Um filme em que um dos plots principais é um campeonato de lutas MMA que envolve a rivalidade entre dois irmãos normalmente não deve ser l...

359 - Guerreiro (Warrior/Gavin O´Connor/2011)


Um filme em que um dos plots principais é um campeonato de lutas MMA que envolve a rivalidade entre dois irmãos normalmente não deve ser levado muito a serio, até porque essa não é a primeira obra e nem vai ser a última a visitar essa temática. Porém, Guerreiro passa longe de ser um filme apenas de lutas e treinamentos, diria que está mais para O Vencedor de 2010 do que para um genérico do Grande Dragão Branco com ex-astro belga Van Damme. Até porque o esporádico diretor Gavin O´Connor trás um retrato contundente e visceral de uma família de lutadores repleta de conflitos, amarguras e tristezas desde sempre que procuram na violência da luta uma maneira de se reencontrarem e libertarem suas frustrações. 

Tommy Conlon (Tom Hardy) reaparece do nada na casa do pai que não vê há 14 anos, Paddy (Nick Nolte), um ex-alcoolatra que vive tentando se redimir com seu outro filho, Brendan (Joel Edgerton). A intenção de Tommy, que carrega certa áurea misteriosa, é que Paddy o treine para um campeonato de MMA chamado Sparta, que vai render 5 milhões ao campeão. Brendan, professor de física em uma escola fundamental, após ser suspenso das suas atividades por conta de uma luta e com problemas financeiros em casa, acaba voltando ao ringue, do qual viveu por um bom tempo como lutador do UFC. Por acaso, Brendan acaba sendo inscrito no mesmo torneio. Então, o que torna Guerreiro destacado na filmografia que envolve filmes de lutadores é como O´Connor trata os aspectos de cada personagem. Não vemos treinamentos edificantes, nem personagens heróicos, os protagonistas são bem humanos, cheios de defeitos, principalmente o Paddy de Nick Nolte, que entrega uma atuação sensacional, como o pai que destroçou aquela família com seu vicio.

Na verdade, Guerreiro é um filme que trás atuações sublimes da trinca principal, Joel Edgerton concebe com qualidade o sujeito mediano que se supera nas adversidades, é dele uma das lutas mais emocionantes quando enfrenta um oponente russo, mas Tom Hardy nos brinda com um momento icônico em sua carreira, desde o magnífico Bronson de Refn feito em 2008 tenho um olhar especial para esse ator. O Tommy de Hardy é daqueles personagens reprováveis que cativam o público de uma maneira tão forte que fica difícil não torcer por ele ou se emocionar com sua jornada. Um homem marcado por tragédias, de poucas falas, mas que com seu olhar selvagem consegue transmitir boa parte de suas emoções contidas que descarrega de forma brutal contras seus adversários.

No meio de todo esse crível conflito familiar, pontuado por momentos brutalizados, mas mesmo assim tocantes, é claro que a realização de O´Connor tem sua ação, com lutas bem coreografadas e filmadas, mostrando toda a violência que o MMA pode proporcionar e que atrai um séqüito de fãs que afirmam a projeção de que o esporte provavelmente vai dominar o gosto do público, superando até outros esportes mais populares. A edição que acelera e desacelera o filme nos momentos certos é mais um dos trunfos que o diretor conseguiu trazer para mesclar com competência drama e ação e assim fazer de Guerreiro um dos melhores filmes no ano de 2011.



5 comentários:

Eu sinceramente espero que Tom Hardy possa ser indicado ao Oscar. Interessante é que o roteiro desse filme aqui valoriza cada personagem, é, acima de tudo, bem humano. Muito, muito melhor que O VENCEDOR, ao meu ver. Abraço e belo texto!

Kamila disse...

O Gavin O'Connor é um ótimo diretor e ele é muito interessado nessa discussão de um círculo familiar. Quero muito conferir "Warrior", ainda mais depois dessa sua crítica.

Júlio Pereira disse...

Impressionante como esse filme tá crescendo graças ao boca-a-boca e às críticas positivas. Eu não esperava nada e iria deixar passar em branco, mas agora, depois de tanto alarde, tenho que conferir. O Tom Hardy bombou assim pra se preparar pro Batman, que ele vai estar uma muralha =P

J. BRUNO disse...

Pessoalmente não gosto de filmes de lutas, mas quando estas se tornam metáforas para conflitos maiores ai sim nascem verdadeiras obras primas, vide por exemplo "Touro Indomável", "O Lutador", "O Vencedor" e "Mal dia para Pescar" (este último, um filme maravilhoso)...

http://sublimeirrealidade.blogspot.com/2011/06/o-lutador.html
http://sublimeirrealidade.blogspot.com/2011/03/o-vencedor.html
http://sublimeirrealidade.blogspot.com/2011/05/mau-dia-para-pescar.html

Celo Silva disse...

Cris, tb acho mais empolgante q O VENCEDOR, mas talvez o filme se destaque pela grandes atuações de Bale e Leo. Tb torço para q Hardy seja lembrado, mas não posso dizer q acho q vá receber;

Kamila, ele explora bem esses conflitos mesmo, não conheço muito seu trabalho, mas gostei muito do q vi nesse;

Bruno, disse td, fiquei curioso qt a esse ultimo, vou dar uma procurada nele.

Abs!
Júlio, é um filme q anda tendo boas percepções mesmo, vale muito uma conferida. Hardy tá gigante no trailer do novo BATMAN, espero q se saia bem tb;