Jean de Florette A Vingança de Manon Ambientado na França rural dos anos 20 e 30, baseado na obra literária de Marcel Pagnol e filmad...

289-290 - Jean de Florette/A Vingança de Manon (Idem/Manos des Sources/Claude Berri/1986)

Jean de Florette
A Vingança de Manon
Ambientado na França rural dos anos 20 e 30, baseado na obra literária de Marcel Pagnol e filmado simultaneamente, a dualogia Jean de Florette e A Vingança de Manon pode ser considerada um marco para o prolixo cinema Francês. Durante muito tempo a produção mais cara do cinema local é desses poucos casos em que se consegue conjurar sucesso de publico e de critica. Não é para menos, a maneira como o diretor Claude Berri conduz a historia até certo ponto simples é extraordinária, focando nos principais temas do texto de Pagnol, como ganância, tragédia, amor e vingança, Berri, que também os roteirizou, concebe com excelência as duas partes, difícil saber qual é melhor e apoiado por um elenco de excelentes atores no auge como Gerard Depardieu, Daniel Auteuil, Yves Montand e Emmanuelle Beart, a obra-prima fica completa.

O inicio de Jean de Florette passa a impressão de uma realização sensível sobre o relacionamento entre o senhor César Souberyan (Yves Montand) e o seu sobrinho Ugolin (Daniel Auteuil), que acaba de chegar da guerra e pretende viver de plantar flores, criando uma das primeiras belas seqüências com o homem ainda jovem se dedicando à plantação e surpreendendo o tio com o feito. Ledo engano sobre a temática, porque quando o dinheiro entra em cena a verdadeira faceta da dupla é revelada. Para produzirem em larga escala as belas flores, eles precisam da fonte de água que nasce no terreno adjacente e não se furtam a arrumar um acidente que leva a vida do velho vizinho, mas o que eles não esperavam é que Jean de Florette (Gerard Depardieu), um cobrador de impostos corcunda e sobrinho do falecido herdaria as terras e se mudaria com a esposa e filha para o local, ainda com o intuito de trabalhar como fazendeiro.

A construção do golpe de tio e sobrinho contra Jean é climatizada de forma lenta, mostrada na primeira parte ao longo de dois anos, quando a dupla veda o fluxo de água do terreno do corcunda, fazendo com que o mesmo sofra com a falta para a irrigação de suas plantações e hidratação de seus animais. É duro ver a determinação do homem para tentar manter tudo nos eixos, mesmo sendo boicotado o tempo todo pelos vizinhos e sofrendo retaliação da população local por ser um homem estudado e da cidade. Depardieu entrega uma atuação excelente, mas nessa primeira parte quem rouba a cena é Daniel Auteuil, deformado com próteses dentarias horríveis, o seu Ugolin é um personagem sórdido, daqueles que se passa por melhor amigo para depois apunhala-lo pelas costas. Apesar de todo o clima dramático, inserido em locações lindas e de difícil acesso, que tornam crível a penosa jornada de Jean, a parte um Jean de Florette é dotada de certo humor, que flui espontaneamente e de maneira maldosa e deixa o publico “espumando” de raiva para assistir a conclusão.

A segunda parte torna-se tão notável quanto à primeira por fugir de uma vendeta mais explicita da filha de Jean, interpretada nesse pela belíssima Emmanuelle Beart. A tal vingança é entendida pela cidade como um castigo de Deus contra as maldades feitas a Jean de Florette, já que a água para de fluir para todo o povoado. A trama pula uma década a frente, mostrando a dupla formada por César e Ugolin prospera nos negócios de flores e a filha de Jean, Manon, vivendo como uma eremita ao lado de uma mulher considerada bruxa nas colinas das terras de seu pai que agora pertencem à dupla de malfeitores. Nesse, Ugolin parece um tanto arrependido com os atos do primeiro filme e resolve pedir Manon em casamento (isso mesmo), mas a moça se apaixona pelo professor local, criando alguns momentos bem íntimos. Recheado de diálogos ácidos e perfeitos que fluem para discussões sobre as verdadeiras facetas da situação apresentada, A Vingança de Manon tem um fecho surpreendente e perfeito para a esmerada produção de Claude Berri.



11 comentários:

Rodrigo Mendes disse...

Ótima sessão dupla Cara!
Preciso rever um pouco mais do cine francês. Gosto de muitas das fitas com Depardieu e Emmanuelle Beart linda. Em Hollywood só lembro dela em "Missão:Impossível", rs!

Claude Berri se foi, mas sua obra precisa de visitações recorrentes e mais revisões críticas. Muito bom vc postar aqui no seu blog.

Abs.

Interessante, nunca tinha ouvido falar deste filme, nem lido e nem visto trailer. A premissa me parece interessante, ainda mais pela presença do Auteuil - amo esse ator, acho tão excepcional que é admirável ver atuar. Abraço!

PS: POSTE MAIS cinema francês! te recomendarei uns depois!

renatocinema disse...

Assino com Cristiano. Não conhecia a obra, nem lido a respeito. Merece uma visita.


Na linha francesa gosto muito de Sitcom Nossa Linda Família.

Abraços

Kamila disse...

Nunca tinha ouvido falar deste filme, mas ele parece ser bem interessante.

Eu só comecei a ter uma pequena noção desses dois filmes agora que a Versátil lançou a edição nacional em DVD e essa foi a primeira resenha que li sobre. Valeu pela dica e parabéns pelo ineditismo!

Maxwell Soares disse...

Esse filme parece ser muito bom, Celo. Além da atuação de Gerard Depardieu que o considero um dos Grandes do cinema. Valeu a dica, companheiro. Até...

Celo Silva disse...

Rodrigo, vlw pelo elogio, essa obra é uma maravilha dirigida por Berri mesmo, vale muito uma apreciação;

Cris, é um filme muito famoso na Europa, exemplar dq qualidade do cinema Francês;

Renato, não conheço esse, vou procurar me informar, veja esse!;

Kamila, é mais do que interessante!;

Fabio, obrigado pelo elogio, ele só foi lançado em DVD agora mesmo, uma injustiça, apreciei ele em HD. Lindo demais!;

Maxwell, diria q esse é extraordinario, Depardieu está otimo na primeira parte, mas Auteuil rouba a cena do filme;

Obrigado a tds a visita, e uma ressalva q talvez vcs não tenham percebido: São dois filmes!

Abração!

Só em ter a Béart, já dá água na boca. Preciso ver esses filmes!

Celo Silva disse...

Ailton, vou te adiantar, ela aparece totalmente nua em algumas cenas, mas fora esse atrativo a parte, são filmes maravilhosos!

Vou baixar agora mesmo!! heheh

Falando nisso, você viu A BELA INTRIGANTE? Se não, trate de ver imediatamente! São quatro horas de Béart nua e linda como nunca num filme magistral de Rivette!

Celo Silva disse...

Ailton, uau! Vou baixar agora tb...hehehe...Beart é linda demais!