A obra do cineasta performático Alejandro Jodorowsky , El Topo , é cinema de simbolismos, travestido de western spagetti, tornando a realiza...

226 - El Topo (Alejandro Jodorowsky/1970)

A obra do cineasta performático Alejandro Jodorowsky, El Topo, é cinema de simbolismos, travestido de western spagetti, tornando a realização um filme enigmático, ora nosense ora místico ora surrealista, apresentando um personagem que se confunde com uma Divindade em suas aspirações, com momentos inspirados, mesmo em alguns não se entendendo muito dos seus significados.

El Topo (o próprio diretor) é um pistoleiro que vaga com um menino nu a tiracolo. Em suas andanças, para conquistar o amor de uma mulher, deve enfrentar os quatro maiores pistoleiros em um grande deserto. Claro que essa premissa é um pano de fundo para um festival de seqüências antológicas, com duelos bizarros, regados a sangue cenográfico feito a base de melancia, que é nada real, mas que exalta ainda mais o tom artístico da película, montando enquadramentos que lembram pinturas. O diretor divide o filme em capítulos como Gênesis e Apocalipse, dando a percepção de que o dialogo seria em torno de Deus e religião, mas tudo acaba ficando meio implícito. Em certo momento, El Topo troca às armas por caridade e começa a mendigar pelas ruas de uma cidade tomada pela luxuria, buscando um caminho para salvar um povo moribundo que mora isolado em uma caverna. El Topo assume o papel de salvador para eles, renascido em uma vida simples e sofrida.

Jodorowsky concebe uma obra que pode ser definida como arte de vanguarda, descoberta pelo beatle John Lennon, que fez questão de divulgar o trabalho do diretor, sem Lennon, talvez o mundo não viesse a conhecer El Topo. Uma realização que mistura violência explicita, com sexo, com filosofia, com religião, com o lisergismo dos anos 60 e 70, mostrando que o cinema tem como viés também divulgar a arte, mesmo a considerada maldita e transgressora.

4 comentários:

Elson disse...

lendo o seu post, me lembrei dum western bem de vanguarda e pouco comentado à época, "Dead man" procurado vivo ou morto do diretor Jim Jarmuch, um dos filmes mais originais que já vi.

Celo Silva disse...

Elson, conheço esse filme, mas não assisti. Gosto das obras do Jamursch q vi, talvez confira esse antes do final do ano. Deve ser uma boa pedida.

Grande Filme! Saudações desde Portugal!

Celo Silva disse...

Carlos, é um filme interessante mesmo, vi q tem um blog, farei uma visita e obrigado pela visita tb! Grande Abraço!