Bill Condon é um diretor que provavelmente será muito comentado e talvez lembrado por muito tempo, pois esta envolvido com a direção das de...

304 - Deuses e Monstros (God and Monsters/Bill Condon/1998)

Bill Condon é um diretor que provavelmente será muito comentado e talvez lembrado por muito tempo, pois esta envolvido com a direção das derradeiras partes da Saga Crepúsculo, que são acompanhadas por um bom público, mas muito antes de ser escalado como diretor de aluguel para dar credibilidade à conclusão da historinha dos monstros juvenis, ele dirigiu e roteirizou um filme que chega bem perto de uma obra-prima. Essa realização é Deuses e Monstros que conta a parte senil da vida de James Whale, diretor inglês que se notabilizou por fazer filmes antológicos como Frankenstein e A Noiva de Frankenstein.

Condon acerta ao fugir de um estilo de cinebiografia tradicional e retrata o cineasta em uma fase bem frágil, quase débil, mostrando o lado do ser humano do personagem em detrimento ao que poderia ser visto da sua porção genial. Certamente, Condon apresenta uma condução especial da historia, principalmente quando mescla a ficção dos filmes de Frankenstein com a vida real do personagem, com o que ele esta vivendo naquele momento. A direção acertada de Condon é notável, mas quem trás toda a magia necessária ao filme é Ian McKellen (em sua melhor atuação de todos os tempos), o seu James Whale é apresentado como um gay assumido, que teve seu auge com festas regadas a sexo, mas que rompeu com o cinema por não querer trabalhar como a indústria impunha, o que acabou ocasionado seu esquecimento e reclusão, sendo ainda visto como um excêntrico.

O tipo de perfil de Whale apresentado poderia afastar o expectador, mas a entrada de Clayton Boone (Brendan Fraser), o jardineiro com quem Whale faz amizade e parece sentir certa atração, faz uma interessante relação entre fã e ídolo, porque mesmo assustado com o ímpeto daquele senhor de condutas impróprias para a época, Boone se senti atraído pela força do personagem criado por Whale e pela própria vida passada do diretor. Então desabrocha uma improvável amizade entre a dupla, já que Whale propõe ao jardineiro pintar o seu retrato e são nesses momentos íntimos entre pintor e modelo que surgem as melhores cenas do filme, com diálogos mordazes que muitas vezes nascem como embates para depois amostrarem quantas reminiscências os dois possuem. Whale assombrado por seus fantasmas, principalmente os das memórias da guerra que participou como oficial e Boone, frustrado e aborrecido por não poder ter honrado o pai e assim vai se formando aquele distópico laço entre eles.

O título de Deuses e Monstros faz alusão direta a como os diretores de cinema eram tratados nas décadas de 30, 40 e 50 nos EUA, como verdadeiros Deuses, dignos de viverem um patamar acima dos simples mortais. Na cena da festa que o diretor George Cukor dá em sua imponente residência isso fica bem explicito, Cukor (em evidência na época), no filme é apresentado como um gay enrustido e esnobe, estagnado em um local especifico como um trono, ao lado de sua suposta namorada, uma princesa inglesa, esperando que todos os convidados venham reverenciá-los. Alias nessa festa, vemos na mesma seqüência Liz Taylor chegar, enquanto um fotografo intervém para que uma foto seja tirada entre James Whale, Boris Karloff e Elsa Lanchester, isso com a maior naturalidade, quase como se estivéssemos vivendo aquele momento. O epílogo é tão bonito quanto trágico e deixa aquela impressão de que o cinema nasceu para criar magia, mesmo que seja nas formas grotescas de um monstro. 


8 comentários:

Gabriel Neves disse...

Me lembro de ter colocado esse filme na minha lista há um tempo, mas acabei me esquecendo dele. Eu nem sabia do que se tratava, mas agora ele parece mais interessante do que eu achava. Com certeza ainda vou vê-lo.
Abraços!

Tsu disse...

Oi Celo!
Fiquei realmente interessada nesse filme..parece ser reflexivo e artistico..e claro conta com o talento de Sir Ian Mckellen!

Sabe o Kakashi é um personagem irresistivel para todos os fãs porque ele tem um carisma raro. Valeu por ter curtido os cosplays!

Kamila disse...

Esse filme é genial, na sua execução, e nas atuações. Especialmente na surpresa que é ver Brendan Fraser num papel sério e dando conta do recado, na sólida atuação da Lynn Redgrave e, especialmente, na sensacional performance de Ian McKellen. Até hoje, naquele ano fortíssimo de 1999 para os atores, não entendo como ele perdeu o Oscar para o Roberto Benigni.

Ainda que seja bem dirigido - Bill é ótimo condutor de elenco -, o filme ainda peca por um roteiro que tem momentos "chatos". Mas, gosto do resultado geral dele sim. E McKellen é um monstro em atuar, sabe muito e emociona em cena, é admirável ver. Só lamento ser o Fraser aqui escolhido, tantos bons atores e mais sexualmente interessantes que ele, rs. Enfim, minha opinião, não gosto desse "ator". abs, belo texto!

Celo Silva disse...

Gabriel, é um filmaço, veja o qt antes, dificil não gostar;

Tsu, exatamente o q disse, vale uma reflexão e McKellen dá um show aqui;

Kamila, a academia tem disso, qd td indica para um lado, os votantes parecem ir para outro, mas uma coisa é certa Benigni esta bem em A Vida é Bela, mas não supera McKellen mesmo!;

Cris, não achei nenhum dos momentos chatos, ainda vi algumas nuances de misterio q intrigam, mas enfim, é questão de percepção. Acho Fraser um ator bem mediano, apesar de ter feito papeis interessantes no inicio de carreira, como em Codigo de Conduta e Com Merito e nesse ele ta bem sexualizado, achei q se saiu muito bem para o que seu personagem se propõe;

Abs a Tds!

beto disse...

Adorei este filme e fiquei revoltado na epoca pela perca do Oscar para o Benigni, coisas da academia, que já não levo tão a sério. Preciso rever.

Um grande filme, onde Brendan Fraser provou que tem talento dramático, apesar de não usar muito.

Celo Silva disse...

Beto, não da para levar o Oscar muito a serio mesmo, mas mesmo assim ainda é referencia para quem gosta de cinema;

Gilberto, concordo contigo, o cara se vendeu, mas fazer o q, o dinheiro movimenta o mundo;

Abs!