) é um sujeito inteligente e talentoso, que poderia muito bem alcançar sucesso fora de sua cidade, mas o a...


George Bailey (James Stewart) é um sujeito inteligente e talentoso, que poderia muito bem alcançar sucesso fora de sua cidade, mas o apego e respeito ao negócio do pai, um banco de empréstimos para pessoas pobres, faz com que o homem desista de tudo em prol do bem estar daquelas pessoas. O altruísmo de George faz com que deixe sua própria vida em segundo plano e assim vemos um de seus melhores amigos ascender financeiramente e seu irmão fazer carreira como militar, sendo até condecorado pelo presidente americano. Tanto uma como outra poderia fácil ser a verdade de George, mas mesmo sempre se questionando, ele parece feliz na sua vida simplória. Apesar das dificuldades, George tem o que muitos almejam, uma esposa que ama e que o ama também, a paixão de sua vida, e quatro filhos que são a razão de sua existência. Uma bela vida dentro de sua simplicidade.

O que George não esperava e não contava é que o sumiço de uma importante quantia em dinheiro do Banco pudesse fazer com que o homem se rendesse as investidas de um mal intencionado senhor que explora as pessoas a quem ele procura ajudar e ainda pior, a perda daquela quantia, faria com que George ficasse na miséria com sua família. Aquilo parecia um verdadeiro terror na vida daquele valoroso homem, não pelo dinheiro, mas pelo bem-estar de quem tanto ama. A terrível noticia vem na véspera de Natal, momento que deveria ser de comemorações. Após uma briga com a esposa, bêbado e desorientado, George sai sem destino pela cidade e se depara com um parapeito de uma ponte, no seu desespero ele pensa seriamente em um suicídio, mas uma pessoa realmente boa não merece uma segunda chance? Será que George tem alguém que olha de maneira especial por ele? Nada mais justo para quem sempre cuidou dos seus próximos... Sim, George tem alguém que guarda por ele, alguém bem especial lá em cima, que preocupado com o destino daquele ser diferenciado, lhe envia um anjo sem asas para mostrar ao abalado homem como sua vida é importante e única. 

A Felicidade não se Compra é um filme que fala por si só, resenhado ao maximo, fixo na lista dos melhores filmes de todos os tempos e categórico quando se fala de uma obra cinematográfica que evoque com qualidade o verdadeiro espírito natalino. Interessante também que pode-se dizer que o filme do ítalo-americano Frank Capra é uma produção de natal, mas o que realmente vemos é uma realização que transcende sua própria temática e que prima por uma narrativa, podendo-se dizer até modernosa, remontando aqueles próprios sofridos anos pelo povo americano, abatido e combalido pela grande depressão, muitos sem perspectiva, mas que não perdiam a fé em tempos melhores, uma felicidade que os espreitasse em alguma esquina. Tudo é representado de uma maneira honrosa, mesclando comicidade e dramaticidade na medida certa e emocionando sem apelar, a atuação mágica de James Stewart trás o “algo mais” que um grande filme precisa para se destacar.

Hoje em dia, um filme como A Felicidade não se Compra pode soar bobo ou ingênuo, até porque a própria humanidade parece ter perdido boa parte da ingenuidade e romantismo representado outrora, mas há de se destacar que Capra cometeu um filme marcante dentro do próprio universo do cinema, que até hoje a temática é revisitada e que provavelmente criou um bocado do que pode ser chamado de clichê. Essa é a minha dica de Natal, gostaria que o texto tivesse saído mais emocional, porque esse é um filme que aprecio muito e que ainda me emociona com seu epílogo tocante e que saúda a verdadeira essência do ser humano. Para quem não assistiu, os dias 24 e 25 de dezembro são datas oportunas para conhecer essa maravilha e para quem já conhece, nunca é demais rever essa obra-prima. Desde já saúdo os leitores desse humilde blog com um Feliz Natal e que possam ter a verdadeira felicidade em suas vidas, aquela felicidade que não se compra.


Dono de uma extensa filmografia, com cerca de 60 filmes no currículo, o diretor português Manoel de Oliveira mesmo no alto de seus 103 a...


Dono de uma extensa filmografia, com cerca de 60 filmes no currículo, o diretor português Manoel de Oliveira mesmo no alto de seus 103 anos parece ainda fazer cinema com amor, visível nessa sua ultima obra adaptada de um conto do escritor Eça de Queiroz intitulada Singularidades de uma Rapariga Loura. Existe um lirismo presente, com cenas esmeradas em detalhes. Evidente que Oliveira concebe um filme menor dentro da sua própria carreira, que detêm algumas preciosidades como Um Filme Falado de 2003, mas mesmo sendo minimalista, ainda assim é envolvente e delicioso em sua apreciação rápida de pouco mais de uma hora.

A historia parte de um ponto de vista de um romance a primeira vista contado pelo jovem Macário (Ricardo Trepa), um empregado administrativo de uma loja de departamentos, e a bela Luísa (Catarina Wallenstein), uma jovem que passa boa parte de seu tempo a se abanar com um formoso leque chinês na janela de sua casa, que vem a dar direto na sala de Macário e por onde os dois se apaixonam, mesmo que sem trocar uma única palavra. A partir do momento em que se encontram, Macário promete casamento à moça e como seu tio e patrão é contra a união, dificulta a parte financeira do rapaz que precisa se virar para conseguir dinheiro para a cerimônia e os preparativos.

Singularidades de uma Rapariga Loura ainda é um filme que o humor surge de maneira sarcástica, mas mesmo assim polida. Alias, é um filme francamente educado na representação de seus personagens, até mesmo nos momentos conturbados, rendendo um anacronismo para como eram delineadas as relações antigamente, principalmente na Portugal do lendário Oliveira. 


O diretor Francis Ford Coppolla impressionou o mundo do cinema na década de 70 com obras-primas máximas como O Poderoso Chefão I e II , A...


O diretor Francis Ford Coppolla impressionou o mundo do cinema na década de 70 com obras-primas máximas como O Poderoso Chefão I e II, A Conversação e Apocalypse Now, tornando indiscutível a sua maneira de talhar seus personagens e domínio amplo de sua arte na narrativa. Na década de 80, quando tudo indicava que Coppolla miraria superproduções que inevitavelmente lhe levariam ao panteão dos mestres do entretenimento da época como Spielberg e George Lucas, o homem contrariou a todos se voltando para produções mais intimistas e concebeu outra importante seqüência, dessa vez de pequenas obras-primas, começando por Vidas sem Rumo, passando pelo inesquecível O Selvagem da Motocicleta e culminando no tão bem realizado quanto Peggy Sue, Seu Passado a Espera.

Se esses três últimos filmes supracitados tivessem sido filmados nos dias de hoje, provavelmente alguém lhes enquadraria em algum tipo de trilogia, algo como a incompreensão na falta de perspectiva na juventude, porque é evidente que as respectivas obras dialogam entre si. Claro que em Peggy Sue temos um tom mais desprendido, alternando com comicidade, porém romântico e terno, diferente da rebeldia introspectiva dos citados Vidas sem Rumo e O Selvagem da Motocicleta, mas aqui a protagonista está tão perdida quantos os deliquentes retratados outrora. Então nesse em questão, Coppola de uma maneira toda especial trás uma obra que se apóia em uma viagem no tempo para mostrar os verdadeiros valores a serem respeitados, dialogando sobre amor, família, envelhecimento e morte, que também vem a ser os temas mais recorrentes da carreira desse magnífico cineasta.

A história logo começa com Peggy Sue (Kathleen Turner) voltando para sua época de colegial quando tem um colapso nervoso durante uma festa para comemorar a antiga turma. De volta aos anos 60, mas com a experiência de uma mulher madura, Peggy tenta reavaliar suas escolhas e aproveitar tudo que perdeu ou tinha medo de fazer quando passou por ali a primeira vez. Desde seu romance com Charlie (Nicolas Cage eficiente), o rapaz mais popular do colégio, que culminou em um casamento fracassado, até aproveitar uma noite intensa de sexo com um rapaz obscuro que desprezava na escola ou o emocionado reencontro com seus avôs, que rende umas das mais bonitas seqüências do filme. O mais notável é como Coppola revisita aquela época inocente (que é sua favorita) sem parafernálias, sem ficções cientificas, apenas usando os próprios personagens envelhecidos como jovens, em um tom amargo e nostálgico de álbum velho de fotografias, como se quisesse mostrar que é impossível viver um tempo passado duas vezes, não tem como voltar, mesmo que no nosso mais intimo possamos desejar isso com imensa vontade.

Mesmo que com menos intensidade, mas afirmo que ainda assim, Peggy Sue se equipara em alguns outros sentidos com as duas outras obras citadas, o diretor usa de um tom artístico para conceber cenas tocantes, seja com uma trilha sonora instrumental sensível ou com belos diálogos citando escritores e poetas famosos como Hemingway (a qual o diretor parece não ter o menor apreço) e Yates. O filme ainda carrega certas curiosidades, como trazer Sofia Coppola ainda bem criança como a irmãzinha de Peggy e o ator Jim Carrey em inicio de carreira fazendo um personagem que o caracterizaria: o eterno sujeito cheio de caras e bocas. Alguns podem discordar, dizendo que não passa de pura pretensão do diretor, mas Peggy Sue, Seu Passado a Espera deve e merece ser destacada com uma das importantes realizações da carreira cheia de altos desse sublime artista.


Nova adaptação para o romance da escritora inglesa Charlotte Bröne , Jane Eyre é a quinta versão para esse aclamado texto dessa romancis...


Nova adaptação para o romance da escritora inglesa Charlotte Bröne, Jane Eyre é a quinta versão para esse aclamado texto dessa romancista. Antes de tudo, devo dizer que das realizações anteriores não assisti nenhuma, mas parece ser uma história que fascina desde os idos do cinema, porque até o lendário Orson Welles participou da produção de 1943. Mesmo na falta de um comparativo, não me furto a dizer que esse filme dirigido pelo novato diretor americano Cary Fukunaga é uma das boas coisas de 2011, mas talvez pela falta de divulgação ou saturação do mercado em relação a filmes de época tenham privado essa obra de uma sorte melhor no cinema, já que a abertura americana foi bem discreta e provavelmente deve pintar no Brasil apenas para home-video.

Logo no começo do filme, vemos Jane Eyre (Mia Wasikowska) ser encontrada quase morta por um Pastor (Jamie Bell), que instantaneamente recolhe a moça para cuidados e parece sentir uma atração por ela, mesmo que não explicitada, afinal ele é um homem de Deus, mas em certo momento não deixa de mostrar seu real interesse por Jane. Quando ela volta à realidade, suas lembranças vão surgindo mostrando os motivos que a levaram aquela situação traumática, desde sua infância órfã em um internato para meninas, que lhe talhou como uma pessoa taciturna que inibe seus sentimentos, mesmo parecendo com vontade de liberá-los furiosamente, mas o condicionamento violento pelo qual passou a comanda quase que de maneira involuntária; até o momento em que começa a trabalhar como preceptora de uma menina na casa de um nobre conhecido como Rochester (Michael Fassbender). Na casa do homem, Jane se descobre como mulher, que ainda é dotada de amor e que pode fazer alguém feliz e esse alguém é o seu patrão, que no começo despreza a moça, mas logo se mostra que é recíproco no amor em relação à Jane, mas um fato misterioso pode atrapalhar toda a felicidade do casal. Então, Jane se vê no impasse entre um casamento seguro ou uma relação instável com o amor de sua vida.

Um dos pontos mais competentes de Jane Eyre é trazer um retrato plausível da época em que se passa, aonde mesmo os personagens tendo riquezas, tudo parece um tanto decadente e não somos abstraídos pela luxúria ou libido de outras produções parecidas: aqui tudo parece meio frio e duro. Os protagonistas são cheios de reminiscências, o que rende bons e românticos diálogos e que inevitavelmente também surgem como duelos, se enquadrando muito bem na proposta do filme de ser belo e ao mesmo tempo melancólico. A criticada Wasikowska entrega uma Jane Eyre impressionante, com seus silêncios cortantes e olhares esclarecedores, afundada em pensamentos que nem ela mesma consegue entender. Fassbender também não fica atrás e em uma atuação imponente prova porque é um dos melhores atores em atividade. Não posso deixar de citar a fotografia que é outro destaque do longa, trazendo enquadramentos que lembram pinturas naturalistas e dão um charme todo especial a essa excelente obra que não merece ficar relegada ao esquecimento. Assistam porque vale muito a pena. 


Se os americanos têm o western como um dos seus gêneros mais representativos, aonde muitas vezes usam o cenário para contar a sua própria ...


Se os americanos têm o western como um dos seus gêneros mais representativos, aonde muitas vezes usam o cenário para contar a sua própria historia, os japoneses tem nos filmes de samurai o seu reflexo, aonde apresentam toda a importância que dão para a honra, vista muitas vezes no samurai que comete o harakiri (suicídio). As histórias que se formam em volta de homens que não se furtam em entregar a vida pelo que acreditam se mostram tão vastas na filmografia japonesa, que o mestre Kurosawa se apossou do tema e conseguiu extrair verdadeiras obras-primas, como Os Sete Samurais ou Rashomon. E o filme em questão, 13 Assassinos, mesmo não tendo um caráter tão reflexivo das obras de Kurosawa se mostra uma eficiente realização sobre essas lendárias figuras que povoam o imaginário mundial desde sempre.

A realização do experiente diretor Takashi Miike é a prova de que nem sempre um filme precisa de uma história complexa e grandiosa para ser notável. O ponto de partida da trama de 13 Assassinos é até simples: vivendo em uma época em que os samurais são dispensáveis, o conselho do imperador secretamente incumbe um samurai respeitado chamado Shimada (Kôji Yakusho) de recrutar um pequeno grupo de homens para assassinar o Lorde Naritsugu (Gorô Inagaki), um político ditador violento que pleiteia um cargo na câmara do Shogun representante do Império.

O primeiro ato da obra se mostra um pouco tedioso, porque as tramóias em questão são pouco explicativas e perde-se um bom tempo mostrando o recrutamento dos samurais, que talvez na falta de rostos conhecidos façam algumas cenas soarem repetitivas. Com o desenrolar do filme, alguns personagens se mostram carismáticos e percebemos que a história fica até em um segundo plano para assim Miike construir um trabalho esteticamente perfeito e eletrizante. O grupo formado por 12 samurais e um camponês misterioso (que também serve como alivio cômico) sitia uma cidade na intenção de armar uma armadilha para o Lorde Naritsugu. Então, a partir dos acontecimentos no povoado, vemos como esse tipo de cinema se assemelha ao faroeste americano, trocamos os revolveres por espadas e presenciamos uma batalha magnífica (de quase 50 minutos) entre 13 homens e praticamente um exército inteiro, mas dentro de um contexto plausível, sem personagens voadores ou magia.

Se a historia é deixada de lado, no final pouco importa, porque vemos um filme autêntico em suas pretensões, mostrando como esses homens chamados de Samurais se entregavam a propósitos muitas vezes errôneos e mesmo tendo suas próprias convicções, as deixavam de lado para poder cumprir a missão para qual nasceram. Engraçado que em uma visão ocidental pode parecer um bocado de heroísmo, mas pelo desfecho do filme percebemos que os próprios japoneses hoje entendem que da violência da guerra não existe nada de heróico.


Sou a favor de qualquer tipo de cinema e narrativa, seja com a mesma truncada, fragmentada, de trás para frente, tramas paralelas que se cr...


Sou a favor de qualquer tipo de cinema e narrativa, seja com a mesma truncada, fragmentada, de trás para frente, tramas paralelas que se cruzam ou mesmo filmes que não tenham história, mas que de uma forma ou de outra tenham um atrativo que valide uma sessão. Porém, costumo dizer que tenho que ser sincero, e seguindo esse meu lema, em termos de cinematografia confesso que me agrada muito assistir um filme em sua forma mais tradicionalista: com inicio, meio e fim e ainda assim ser surpreendido por um plot aparentemente comum, mas bem contado na essência, sem fugas para contornar problemas ou distrair a atenção do expectador, o que é o caso de Histórias Cruzadas, produção que ganhou mais notoriedade recentemente por ter ganho algumas indicações para as diversas premiações da temporada americana.

Histórias Cruzadas é um filme que no alto de seus 150 minutos de exibição em nenhum momento passa sensação de chato, na verdade a historia flui de uma maneira incrível, logo nos apegamos aos personagens bem caracterizados e defendidos de maneira incrível pelo elenco feminino que protagoniza o filme, já que a visão das histórias de racismos e maus tratos sofridos pelas empregadas domésticas de uma cidade do Mississipi nos anos 60 que rendeu um livro chamado The Help é apresentada unicamente pelo ponto de vista feminino. Em um universo formado por donas de casas brancas, acostumadas aos privilégios e mimos que recebem desde sempre, eis que surge a jovem escritora Skeeter (Emma Stone), pleiteando um lugar no jornal local ela acaba pegando uma coluna de afazeres domésticos no diário. Como não sabe nada sobre cuidados do lar, pede ajuda a Aibileen (Viola Davis), empregada doméstica de uma amiga. Skeeter não vê com os mesmos olhos como os trabalhadores negros são tratados por seus empregadores, obrigados a usarem um banheiro especial ou não se alimentarem das mesmas comidas dos brancos, no caso segregação total. Skeeter não demonstra suas indignações com as amigas, porque logo seria retaliada, mas a amizade e admiração por Aibileen estimulam a moça a escrever algo sobre as experiências das domésticas em seus trabalhos, que muitas vezes cuidam e educam os filhos das patroas.

Daí o diretor e roteirista Tate Taylor desfia emocão e sensibilidade na medida, repleta de momentos tocantes e construindo seus personagens sem pressa e dando a eles o devido tempo em cena para engrandecer o filme com grandes atuações. Atrizes aparentemente limitadas como Emma Stone e Bryce Dallas Howard se superam, diria que a Hilly Holbrook de Bryce é um dos melhores vilões de 2011, a moça trás ao seu personagem a maldade e preconceito disfarçado e travestido de gente decente, rendendo momentos incrivelmente tensos. Então não bastasse a satisfação inicial de ver uma grande realização se formando, lá pelo meio do filme somos apresentados a incrível Célia Foote (Jéssica Chastain), que desde o seu primeiro momento enche o filme de vida, com sua personagem transgressora e conflituosa. O relacionamento que Celia desenvolve com Minny Jackson (Octavia Spencer), uma empregada calejada com as maldades das patroas, é um dos momentos mágicos da obra e rende um bocado de ternura. Definitivamente, Histórias Cruzadas é um filme empolgante e emocionado, os sentimentos pulsam na maioria das cenas, mesmo alguns sendo reprováveis e rendendo um bocado de raiva ao espectador, o que ainda cria uma ótima interação. Quanto a Viola Davis, essa é uma atriz excepcionalmente talentosa, merecia ser lembrada em uma premiação, mesmo que ache que isso não seja necessário para celebrar seu trabalho, mas seria bom ver seu reconhecimento e o dessa realização que figura fácil entre as melhores de 2011. 


Filmes que retratam doenças, principalmente as terminais, são quase um gênero dentro do cinema. Normal, até porque quando uma formula dá ...


Filmes que retratam doenças, principalmente as terminais, são quase um gênero dentro do cinema. Normal, até porque quando uma formula dá certo é mais do que viável  haver visitas e revisitas, massificando o tema, o que ainda acaba rendendo exemplares de todos os tipos. Esse em questão, intitulado 50% é um filme sobre câncer, não há dúvidas, mas se diferencia dos demais por tratar o tema por uma visão até certo ponto cômica, mas sem deixar de ser emocional e humano.

A historia logo nos apresenta Adam (Joseph Gordon-Levitt), um rapaz radialista em uma estação pela internet que descobre que a dor que sentia nas costas é um câncer raro e em evolução. Então, o até então pouco conhecido diretor Jonathan Levine trás um retrato sensível e sincero da trajetória de Adam por essa terrível doença, cometendo momentos de destaque como os diálogos entre o protagonista e outros dois pacientes nas sessões de quimioterapia ou ainda as sessões de terapia com uma médica novata que rendem divertidas tiradas.

Em tempos em que cada vez mais somos vistos como estatística (como o próprio titulo sugere com a porcentagem de sobrevivência em relação aos portadores do mal), Levine lança um olhar mais humano aos seus personagens, sem momentos edificantes ou procuras desenfreadas por curas, mostrando pessoas vivendo e tendo que lidar com seus problemas e desconstruindo a idéia de que todos os pacientes devem se prostrar em sua doença, o que rende uma graça educada e lisonjeira, fazendo parecer que Adam poderia muito bem ser um amigo próximo. A boa e equilibrada presença de Seth Rogen como seu camarada de todos os momentos talvez confirme isso.

50% ainda é uma obra em que se faz notar que os envolvidos compraram a idéia do projeto, porque todos os atores aparecem muito bem, talvez Levine seja um bom diretor de atores ou os mesmos se sensibilizaram com a historia que se inspira em um caso real, porque desde Levitt  à Anna Kendrick, passando por Bryce Dallas Howard e os veteranos Anjelica Huston e Philip Baker Hall todos estão muito a vontade em seus papeis e mostrando talento e timing para mesclar a comicidade e dramaticidade necessária para fazer a trama fluir. As cenas finais são de marejar os olhos e fazem de 50% um bonito e tocante relato de uma doença tão sofrível.  


A diretora Lone Scherfig impressionou o público e a critica quando mostrou ao mundo o seu Educação de 2009, um drama muito bem conduzid...


A diretora Lone Scherfig impressionou o público e a critica quando mostrou ao mundo o seu Educação de 2009, um drama muito bem conduzido que também apresentou ao cinema a atriz Carey Mulligan, que se destacou tanto que chegou a ser comparada a Audrey Hepburn por alguns mais entusiasmados. Então era normal que se criasse certa expectativa em relação ao seu novo filme intitulado Um Dia, com o bom ator Jim Sturgess e  a não menos talentosa Anne Hathaway. Não dá para dizer que o resultado é excelente, mas mesmo assim temos um bom filme no que se propõe: um romance que tenta fugir dos clichês, mesmo caindo em alguns que não chegam a atrapalhar e até funcionam em favor do filme.

Emma (Anne Hathaway) e Dexter (Jim Sturges) se conhecem em 15 de julho de 1988, dia de suas formaturas  e após um breve enlace atrativo, justificado pela decorrência da bebedeira, eles resolvem que serão somente amigos, apesar de ficar evidente a atração entre ambos. Então o filme foge de uma narrativa mais tradicional para trazer um retrato da relação de ambos ao longo de alguns bons anos, sempre mostrando o mesmo 15 de Julho. Vemos a evolução de suas vidas, que vão sendo marcadas por outras evoluções que marcaram o mundo, como o celular, internet, entre outras. Esse talvez seja o ponto fraco do filme, porque a opção de não acompanhar uma narrativa mais aproximada em relação aos protagonistas tornam algumas passagens superficiais, enquanto ficamos esperando por cenas literalmente emocionais entre o casal, que por fim acabam demorando a acontecer na historia.

Tirando alguns desacertos, como a opção narrativa que deve funcionar muito melhor no livro em que é baseado, o casal principal carrega boa química e Anne Hathaway apesar de parecer pouco à vontade com o papel de “inglesinha” (que muitos têm dito que cairia melhor em Mulligan) consegue trazer certa simpatia e entrega ao personagem ao ponto de acreditarmos no amor entre os dois. Sturges também tem seus momentos e seu personagem inevitavelmente é o que tem um arco dramático maior, porque ele realmente passa por mudanças e sofrimentos, culminando em uma das cenas mais bonitas do filme quando ele reencontra o ex-namorado de Emma e em uma conversa franca percebemos o quanto ele realmente ama aquela moça especial.



As duas cine-séries em questão foram assistidas com amigos em divertidos encontros regados a nostalgia e filmes de ação. Isso ao longo de al...

As duas cine-séries em questão foram assistidas com amigos em divertidos encontros regados a nostalgia e filmes de ação. Isso ao longo de alguns meses e como a maratona cinéfila esta em reta final, esses filmes já estavam mais do que na hora de virem para o blog. Tanto Missão Impossível quanto Desejo de Matar foram realizações que marcaram seus tempos, uma trazendo novidades para o gênero que parecia meio defasado no final dos anos 90 e revolucionou ao mostrar o seu filme precursor como uma trama de ação quase ininterrupta inserida em uma boa historia, mesmo que baseada em uma serie de TV de sucesso nos anos 60 e a outra, mais antiga e sombria, trazendo um cidadão comum que após perder entes queridos para criminosos se rebela contra a criminalidade em si. Uma com o galã Tom Cruise, outra com o lendário ator americano Charles Bronson. Ambas marcaram época no cinema e no home-video e suas revisões são sempre divertidas e válidas:

- Missão: Impossível (Mission: Impossible/Brian de Palma/1996)

Lançado como Blockbuster no verão de 1996, Missão: Impossível conseguiu ir além do simples filme pipoca, trazendo uma interessante trama de ação orquestrada pelo talentoso diretor Brian de Palma. Nesse primeiro somos apresentados ao personagem Ethan Hunt (Tom Cruise) que acusado de ser o culpado da morte dos membros de sua equipe, tem que fugir de assassinos do governo e penetrar em uma verdadeira fortaleza comandada pela CIA. M: I é um filme que ainda impressiona pelas tomadas, como a cena em que Hunt se pendura no teto por um fio e desce em uma sala cheia de artifícios tecnológicos para detectar a mínima presença. Virou clássica e foi excessivamente copiada e parodiada, mas mesmo assim ainda faz o expectador prender a respiração. Outra seqüência que marcou e foi amplamente revisitada é a do helicóptero fugindo do trem-bala. Um filme que vale o jargão muito usado por um certo critico americano: “Trepida de Ação!”  

- Missão: Impossível 2 (Mission: Impossible 2/John Woo/2000)

Quatro anos depois veio a sua continuação, dirigida pelo mestre oriental de filmes de ação e conhecido pelo estilismo visual John Woo. Nesse filme, Hunt tem que pegar um terrorista internacional interpretado por Dougray Scott. Acho o filme mais fraco e em alguns momentos lembra a bobagem que é o filme das Panteras realizado no mesmo ano, a ação parece meio sem motivos em certos momentos do filme, apesar de guardar uma das melhores seqüências da franquia em que rola um duelo entre Hunt e o vilão, com direito a uma sensacional perseguição de motos e uma bem coreografada luta na praia. Como disse, Woo primou pela excelência visual em detrimento a uma trama mais envolvente.





- Missão: Impossível 3 (Mission: Impossible 3/J. J. Abrams/2006)

Dirigido por J. J. Abrams, um dos apadrinhados pelo Midas Spielberg no século 21, M: I: III demorou mais de meia década para sair do papel. Talvez a insatisfação do resultado final da segunda parte tenha rendido certa apreensão na hora de revisitar a franquia, mas em minha opinião (que talvez a maioria discorde), esse é o melhor filme. Concatena de maneira eficiente trama com ação, que não surge tão gratuitamente quanto antes, e trás o melhor vilão da franquia vivido pelo sempre talentoso Philip Seymour Hoffman. A trama humaniza Hunt, que tem que se virar entre o serviço de espião e o seu recente casamento. A ameaça é mais emocional e aproxima o expectador. Michelle Monaghan já mostra o seu talento para thrillers e o filme em si apresenta muitos bons momentos de tensão e emoção. Espero que a nova continuação, Protocolo Fantasma, com data marcada para 23 de Dezembro de 2011 tencione mais para esse do que para os anteriores.

- Desejo de Matar (Death Wish/Michael Winner/1974)

O ator Charles Bronson era tão querido na década de 80 e começo da década de 90 no Brasil que a toda poderosa Rede Globo tinha um espaço exclusivamente reservado para seus filmes nos domingos à noite. Desejo de Matar é um dos filmes que mais assisti na vida, delirava com as maneiras que o vigilante Paul Kersey (Charles Bronson) liquidava os bandidos. Se alguém me perguntasse meu filme preferido quando tinha um 14 anos, sem titubear responderia esse. Engraçado que essa primeira parte pouco tem haver com um cinema típico de ação, a obra do diretor Michael Winner, recorrente em trabalhar com Bronson, trás elementos de drama e um ritmo lento, apresentando o personagem Kersey como um arquiteto pacifico e dócil que entra em rota com a violência quando sua família sofre abusos e atrocidades nas mãos de criminosos de uma cidade infestada por um novo tipo de violência: a gratuita. A trama amostra um personagem que enlouquece internamente, criando um alter-ego tão terrível quanto os algozes e que vê em tratar violência com violência a única solução. Era para ser um filme menor, sem muitas pretensões e que provalvemente também era para ser uma obra única, mas fez tanto sucesso que rendeu diversas continuações, que se apresentavam cada vez mais sem fundamentos e por fim denegriram a imagem de Bronson, trazendo o errôneo estigma de que seria um ator ruim e canastrão.

- Desejo de Matar 2 (Death Wish 2/Michael Winner/1982)

Demorou – se 8 anos para que fizessem uma continuação de Desejo de Matar, o mesmo diretor Michael Winner achava que o ciclo de Paul Kersey se resumia ao primeiro filme e que uma continuação seria apelativa. A insistência da MGM com quem Bronson teve um longo contrato por fim convenceu Winner voltar a historia e cometer um filme que é bem inferior ao primeiro, mas que mesmo assim ainda tem seus atrativos e curiosidades, como trazer o ator Jeff Goldblum bem jovem em uma participação não creditada como um dos membros da gangue que é formada pelos mesmos algozes que conseguiram escapar das garras de Kersey no primeiro filme. Então, tudo o que ficou subentendido no anterior e não aconteceu, como a verdadeira vingança do homem, nessa continuação veio à tona. Trazendo um justiceiro muito mais violento que no primeiro filme e uma carga de cenas gore que no anterior não tinha. É um filme que carrega nuances de um cinema exploitation e que reafirmou a identificação que o público tinha naquela época com personagens que resolviam seus problemas no braço ou com chumbo grosso. Tanto Desejo de Matar 1 quanto o 2 eram filmes politicamente incorretos até o talo e  que se realizados hoje em dia dificilmente teriam um espaço tão abrangente quanto tiveram em suas épocas. 

 












O nome de Marylin Monroe vira e mexe sempre volta à pauta, é inevitável, até pelo mito que a atriz se tornou. Muito se espera dessa adap...


O nome de Marylin Monroe vira e mexe sempre volta à pauta, é inevitável, até pelo mito que a atriz se tornou. Muito se espera dessa adaptação que esta para sair com Michelle Willians no papel da musa platinada. Se será algo notável somente o tempo dirá. Monroe é uma atriz que provou não ser desprovida de talento e por ter vivido um outro tempo acabou reduzida a papeis em sua maioria iguais, de moças sedutoras e falsamente ingênuas, como nesse divertido O Príncipe Encantado, em que faz uma atriz de teatro que se envolve em um impasse político entre um regente de um País europeu dos Bálcãs e seu filho adolescente aspirante a Rei.

O Príncipe Encantado é uma comédia romântica despretensiosa, que faz rir e tira sarro da pompa e circunstancia da realeza. Nessa proposta, Monroe faz seu trabalho muito bem, concebendo seu tipo de humor que mistura o estilo corporal com um tom sarcástico. Apesar de pouco convencer o enlace romântico que é amostrado entre a espevitada Elsie (Marylin Monroe) e o blasé Regente da Carpácia vivido pelo ator Laurence Olivier (que também dirigiu o filme), a obra tem bons momentos, como quando a moça vai jantar a primeira vez com o homem e ele tenta seduzi-la e acaba sendo esnobado de maneira hilária ou quando a Rainha meio esclerosada resolve lhe escolher como sua dama de honra e assim oferecer uma das muitas honrarias que a moça recebe durante o filme.

Claro que O Príncipe Encantado não é seu melhor trabalho e nem o que aparece mais sensual, até porque é bem perceptível algumas gordurinhas saltando no vestido branco que usa em praticamente toda a historia. Porém não deixa de ser delicioso poder assistir o trabalho de uma atriz que exala carisma e simpatia em cena, dominando cada espaço e usando pequenos detalhes para engrandecer um personagem que beira o superficial e bobo. São em filmes menores e menos importantes como esse que se percebe com mais clareza porque Monroe sempre será eternamente saudada.