Andei lendo em alguns lugares, inclusive no excelente Cine do Beto (que também defendeu o filme), que o argentino Medianeras vem sendo acu...

263 - Medianeras: Buenos Aires da Era do Amor Digital (Medianeras/Gustavo Taretto/2011)

Andei lendo em alguns lugares, inclusive no excelente Cine do Beto (que também defendeu o filme), que o argentino Medianeras vem sendo acusado de ser um filme publicitário. Bom, mesmo que a intenção do diretor Gustavo Taretto seja divulgar a cidade de Buenos Aires, é um trabalho que deve ser louvado, pois o faz muito bem, de maneira interessante e mesmo assim, acho que mostrar as mazelas de uma cidade, não seja uma publicidade muito positiva.

O ponto de partida de Medianeras é mostrar a metrópole, pode ser Buenos Aires ou qualquer outra do mundo como influenciadora nas tristezas e alegrias na vida de seus moradores, vivendo em apartamentos minúsculos, aonde muitas vezes não se vê a luz do sol e ainda a imersão dos mesmos em vidas tão particulares, catapultadas por atrativos, como a “vida virtual”, que cada vez mais nos enclausura em casa, criando neuroses e medos em enfrentar uma vida considerada "real".

Nesse meio tempo somos apresentados a Martin (o carismático Javier Drolas), rapaz que como web designer vive na internet e pouco sai de casa, influenciado também por uma desilusão amorosa. Tem como vizinha de quarteirão a arquiteta Mariana (a belíssima Pilar López de Ayala), que como ele está um tanto frustrada com um amor acabado, que tenta se reerguer na sua tristeza. Eles não se conhecem, mas poderiam ser almas gêmeas senão vivessem escondidos em casa com seus receios ou presos ao computador. Esse também é um outro dos diálogos do filme: o isolamento humano dentro de uma cidade tão populosa.

O suposto tom de alegoria publicitária acaba rendendo essa inevitável e errônea comparação devido a como o diretor conduz seu filme, com seqüências bem explicativas sobre a cidade de Buenos Aires ou a fotografia que lembra calendários de moda, mas ganha muito por ser uma obra fluida, com um delicioso sabor de fábula moderna, de bom humor, mesmo que muitas vezes demonstre uma faceta triste, fazendo até um reflexo do estado de espírito do próprio povo argentino, que vive uma melancolia nacional devido à crise econômica que assola o país.

7 comentários:

Grato pela recomendação, Celo. Ficarei atento para assisti-lo.
Abraços

O Falcão Maltês

Maxwell Soares disse...

Oi, Celo. Visitar o blogger do Fábio e o seu, parceiro, são paradas obrigatórias. Boa dica,mais uma vez. Vou tentar encontrar,aqui. Um abraço

Celo Silva disse...

Antonio, é um filme q merece ser descoberto;

Maxwell, obrigado pelo apoio! Tb tó sempre dando uma olhada no seu blog.

Abração a Tds!

Ótima crítica Celo. É o cinema argentino cada vez mais prolixo.
Abs

Celo Silva disse...

Reinaldo, vlw pelo elogio! O cinema argentino tem se mostrado bem interessante e eficiente em suas propostas. To sempre conferindo. Abs!

Beto disse...

Só agora que estou lendo sua menção ao meu blog. Fico muito agradecido, de verdade. Fiquei uma semana sem blogar. Acabei assistindo de novo, mas já não tive a mesma sensação. Só a de que Pylar é minha musa do ano (por enquanto), alias, acho que por ela que gostei tanto do filme, hehehe.

Celo Silva disse...

Beto, com certeza ela é um das melhores coisas do filme mesmo! Linda demais!