Nem homens, nem mulheres, seres humanos. Esse era o lema que o grupo musical/teatral conhecido como Dzi Croquettes carregava. O documentário...

258 - Dzi Croquettes (Tatiana Issa, Rafael Alvarez/2009)

Nem homens, nem mulheres, seres humanos. Esse era o lema que o grupo musical/teatral conhecido como Dzi Croquettes carregava. O documentário realizado por Tatiana Issa (que é filha de um dos ex-integrantes da equipe dos Dzi) e Rafael Alvarez procura resgatar na fraca memória nacional o passado de um grupo que tanto revolucionou a cena brasileira como a européia e só não pararam na Broadway por acaso do destino, angariando fãs como Liza Minelli, Jeane Moureau, Mick Jagger, Josephine Baker, Omar Shariff, isso falando de astros internacionais, sem contar os nacionais, que pontuam o DOC com comentários entusiasmados sobre a vida e a historia dos talentosos e inusitados 13 componentes da trupe.

Certamente muito da notoriedade dos Dzi Croquettes vinha da inventividade e talento do coreógrafo americano Lenny Dale, que carregava a alcunha de bad-boy da Broadway e cansado do marasmo das produções ianques resolve se aventurar em praias brasileiras, mais especificamente cariocas, aonde conhece o também coreógrafo Wagner Ribeiro, que tinha a intenção de montar um espetáculo de vanguarda, que seria uma mistura de Cabaret, com forte influência do coreógrafo Bob Fosse, com o carnaval carioca. Nem precisa dizer que Lenny achou genial e logo se formou o grupo, que causou uma balburdia no mundo artístico dos anos 70, aonde se vivia uma época em que tudo poderia ser censurado e com jogo de cintura, até porque eram considerados meros transformistas e os censores não entendiam e nem levavam os Dzi muito a sério, foram censurados em apenas uma das suas apresentações, por conta do excesso de nudez.

Os trezes integrantes moravam juntos e viviam em uma espécie de sociedade própria, aonde não existiam regras e claro que tudo também era regado a muitas loucuras e drogas. Talvez, o vicio em drogas tenha sido o grande motivo do fim do grupo, assim como aconteceu e acontece com outros artistas de sucesso. Agora, uma coisa é fato, ao apreciar as cenas do espetáculo, percebe-se que tinham muito talento para dança, atuação e humor, fazendo uma critica ácida a sociedade e depois, ainda sendo considerados um dos precursores da comédia amoral no Brasil. Claro que os Dzi ganham outras conotações nos dias de hoje e em certo momento do filme, um dos entrevistados os citam como o primeiro libelo de um movimento gay no país.

Seguindo uma linha narrativa pontuada por testemunhos de fãs famosos, Dzi  remanescentes e por números dos grupo, que apresentavam uma impressionante precisão ao executá-los, como obra cinematográfica, Dzi Croquettes funciona bem e agrada a leigos como eu que não conheciam a historia do espetáculo, podendo até formar novos fãs dos andróginos rapazes, que com certeza influenciaram uma vasta gama de artistas nacionais e internacionais. Além de todo o viés artístico, o DOC também apresenta um retrato do regime de ditadura, uma época sombria que o nosso país se manteve imerso, e que mesmo com tanto censura e repudio a arte, não deixou de ser um dos momentos mais criativos da nossa historia.

4 comentários:

alan raspante disse...

Desde o lançamento que estou "pra ver" este documentário e até agora nada.

Vou tentar vê-lo por esses dias se possível!

Abs.

Documentário é um filho bastardo do cinema, o que é uma pena. Filmes assim merecem pelo menos uma assistida.

E Celo, estou com um novo blog que procura mostrar um outro lado da arte (cinema, literatura e etc...) cult, sob uma forma um tanto underground, diferente do Pudim de Cinema. Se puder vai dar uma visitinha por lá! Abs!


Victor Ramos
http://terradocult.blogspot.com/

Kamila disse...

Parece ser legal esse documentário, apesar de eu não conhecer o grupo no qual ele se baseia. Mas, adoro musicais e, como fã do gênero, quero conhecer essa história.

Celo Silva disse...

Alan, veja sim, é um bom filme;

Victor, DOC é um genero muitas vezes desprezado, mas q produz muitas perolas;

Kamila, tb não conhecia o grupo, mas fiquei fã. Vale uma olhada mesmo.

Abração a tds!