Fato que Capitães da Areia têm problemas, como a narrativa que não chega a lugar algum, mas também é inegável que o filme tem seus momentos...

281 - Capitães da Areia (Cecília Amado/2011)

Fato que Capitães da Areia têm problemas, como a narrativa que não chega a lugar algum, mas também é inegável que o filme tem seus momentos, principalmente pela trupe de crianças e pré-adolescentes que compõe o grupo de meninos de rua do titulo. Eles são a alma do filme da estreante Cecília Amado, neta do escritor Jorge Amado, autor do texto do qual o filme se baseia. O elenco carrega o filme nos ombros, que carece de uma historia mais estruturada e acaba apelando para o açúcar em excesso, tornando a realização do meio para o final enfadonha, talvez a trilha sonora de Carlinhos Brown ajude a criar esse clima, porque assim como o filme, as canções oscilam entre razoáveis e ruins.

O laboratório feito com o elenco amador é notável, conseguindo arrancar atuações tão boas até quanto o limite deles pode, fazendo o expectador inicialmente se divertir bastante com a irreverência dos meninos, que carregam em frases de efeito para nos aproximar ainda mais do filme, mas passado o deslumbre inicial com o talento emergente de alguns, como Jean Luis Amorim que faz o líder Pedro Bala ou o deficiente físico Israel Gouvea que faz o polêmico Sem Pernas, o filme parece que não sai do lugar, podendo soar até como uma alegoria publicitária, como vem sendo acusado por boa parte da critica especializada.

Não li a obra literária de Jorge Amado, que é considerada por muitos como uma obra-prima, mas a intenção da diretora Cecília Amado deve ter sido de trazer um recorte do texto, até porque o livro é um calhamaço e deve ter um universo mais complexo. Então o que vemos são varias cenas costuradas, como o grupo batendo carteiras ou assaltando casas ou se desentendo, essas brigas internas acabam rendendo uma ótima cena de briga em uma estação de trem que para mim é uma clara referencia a O Selvagem da Motocicleta, mas como não li ninguém comentando sobre isso, talvez tenha sido impressão minha mesmo.

Houve algumas adaptações encima do texto original para que o filme soasse mais jovial, como a transposição dos anos 20 para os anos 50, podendo fazer Capitães da Areia parecer um filme de época, mas se houve essa intenção também foi por água abaixo, porque esse viés é pouco explorado. Apesar de parecer um filme torto, é bem provável que a real intenção da diretora fosse de fazer uma obra sobre ritos de passagem, até por ter interrompido as filmagens em quase dois anos para que o elenco crescesse fisicamente, mas o resultado não é tão marcante nesse intento e acaba valendo alguma coisa pela diversão proposta pelos meninos.


10 comentários:

Quero muito ler a obra de Jorge Amado. O filme nem tanto, mas a obra...

Abs!

Não me senti motivado a ver, sei que não vou gostar e, por sinal, nunca fui fã das obras de Jorge Amado. Abs

Celo Silva disse...

Victor, tenho deixando tanto a leitura de lado, de vez em qd um HQ, mas tenho q mudar isso, quem sabe ano q vem;

Cris, deixa o pessoal ai da Bahia saber disso...hehehe;

Abs a Tds!

Acho que faltou um pouco de ousadia,
a palavra é desgastada
mas não encontro outra.
Talvez se fosse colocado nos dias de hoje, não sei...
Mas não sinto a dor do livro no filme,
longe disso.
É fábula de mais,
verdade de menos.

Tsu disse...

Oi Celo!
Ah então eu não sou a única que possui um espaço para colocar as tralhas hohoh. BVom sobre meus bonequinhos de Naruto em breve você poderá vê-los melhor com a sessão que eu criei chamada Pousada Shinobi o/
Acho que nem vou comemorar muito o aniversário porque vou trabalhar rs.
bjs

http://www.empadinhafrita.blogspot.com

Hugo disse...

As críticas não das mais melhores, mas acredito que assim como você escreveu, algo de interessante deve ter.

Fiquei curioso com sua citação do "Selvagem da Motocicleta", um ótimo filme um pouco esquecido nos dias de hoje.

Pretendo conferir ainda.

Abraço

Amanda Aouad disse...

Se ela trouxesse um recorte do texto seria melhor, Celo, mas o problema é que ela quer enfiar tudo no filme, e acaba sendo várias citações de tramas sem aprofundar nada. Gosto muito do livro, dos poucos que realmente gosto de Jorge Amado e por isso, o filme acaba sendo simpático em vários momentos. Mas, tem problemas também que o tornam mediano.

bjs

Celo Silva disse...

Por que faz poema, obrigado pela visita, olhei teu blog, q capricho hein? Entendo perfeitamente teu ponto de vista, tb senti isso, poetisar demais, ficou fake;

Tsu, mesmo assim não deixe de comemorar! Depois vou lá olhar esses toys com mais detalhes...ehehe;

Hugo, o filme não é grande coisa mesmo, mas distrai, achei a citação tão aparente, mas como foge do contexto talvez tenha sido só uma inspiração;

Amanda, como não li o livro, não tenho esse ponto de vista comparativo, mas sua ressalva faz muito sentido, quis abordar td de uma vez...dificil ter esse tato para uma iniciante...

Abs a Tds!

Não li o livro, que é saudado por muitos como a melhor obra de Jorge Amado. Quanto ao filme, me parece aquele tipo de adaptação genérica sem maiores consequências.

Celo Silva disse...

Fabio, falou e disse...