“Se o presente é insatisfatório é porque a vida é insatisfatória”, a citação do escritor Gil ( Owen Wilson ) é carregada de veracidade, que...

276 - Meia-Noite em Paris (Midnight in Paris/Woody Allen/2011)

“Se o presente é insatisfatório é porque a vida é insatisfatória”, a citação do escritor Gil (Owen Wilson) é carregada de veracidade, quem nunca sonhou viver em outra época? Uma em que as coisas fossem mais fáceis ou mais felizes. Uma das nuances pertinentes ao ser humano é viver do passado, até porque muitas vezes o passado pulsa dentro de nós, nem é necessário povoar a nossa nostalgia com tantos personagens famosos, como faz o mestre Woody Allen em seu filme, às vezes uma lembrança de momentos felizes com amigos já nos faz fazer uma viagem no tempo.

Uma delicia esse Meia Noite em Paris, um filme para assistir com um sorriso no rosto de cabo a rabo. Desde o momento em que Gil entra a primeira vez no antigo Renault e todo um passado de influencias vai traçando a vida do personagem. Uma festa com os Fitzgerald, um drinque com Hemingway, apreciar uma canção tocada por Cole Porter, contemplar uma obra de Picasso, são tantos personagens especiais que povoam a madrugada de Paris que fica difícil lembrar e citar todos. Woody Allen nos propõe uma viagem no tempo mágica para depois nos mostrar que o próprio tempo acaba sendo feito por cada um, não adianta viver de passado, mesmo sendo tão delicioso e atrativo, mas que devemos reverenciá-lo e usa-lo como inspiração para a vida.

Divagações a parte, Meia Noite em Paris apresenta uma cena antológica atrás da outra, como quando Gil visita a escritora e poeta Gertudre Stein (Kathy Bates), que parecia ser a mentora de um invejável grupo de artistas, para que ela leia seu livro ou em uma cena única e impagável em que o escritor sugere a Luis Buñuel que realize o antológico Discreto Charme da Burguesia ou seria O Anjo Exterminador? Ou ainda na viagem no tempo dentro da viagem no tempo em que junto com sua musa inspiradora, representada pela bela Marion Cottilard, eles visitam a Belle Époque e o mesmo percebe o verdadeiro significado de tudo aquilo que está vivendo, com essas improváveis incursões temporais que ainda afloram os verdadeiros sentimentos que mantém com sua fútil noiva (Rachel McAdams) na vida real.

Se Meia Noite em Paris anda sendo considerado um Woody Allen menor, pode até ser, não contem a força narrativa de recentes obras como Match Point e O Sonho de Cassandra, mas se junta a encantadoras realizações como Tudo Pode dar Certo e Vicky Cristina Barcelona, que apresentam um cineasta que mesmo com seus 76 anos parece ter um vigor inesgotável, escrevendo e filmando em profusão e sempre nos brindando com obras no mínimo interessantes, que não é o caso deste, que pode ser considerada como uma preciosa jóia. Woody Allen é como o bom vinho, quanto mais maduro melhor.


18 comentários:

Incrível esse filme mesmo, gostei muito! E não é que o chato do Owen Wilson foi bem dirigido a ponto de se tornar cativante? Eu gosto do roteiro e acho que é um dos melhores já feito por Allen. Adoro o climão de nostalgia e romantismo que permeia essa obra. Grande elenco, por sinal! Marion é divina! Corey Stoll como Ernest Hemingway é perfeito!

Abraço

Celo, tenho impressão que a dica que o personagem do Owen Wilson deu a Buñuel foi em relação a O ANJO EXTERMINADOR. Mas dá uma checada antes. Posso estar equivocado.

Ah, e VICY CRISTINA BARCELONA está, para mim, entre os seus mais encantadores trabalhos.

Celo Silva disse...

Ailton, não assisti ANJO EXTERMINADOR, mas ele fala sobre uma obra em que os personagens estão almoçando ou jantando e nunca conseguem terminar ou fazer o q querem, pode até ser, mas ficou tão claro para mim q seria O DISCRETO CHARME DA BURGUESIA, enfim...vou dar uma conferida. VLW!

Os dois filmes têm essa coisa em comum. No caso de O ANJO EXTERMINADOR, as pessoas não conseguem sair da casa. Agora, a memória que eu tenho de DISCRETO CHARME.. é menor..

Kamila disse...

"Meia-Noite em Paris" é um dos destaques no cinema, em 2011. Um filme nostálgico, romântico e que apresenta Paris da forma como ela é idealizada. Adoro a forma como Woody Allen apresenta sua trama aqui. E acho que o personagem do Owen Wilson foi levemente baseado no diretor. :)

Bruno disse...

Filme maravilhoso e comentário muito bom! Realmente, Allen fez de seu filme o dilema de muitos cinéfilos, o de que essa arte foi bem melhor antigamente do que está sendo hoje... Apaixonante S2
Só achei estranha essa sua frase final, por que se você estiver se referindo à pessoa Woody Allen, eu não concordo, por que os melhores filmes dele são os da década de 70/80... Mas se você estiver falando dos filmes do Allen, ai eu concordo, parece que quanto mais tempo se passa, mais eles possuem magia!

Anônimo disse...

Alguém sabe quem é a Rainha louca apresentada no filme Meia Noite em Paris? O personagem é apresentado na cena em que o jornalista está preso no Palácio.

Compartilho do seu entusiasmo pelo filme. É um Woody menor em impacto, mas não em ressonância.
Abs

Um filme simpático... Mas ninguém merece o Owen Wilson...

O Falcão Maltês

Celo Silva disse...

Cris, eu até simpatizo com Owen Wilson, o eterno Dupree para mim, mesmo sabendo q ele não é grande coisa. Achei até q ele encarnou bem o alter ego de Allen, um filme q capricha no romantismo mesmo;

Ailton, fiz uma pequena mudança no texto, vou procurar assistir ANJO EXTERMINADOR para comparar;

Kamila, levemente não! Totalmente! Allen sempre procura criar um personagem pertinente a sua personalidade em seus filmes;

Bruno, tambem fiquei em dúvida em colocar essa frase final, acabou saindo involuntario, mas não quis tirar. Acho q Allen funciona tão bem hj como antigamente. Acho q obras recentes suas são tão boas qt antigas. Por isso acabou sainda essa citação;

Anonimo, da proxima vez deixa o nome...heheh..boa pergunta, vou verificar!;

Reinaldo, resumiu meu sentimento na sua frase. Tem td razão!;

Antonio, achei um filme mais que simpatico, mas acho q tem haver com feeling mesmo, como já disse antes, simpatizo com OWEN WILSON.

Obrigado pela interação e abs a tds!

Hugo disse...

Além da simpática história, é bem interessante a presença de personagens históricos convivendo e debatendo com Owen Wilson, além das belas locações em Paris.

Abraço

Celo Silva disse...

Hugo, é um filme único mesmo!

Acredita que eu nunca vi nada do Allen? Tenho que admitir. É um cara que tenho que começar a explorar por conta da minha reputação cinéfila, mas dizer que me sinto atraído por sua obra... não.

Mas tenho que ver algo.

Celo Silva disse...

Pô Victo, ALLEN merece uma atenção sua, comece pela fase em q se influenciou mais em Bergman, como INTERIORES ou A OUTRA, talvez goste. Abs!

Marcos Rosa disse...

Não assisti este ainda, mas só por ser de W. Allen passa ser obrigação ver. Vai pro topo da lista.
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algunsfilmes.blogspot.com

Natalia Xavier disse...

De fato, os dialogos nao sao tao bem trabalhados como em outras obras do diretor, mas nem por isso o filme passa a ser menos notável.

Nunca curti mto Owen, mas ele fez um grande papel, merece destaque.

No mais, o filme é uma pura poesia, lindo lindo. A analogia que Woody usa num roteiro ludico para nos dizer que o passado só é bom porque é passado, toda a trilha do filme junto com a fotografia. Acho que esta entre os melhores que vi nesse ano =)

Bjo!

Celo Silva disse...

MArcos, não deixe de ver mesmo! Filmão!;

Natalia, sem duvida um dos melhores desse ano mesmo, uma maravilha deliciosa!

Abs a Tds!