Restrepo era um soldado americano morto em ação em uma investida do exercito para instalar um Posto Avançado no Vale Korengal em 2007, no Af...

257 - Restrepo (Sebastian Junger, Tim Hethergton/2010)

Restrepo era um soldado americano morto em ação em uma investida do exercito para instalar um Posto Avançado no Vale Korengal em 2007, no Afeganistão, conhecido como uma das regiões mais perigosas do planeta. Após a conquista desse ponto, que seria o mais perto que as tropas americanas chegariam dos Talibãs, o local foi batizado em homenagem a esse jovem que faleceu no confronto. Um dos pontos de partida do documentário Restrepo, dirigido pela dupla de fotógrafos de guerra, o americano Sebastian Junger e o britânico Tim Hethergton, é a comoção do pelotão sobre a morte do personagem-título, que parece funcionar ainda como força motivadora para todos.

Claro que esse ponto de partida faz com que o expectador tencione a favor dos soldados, mas a linha narrativa proposta pelos diretores não se dispõe a advogar para nenhum dos lados. O que vemos são jovens (bem jovens mesmo) sendo liderados por pessoas que estão tão confusas como eles. Eles sabem que estão ali para tomar o local, para matar ou morrer pelo seu país e mesmo desnorteados, demonstram até certo ponto sentir prazer nisso, como em certo momento um dos soldados cita, que a Guerra é como o crack, altamente viciante. Vemos também cenas dos soldados tentando dialogar com o povo local, que sequer entende o que eles propõem e que de uma maneira ou de outra se vêem obrigados a se envolver na Guerra Santa de seus patriotas, mesmo não querendo e ainda tornado-se vitimas.

Os diretores talvez não tenham a clara intenção de criar um dialogo sobre a situação da ocupação americana no Afeganistão e sim criar um DOC que mostre cenas impressionantes, captadas com uma câmera em primeira pessoa que nos coloca como um soldado do batalhão, que ainda carregam outras câmeras em seus capacetes para não perder um momento da ação, que aparece em boa quantidade e em tomadas jamais vistas em algum filme ficcional sobre a guerra. Com os soldados “metendo bala” nos Talibãs e vice-versa. Só que indiretamente, não sei se pelo viés do assunto, a inserção posterior dos relatos dos combatentes acaba criando esse clima de debate. No final, uma coisa parece certa, tocados de maneira súbita, pela perda de amigos ou do sofrimento no Posto Avançado, os jovens soldados nunca esquecerão o que viveram em Restrepo.

P.S: Um dos diretores, o fotógrafo britânico Tim Hethergton, nomeado pelo Oscar pela produção, foi morto em Abril deste ano em Misrata, na Líbia, enquanto registrava um Front de batalha.

5 comentários:

Hugo disse...

O documentário parece ser muito interessante e o tema é extremamente, ou melhor, infelizmente o tema guerra é quase sempre atual.

Abraço

Concordo com Hugo...

O Falcão Maltês

Celo Silva disse...

Hugo e Antonio, é um filme q é bem interessante mesmo, até por mostrar o ponto de vista dos soldados, q acabam muitas vezes soando descartaveis em produções sobre guerra.

Marcos Rosa disse...

Meus filmes ou documentários preferidos falam de guerras, não porque goste delas, mas porque mostram o quanto são cruéis, e mesmo assim, atrai homens dispostos a matar ou morrer. Infelizmente, alguns destes filmes/documentários mostram estas pessoas como heróis. E para uma guerra não é heroísmo.
Já vou procurar este.

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www.algunsfilmes.blogspot.com

Celo Silva disse...

Marcos, Restrepo é um filme q foca a guerra exatamente como vc cita, sem heroismos. Vale uma olhada mesmo.