Pat Garret e Billy the Kid é a obra renegada por seu próprio diretor, Sam Peckinpah , do excelente Meu Ódio Será sua Herança . Reza a len...

152 - Pat Garrett e Billy The Kid (Sam Peckinpah/1973)



Pat Garret e Billy the Kid é a obra renegada por seu próprio diretor, Sam Peckinpah, do excelente Meu Ódio Será sua Herança. Reza a lenda que o corte final foi dado pelos executivos da MGM que desejavam um filme mais comercial em detrimento a obra mais marginal que Peckinpah almejava. No final, a produção foi para o cinema com o corte do estúdio, Peckinpah rompeu com a MGM e foi para o México, aonde filmou o cultuado Tragam – me a Cabeça de Alfredo Garcia, uma espécie do que ele queria que fosse o seu Pat Garret e Billy the Kid.
Bom, apesar de toda a historia turbulenta encima dessa produção, o filme que narra os momentos derradeiros em que Pat Garret (James Coburn), ex – parceiro de Billy the Kid (Kris Kristofferson), passa para o lado da lei e imprime uma caçada contra o ex - comparsa bem que prende a atenção, apesar de cara sabermos logo o desfecho. Apoiado em boas cenas de ação e em alguns momentos especiais, como quando Billy duela com um antigo amigo, agora defensor da lei também, e mata o sujeito na frente de toda a família ou quando foge das garras da lei no começo do filme, atestando todo o respeito e adoração que o povo americano tem pela figura desse exímio pistoleiro fora da lei.
Apesar da boa fluência da trama, é notável que em algumas cenas a tentativa de Peckinpah de explorar mais o lado amoral da historia é abafado ou diminuído, com alguns cortes rápidos, direcionando logo para cenas mais tradicionais, mas talvez a cena em que Pat transa com varias prostitutas tenha ficado do jeito que o diretor queria ou uma outra seqüência em que um dos comparsas de Billy (representado por um jovem Harry Dean Stanton) libera a moça que esta com ele para o famoso pistoleiro.
Uma outra curiosidade é a presença de Bob Dylan no elenco, a trilha sonora também é dele, com direito a “Knockin` on a heavens Door” em uma bela cena a beira de um lago, mas a presença do cantor, que dá um certo tom pop ao filme, como um dos integrantes da gangue de Billy é totalmente desnecessária, ao ponto dele ter algumas cenas constrangedoras.
Pat Garret e Billy the Kid pode não ser o melhor de Sam Peckinpah, mas uma boa parte do estilo do diretor esta lá, principalmente na violência que surge lentamente e de repente explode em cenas geralmente filmadas em câmera lenta. Pena não podermos ver como ficaria a obra ao gosto de seu realizador. Nota 07.

Única foto conhecida de Billy The Kid, leiloada recentemente por 2,3 milhões de dólares

10 comentários:

pudimdecinema disse...

ahhhhhhhhh... esse aí é obra-prima. Tenho ele aq, e vou até rever. Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia apresenta muito melhor o velho Sam, mas enfim... Os dois são filmaços.

Celo Silva disse...

Pudim, apesar da aparente supressão de algumas cenas, Pat Garret e Billy the Kid é uma obra diferenciada e Traga me a Cabeça... caracteriza também como uma maneira de Peckinpah exorcizar seus demonios. Vlw.

Também acho um western bem interessante...

O Falcão Maltês

Rodrigo Mendes disse...

Adoro a violência cinematográfica de SAM. Hoje temos Tarantino.

Ótimo texto e resgate cinéfilo.
Abs.
Rodrigo

Celo Silva disse...

Antonio, é um bom western mesmo.

Rodrigo, obrigado pelo elogio, seus texto tem servido de inspiração para mim tb. Tarantino é o cara, sou suspeito para falar, pois sou fã incondicional de sua arte. Um grande abraço.

B-Cine disse...

Esses produtores filhos duma puta... o próximo filme do Peckinpah deveria se chamar: Tragam-me a cabeça de um produtor açougueiro... mas enfim...como já citei uma vez, não me considero um fã do diretor...acho seus filmes apenas bons. Só conheço o Tragam-me a cabeça..., meu ódio será tua herança e um com o Dustin Hoffman que eu não lembro o nome direito agora...é ...são sinais da velhice chegando...a memória ta ficando cada vez mais fraca...
Abraço Celo

Celo Silva disse...

Brunão, meu amigo, Hollywood e seus executivos são fodas mesmo...hehehe...a velhice chega para todos meu caro...um abração

Hugo disse...

Gosto muito das obras de Peckinpah, mas ainda não tive oportunidade de conferir este western.

Abraço

Eu tenho impressão que a cópia que eu vi em vhs anos atrás era uma versão estendida. Mas não tenho certeza do quanto era fiel à visão do diretor.

Celo Silva disse...

Hugo, é um filme bom, em uma oportunidade assista

Ailton, acho q a visão mais fiel mesmo nunca será vista