Tendo assistido apenas Eu. de 1987 da filmografia de Walter Hugo Khouri é inevitável uma comparação com esse Noite Vazia de 1964, nos ido...

238 - Noite Vazia (Walter Hugo Khouri/1964)

Tendo assistido apenas Eu. de 1987 da filmografia de Walter Hugo Khouri é inevitável uma comparação com esse Noite Vazia de 1964, nos idos da filmografia desse diretor. Claro que a diferença de anos torna a comparação sem propósito, mas apesar desse Noite Vazia parecer muito mais solene do que Eu., percebe-se que um dos tema que Khouri gosta de tocar em suas obras é sobre o poder, mesmo um poder aplicado em forma monetária, que acontece com o Marcelo de Eu. e também aparece nesse na forma  de Luisinho (Mario Benvenutti), playboy que passa boa parte da vida em encontros fortuitos em um apartamento preparado para isso.

Lusinho e Nelson (Gabriele Tinti) saem pela noite de SP à procura de diversão e mulheres que tenham algo “diferente”, para que possam levar para uma noitada no apartamento de alcova de Luisinho. Um drink em um bar aqui, uma passada em uma boate ali, um restaurante lá e durante a peregrinação acabam esbarrando em duas prostitutas de luxo (Norma Bengell e Odete Lara), que prontamente se colocam a disposição de acompanhá-los ate o apartamento, mesmo uma delas antagonizando Luisinho o tempo todo, que apesar de tudo, parece não se divertir, mesmo tendo tudo a sua disposição, e faz um tipo de jogo maléfico com o amigo Nelson, que parece sentir-se culpado o tempo todo por participar das perversões do amigo.

Na verdade, Luisinho, talvez, sinta mais prazer em manipular as mulheres com seu dinheiro, que a todo tempo esfrega na cara das moças, do que com o sexo, que aparece com algumas reminiscências em cena, principalmente na figura da prostituta defendida por Norma Bengell, que mesmo sendo promiscua, parece querer manter alguma integridade e ainda parece se interessar verdadeiramente por Nelson, mas a trama não chega a dar profundidade a um romance, mostrando como muitas vezes uma vida de farras e noitadas pode ser tão vazia como uma vida até certo ponto tradicional e como o ser humano pode ser incompleto na sua busca itinerante por satisfação.

Em Noite Vazia, Khouri se mostra ainda como um realizador apurado, construindo belas cenas, como uma em que todos os personagens aparecem tomando banho de chuva na varanda do apartamento, como se lavassem suas almas perdidas de todos os males. Apesar de ser um filme dramático, ele carrega em certos momentos uma trilha sonora que remete a suspense, como se alguma coisa estivesse para acontecer a qualquer momento, criando uma tensão que passa ao expectador. Posso até estar errado, mas também achei que essa obra guarda uma boa inspiração em Bergman, como eles são contemporâneos, pode até proceder, mas sem duvida, essa descoberta de Khouri até agora tem sido extremamente satisfatória, pena seus filmes serem tão difíceis de achar.

5 comentários:

Não vi o filme, mas a julgar pela trama, com aspectos bem teatrais, parece ter algo de Bergman e também de Buñuel (a limitação de espaço). Parece interessante!

Faz muito, muito tempo que vi NOITE VAZIA. É um dos meus favoritos ainda do diretor, mas preciso rever. Tem uma atmosfera de angústia muito foda. Além da sensualidade, que pra época deve ter sido bem ousada. Odete Lara linda!

Celo Silva disse...

Fabio, é um filme bem interessante mesmo, lembra Bunuel tb, com certeza Khouri absorveu muito de grandes diretores;

Ailton, tem um sentimento de angustia foda mesmo, com certeza deve ter chocada a epoca de seu lançamento, Odete LAra linda mesmo, parece até atriz Hollywoodiana classica, alias essa obra tem um tom de Clássico

Abs!

Mais um que preciso, urgente, experimentar! esse daqui me atraiu ainda mais que o "Eu"! abs!

Celo Silva disse...

Noite Vazia é um excelente filme, veja sim!