Obra-Prima esse Suspiria , o refinamento do refinamento no cinema de Dario Argento , é o típico: o que era bom ficou melhor. Feito dois anos...

267 - Suspiria (Dario Argento/1977)

Obra-Prima esse Suspiria, o refinamento do refinamento no cinema de Dario Argento, é o típico: o que era bom ficou melhor. Feito dois anos após o também maravilhoso Prelúdio para Matar, Suspiria parece transcender o próprio gênero chamado Giallo, que o próprio Argento ajudou a definir. Uma das características mais visível  do Giallo esta  lá, com o assassino que só é revelado no final, mesmo que aqui ele não apareça de luvas, mas suas mãos são tão peludas que poderiam ser consideradas luvas de veludo.

Calcado em um tom mais sobrenatural, Argento cria tensão e clima de suspense desde o primeiro minuto de exibição, quando Suzy Bannion (Jéssica Harper), bailarina americana que vai estudar na Alemanha do filme, pega um táxi no aeroporto em meio a uma tempestade. Acompanhamos o carro atravessar a cidade e uma tenebrosa floresta antes de chegar a Escola de Dança pretendida. Nesses breves 15 minutos iniciais, o expectador já fica na espera de algo acontecer e Argento não se furta em fazer acontecer, nos brindando com talvez a melhor seqüência do filme, minuciosamente tramada e culminando num assassinato duplo que provavelmente deve ser um dos mais belos de sua filmografia.

Suspiria é uma obra que tive a oportunidade de conferir em alta definição, assim como Um Corpo que Cai de Hitchcock foi um dos filmes que mais me impressionou assistidos nesse formato. Com seus tons extremamente vermelhos, escuridões clareadas por trovões, a fotografia salta aos olhos e o filme de Argento parece vivo, com quadros que espiam as alunas ou papel de paredes que parecem criar espirais, causando até momentos de sensação de vertigem. O diretor parece se preocupar com os mínimos  detalhes da cena, como um isqueiro que também é relógio ou uma faca perfeita para reluzir a luz no rosto da protagonista, iniciando uma seqüência que parece ter sido copiada descaradamente por Aronofsky para o seu Cisne Negro


Assistir Suspiria é se envolver em uma anti-fábula, regida por um diretor que cria momentos mágicos, mesmo que sejam tensos, macabros e sangrentos. Uma rendição a Dario Argento e o seu esmero audiovisual para conceber narrativa. Dos assistidos de Dario Argento, devo dizer que Suspiria desbancou Prelúdio para Matar. Um filme que me fez perceber que sou fã de mais um diretor italiano, tão talentoso quanto seus compatriotas considerados mais artísticos.

13 comentários:

Grande filme. Não o considero uma obra prima, pois há problemas no roteiro, mas o poder das imagens concebidas por Argento, com o uso espetacular das cores, é sensacional. Ele me perece uma espécie de "Sergio Leone do terror", com sua perspectiva quase barroca do gênero. Influenciou dezenas de cineastas depois.

Celo Silva disse...

Fabio, entendo q até haja falhas no roteiro, mas pelo que vi de Argento, tramas e roteiros não são seu forte. O negocio é mais uma concepção visual da historia, como se o cinema dele fosse para ser apreciado em alguns momentos na tecla pause ou ate retroceder para revisar com detalhes alguma sequência. Claro q esse é meu ponto de vista. Argento influenciou e ainda influencia muitos diretores, vide CISNE NEGRO. Abração!

Ó aí, rapá! Falei que tu ia gostar!

Discordo do Fábio quanto ao quesito levantado por ele acerca do roteiro, pois, apesar de Suspiria ser sustentado por um fio de trama, possui um roteiro bem escrito... e ainda por cima, o principal objetivo de Argento para com suas obras é principalmente a imagem: Suspiria é uma bizarra caixinha de música movida por, além da bailarina, luzes e sons; o roteiro é o que menos importa (tanto que o filme termina sem mais nem menos... curto e grosso).

Dos filhotes de Mario Bava (as luzes que Argento inseriu em suas obras veio deste mestre) Argento é o melhor de todos.

Uma obra-prima que recomendo é O Ciclo do Pavor, do grande Bava. Se quer ver a origem principal de Suspiria, assista O Ciclo do Pavor, de Mario Bava.

Ah, e não se esqueça de Fulci, eim... O louco do cinema italiano.

Abs!

Tsu disse...

Nossa, acredita que baixei esse filme e ainda não assisti? Baixei tempos atrás porque me interessei pela sinopse mas ainda não tive tempo para ver.

Rodrigo Mendes disse...

Eu concordo com vc! "Suspiria" é um baita filme e a melhor obra de Dario Argento.

Parabéns pelo texto. Abs!

Rato disse...

Uma perguntinha técnica, caro Celso: na barra lateral como você separa os marcadores? Realizadores para um lado, Elenco para outro, e Géneros em separado também?
Se tiver alguma disponibilidade me dê algumas dicas, valeu?

O Rato Cinéfilo

P.S.: Gosto deste teu espaço. Descobri só há pouco mas vou regressar muitas vezes

Bruno disse...

Achei o filme bom, apesar de ser muito carnavalesco...
Oi Celo! Segue meu blog? Já estou seguindo o seu (coloquei no blogroll)! http://cinemaemfrases.wordpress.com/

=)

Fodástico esse filme do Argento. É o meu favorito, junto com A MANSÃO DO INFERNO, também saindo do território do giallo e partindo para o sobrenatural. Adoro a atmosfera que o filme cria. Fora as imagens que são coisas lindas. Isso é mais importante do que qualquer roteiro.

Celo Silva disse...

Victor, concoro com vc plenamente, assim como em outras obras suas, o roteiro de Suspiria acaba sendo um subterfugio para o deleite visual proposto por Argento. Esse Ciclo do Pavor já está engatilhado. Quero assistir logo! E obrigado pela interação sempre bem vinda com o Blog. Abração!

Celo Silva disse...

Tsu, é uma obra-prima! Não deixe de assistir, acho q vai gostar;

Rodrigo, vlw pelo elogio! Suspiria me inspirou;

Rato, vou passar pelo blog e te dar essas dicas, q são até simples. Obrigado pela visita, tb curto muito teu blog. Apareça sempre!;

Bruno, vou linkar teu blog aqui sim. Parece q a equipe do Pudim resolveu partir para projetos solos. Espero q o blog não acabe!;

Ailton, essa tua dica já tá anotada! Suspiria é um dos meus preferidos de Argento. Acho q ele poderia fazer até filmes sem roteiro...hehe...

Abração a tds e obrigado pela força galera!

Vlw, Celo, pela consideração! E que isso!... Além de vc ser bastante gente fina possu um blog excelente; e O Pudim de Cinema só vai acabar quando o mundo acabar (talvez em 2012, hehe). Bruno e eu (dos editores que estão com blogs solos e pessoais) somos parte do Pudim, assim como o resto do pessoal lá.

Ah, e vi que vc se tornou um fã do Argento, portanto não poderia deixar esta passar em branco: recomendo adquirir suas obras originais que estão disponíveis em DVD no Brasil. O Gato de Nove Caudas (1971), que é, ao meu ver, seu primeiro garnde filme (vale lembrar que é o segundo do cara como diretor, e tb o segundo giallo dele), está por 14,90 na Livraria Cultura... uma oportunidade dessas não pode ser perdida, ainda mais por um precinho deste! Eu tenho o DVD do filme, e aprovo.

Minha resenha para O Gato de Nove Caudas:

http://pudimdecinema.wordpress.com/2011/08/02/o-gato-de-nove-caudas-1971-critica/

Abs! o/

Maxwell Soares disse...

Não aprecio tanto este gênero. Mas fiquei curioso. Irei vê-lo...

Celo Silva disse...

Victor, valeu pela dica! Vou dar uma conferida no filme e no teu texto. Que deve ser coisa muito boa!;

Maxwell, veja sim! De repente mais um fã de Argento se forma;

Abs!