Se os americanos têm o western como um dos seus gêneros mais representativos, aonde muitas vezes usam o cenário para contar a sua própria ...

354 - 13 Assassinos (Jûsan-nin no Shikaku/Takashi Miike/2010)


Se os americanos têm o western como um dos seus gêneros mais representativos, aonde muitas vezes usam o cenário para contar a sua própria historia, os japoneses tem nos filmes de samurai o seu reflexo, aonde apresentam toda a importância que dão para a honra, vista muitas vezes no samurai que comete o harakiri (suicídio). As histórias que se formam em volta de homens que não se furtam em entregar a vida pelo que acreditam se mostram tão vastas na filmografia japonesa, que o mestre Kurosawa se apossou do tema e conseguiu extrair verdadeiras obras-primas, como Os Sete Samurais ou Rashomon. E o filme em questão, 13 Assassinos, mesmo não tendo um caráter tão reflexivo das obras de Kurosawa se mostra uma eficiente realização sobre essas lendárias figuras que povoam o imaginário mundial desde sempre.

A realização do experiente diretor Takashi Miike é a prova de que nem sempre um filme precisa de uma história complexa e grandiosa para ser notável. O ponto de partida da trama de 13 Assassinos é até simples: vivendo em uma época em que os samurais são dispensáveis, o conselho do imperador secretamente incumbe um samurai respeitado chamado Shimada (Kôji Yakusho) de recrutar um pequeno grupo de homens para assassinar o Lorde Naritsugu (Gorô Inagaki), um político ditador violento que pleiteia um cargo na câmara do Shogun representante do Império.

O primeiro ato da obra se mostra um pouco tedioso, porque as tramóias em questão são pouco explicativas e perde-se um bom tempo mostrando o recrutamento dos samurais, que talvez na falta de rostos conhecidos façam algumas cenas soarem repetitivas. Com o desenrolar do filme, alguns personagens se mostram carismáticos e percebemos que a história fica até em um segundo plano para assim Miike construir um trabalho esteticamente perfeito e eletrizante. O grupo formado por 12 samurais e um camponês misterioso (que também serve como alivio cômico) sitia uma cidade na intenção de armar uma armadilha para o Lorde Naritsugu. Então, a partir dos acontecimentos no povoado, vemos como esse tipo de cinema se assemelha ao faroeste americano, trocamos os revolveres por espadas e presenciamos uma batalha magnífica (de quase 50 minutos) entre 13 homens e praticamente um exército inteiro, mas dentro de um contexto plausível, sem personagens voadores ou magia.

Se a historia é deixada de lado, no final pouco importa, porque vemos um filme autêntico em suas pretensões, mostrando como esses homens chamados de Samurais se entregavam a propósitos muitas vezes errôneos e mesmo tendo suas próprias convicções, as deixavam de lado para poder cumprir a missão para qual nasceram. Engraçado que em uma visão ocidental pode parecer um bocado de heroísmo, mas pelo desfecho do filme percebemos que os próprios japoneses hoje entendem que da violência da guerra não existe nada de heróico.


12 comentários:

Elson disse...

Realmente falaram muito bem desse filme, tanto que assisti a uns 20 minutos e parei, acabei achando chato demais, sua crítica me animou a voltar a assistir à obra desse diretor que já nos deu filmes como, "Ichi o assassino" e "Audition" ambos de uma violência absurda.
abs

já é o segundo que ouço falar bem dessa produção...ela foi vinculada a algum prêmio?? abs!

Sempre me interesso por aventuras d samurais...
Celo, O Falcão Maltês entra de férias amanhã. Desejo um Feliz Natal e um ano de 2012 bastante proveitoso.

Até Janeiro!

O Falcão Maltês

Victor Ramos (Jerome) disse...

Miike é um louco do cacete... quero muito ver esse.
Já assistiu Ichi e O Teste Decisivo?

Pudim de Cinema

Júlio Pereira disse...

Eu preciso ver esse filme com urgência. O Francisco Cannalonga vem me enchendo o saco há séculos pra eu assistir, mas tô enrolando. Não sabia que era do Miike... Enfim, não é todo dia que se vê 50 minutos ininterruptos de batalha de samurais, que depois de mafiosos, são os caras mais badass existentes.

Hugo disse...

Legal sua dica, não conhecia este filme.

Já faz há algum tempo que estou com "Os Sete Samurais" e "Rashomon" em casa para assistir.

Abraço

A sequência final por si só já deveriam render ao Miike algum tipo de premiação por direção. 50 minutos de ação que não cansa por um segundo porque, diferente de algo como transformers (que é só um monte de explosão se destruindo sem nenhum controle), todas as batalhas seguem um ritmo, uma montagem precisamente calculada que lembram as grandes batalhas de Kurosawa mas ainda maior.

J. BRUNO disse...

Mais um para minha lista!
Gosto dos filmes orientais principalmente pela estética, ainda não conheço o trabalho de Takashi Miike, mas pretendo ver este filme logo e quem sabe após ele dar um mergulho mais profundo na filmografia deste realizador... Parabéns pela análise!

http://sublimeirrealidade.blogspot.com/2011/12/o-garoto-de-bicicleta.html

Celo Silva disse...

Elson, ainda não assisti esses q vc citou, mas vontade não falta, volte a 13 ASSASSINOS, pq é um bom filme mesmo;

Cinema Detalhado, acho q chegou a ser citado, mas não foi nomeado a nada;

Antonio, para vc tb meu caro! Obrigado pela presença constante. Vou passar lá no Falcão para curtir as últimas antes do final de 2011.

Celo Silva disse...

Victor, só assisti esse do Miike, mas quero me aprofundar na filmografia do diretor, 2012 tá ai para isso;

Júlio, vale uma conferida sim;

Francisco, traduziu muito bem, o filme todo tem sua referencia a Kurosawa, mas sem ter sua propria identidade.

Celo Silva disse...

Bruno, valeu pela presença constante, tenho q visitar seu blog para um olhar mais atento. Grande Abraço a todos!

Celo Silva disse...

Hugo, duas obras-primas de Kurosawa, não deixe de ver, assim como esse. Abs!