A produção que rendeu o Oscar de melhor filme estrangeiro para o italiano Federico Fellini , A Estrada da Vida é uma obra que pode ser co...

299 - A Estrada da Vida (La Strada/Federico Fellini/1954)

A produção que rendeu o Oscar de melhor filme estrangeiro para o italiano Federico Fellini, A Estrada da Vida é uma obra que pode ser considerada tradicionalista na carreira desse lendário diretor, não tem o experimentalismo e nem a ousadia de outras realizações suas como 8 ½, Satyricon ou Casanova, mas com certeza ganha destaque na filmografia desse realizador pela maneira delicada e ao mesmo tempo dura de como acompanha o relacionamento imposto entre o artista circense Zampano (Anthony Quinn) e Gelsomina (Giulietta Masina), uma moça que ele comprou de uma mãe miserável para ser sua assistente.

Assim como em alguns outros trabalhos seus, Fellini utiliza o seu filme para fazer uma homenagem ao trabalho de circo, visto aqui quase de uma maneira artesanal. A construção da trama é lenta, mas rende momentos bem íntimos, como quando Zampano inicia Gelsomina na arte circense, rendendo uma inevitável comparação e homenagem a Chaplin com o chapéu coco e a maquiagem que a moça usa. O relacionamento entre a improvável dupla é muito difícil, ele um durão, considerado pela própria como um animal e ela tão sensível ao ponto de se debulhar em lagrimas com um simples elogio. Eles estão em conflito boa parte do tempo, mas a admiração, o protecionismo e o amor entre os dois são evidenciados em muitos momentos, mesmo sem haver revelações explicitas e sem eles aparentemente exporem esses sentimentos.

A Estrada da Vida é uma obra que flerta com um tipo de cinema mais abrangente, não rende muitas interpretações do expectador e talvez por isso tenha ganho a premiação da academia, mas mesmo assim guarda as características de seu diretor, como a fotografia realista e certo tom cômico melancólico. A musica de Nino Rota ajuda a compor os momentos mais sensíveis do filme, enquanto a talentosa dupla de protagonistas apresenta atuações mágicas, dignas de um filme que para sempre estará marcado nos autos da memória afetiva da Sétima arte. O epílogo, aonde Zampano expõe de maneira visceral e única  todos os seus sentimentos por Gelsomina é um dos momentos mais emocionais já testemunhados. 


12 comentários:

É um dos grandes filmes da primeira fase de Fellini. Talvez o melhor. Não sou tão conhecedor da obra dele. Sou amante de A DOCE VIDA. Mas cheguei a ver este A ESTRADA DA VIDA no cinema. Engraçado que sempre que falam desse filme eu lembro de um depoimento do Caetano Veloso, no qual ele diz que ela passa o filme sem olhar para o céu. Que observação mais curiosa. hehe

Kamila disse...

Este é um dos filmes do Fellini que eu ainda não conferi. Clássico absoluto.

Bruno Müller disse...

Um dos meus favoritos do Felinni (não que eu tenha visto todos). A qeuimica entre os personagens de Quinn e Giulieta é ao mesmo tempo perfeita, delicada e angustiante. O final é realmente muito emocionante, embora eu não o tenha entendido muito bem, rss. Acho que terei q ver novamente. XP

Ah, esse é obra-prima! Não tenho nem o que dizer... Fellini, gênio absoluto!

Complementando: e esse foi um de seus melhores textos, Celo. Parabéns!

alan raspante disse...

meu filme predileto de fellini (acho que só perde para noites de cabíria). lindo e intenso e o que masina neste filme? absurda de tão incrível!

Muito bom o texto mesmo, esse filme eu não vi, mas desde já tenho grande interesse pela obra. Parabéns! abs

O que dizer do estilo 'felliniano'!? PErfeito! Adoooro! Está aqui um blog que tenho adorado acompanhar... filmes que já estavam lá no fundinho do baú, no cantinho do porão, vejo aqui! É preciso rever... rever é um de meus lemas de cinéfila! rs bjks

Rodrigo Mendes disse...

Preciso retornar à Fellini, rever a sua obra. Há fases que não assisti. Esta fita eu achei explêndia qaundo vi no meu curso de cinema, lembro que ela era realmente mais "tradicional", mas temos que ter cuidado ao analisar ela para não ficar no lugar comum. Evidente que ele tem obras mais ousadas como 'A Doce Vida" e "Amarcord" meus prediletos.

Abraço.

Celo Silva disse...

Ailton, não cheguei a notar isso, mas é uma curiosidade mesmo;

Kamila, vale muito ser visto;

Bruno, o final é a representação de como Zampano se arrepende de td q fez e sente falta da moça, bem, acho eu.

Celo Silva disse...

Fabio, obra-prima mesmo. Vlw pelo elogio, q bom q gostou, fico realmente satisfeito;

Alan, Masina está maravilhosa mesmo, ainda não assisti NOITES DE CABIRIA, mas quero conferir;

Cris, vlw pelo elogio.

Celo Silva disse...

Joicy, menina, q bom q tem gostado de acompanhar meu blog, fico feliz mesmo! O q seria de nós cinefilos sem obras como essas?

Rodrigo, apesar de ser mais tradicionalista é um filme excepcional. Ainda tenho q assistir mais Fellini, mas sabe q achei SATYRICON meio sacal?

Abs a Tds!