As Safadas é uma daquelas deliciosas pornochanchadas produzidas pela boca do lixo. Essa obra segue a linha que consagrou os filmes margi...

127 - As Safadas (Carlos Reinchebach, Inácio Araújo, Antonio Meliande/1982)


As Safadas é uma daquelas deliciosas pornochanchadas produzidas pela boca do lixo. Essa obra segue a linha que consagrou os filmes marginais produzidos na produtora paulista, separado em 3 contos descritos abaixo:

- A Rainha do Fliperama: Escrito e roteirizado por Carlos Reichenbach, um dos ícones do cinema erótico nacional, esse conto narra a história de Reginéia (Zilda Mayo), uma ex – moradora da periferia paulista que ganha a vida jogando fliperama valendo dinheiro, além de ser explorada pelo amante, um cafajeste de primeira. Um dia, Reginéia recebe a visita de um namorado da infância e acaba reacendendo a chama dentro dela. Destaque para a beleza e sensualidade de Zilda Mayo, que faz um estilo meio As Frenéticas;

- Uma Aula de Sanfona: Escrito e roteirizado por Inácio Araújo, que até então era um crítico de cinema e faz a sua estréia aqui. Esse conto narra a história de duas jovens, Nanci (Sandra Graffi) e Cristina (Isa Kopelman) que moram em um apartamento no centro de São Paulo e sofrem com o vizinho de cima que toca incansavelmente uma sanfona. Nanci tem um namorado que a trai com uma senhora rica e para colocar ciúme nele, acaba simulando um caso com o vizinho sanfoneiro, um gordinho feio, mas Nanci acaba se surpreendendo com a desenvoltura do rapaz. Esse foi o que mais gostei, principalmente pela ninfa Sandra Graffi que encanta a todo momento com seu jeito de menina e o desfecho tem um tom bem Nelson Rodrigues;

- Belinha, A Virgem: Para finalizar, esse conto escrito e roteirizado por Antonio Meliande é o mais cômico dos três. Belinha (Vanessa Alves) é uma jovem pobre que está prestes a se casar com um jovem rico, mas a mãe do rapaz faz de tudo para que a menina prove que é virgem. Enquanto isso, Belinha faz altas sacanagens (que não seja sexo) com empresários, militares e padres em troca de dinheiro, para que possa comprar o vestido de noiva e o enxoval. Esse é recheado de momentos inusitados e engraçados, como em uma cena que o Brigadeiro amostra o pinto para Belinha e começa tocar uma música de pássaros, surreal.

As obras acima são provas de que o cinema nacional já foi muito mais inventivo e ousado, mesmo tendo qualidade técnica bem inferior, o que não é parâmetro para dizer se um filme é bom ou ruim. As Safadas vale muito pela diversão que propõe, além de ser um desfile de mulheres bonitas e sensuais. Pelo conjunto da obra: Nota 07.


6 comentários:

Alan Raspante disse...

Até hoje eu não vi UMA pornochanchada. Que coisa! Preciso ver alguma logo... hehehe

Hey, ficou massa o novo visual do blog xD

Celo Silva disse...

Alan, pornochanchadas normalmente são filme sem muita profundidade, mas q divertem bastante. Até pelo tom maldito das produções. Se começar a ver, vai ficar viciado. Indico as produções feitas por Ody Fraga e Carlos Reinchebach. Obrigado pelo elogio, são os comentários q motivam a continuar. Um abraço. Vlw.

Hugo disse...

O gênero produziu filmes interessantes e este ainda eu não conferi.

Assisti alguns filmes posteriores de Reichenbach, como o interessante "Garotas do ABC" e o correto "Falsa Loura".

Abraço

Celo Silva disse...

Hugo, adoro Falsa Loura, com a maravilhosa Rosana Muholand, Garotas do Abc não vi, mas falam muito bem. Vlw.

GAROTAS DO ABC é quase tão bom quanto FALSA LOURA. São filmes irmãos, digamos assim.

Quanto ao AS SAFADAS, eu adoro o conjunto dos três filmes. Mesmo o último, que eu achava sem muita profundidade, foi ganhando força na memória. Taí um belo exemplo de filme de segmentos beirando à perfeição.

Celo Silva disse...

Com certeza, Ailton, As Safadas é um filme para ser apreciado mais vezes. Obrigado pela ilustre visita. Um abraço.