A nova realização do diretor brasileiro Andrucha Waddington , Lope , produzido em parceria pelo Brasil e a Espanha, é a historia de Lope ...

192 - Lope (Andrucha Waddington/2010)


A nova realização do diretor brasileiro Andrucha Waddington, Lope, produzido em parceria pelo Brasil e a Espanha, é a historia de Lope de Vega (Alberto Ammann), poeta, dramaturgo e considerado um dos mais talentosos escritores espanhóis. A trama se foca na juventude de Lope e também apresenta um personagem próprio para o cinema. O Lope da obra de Waddington é galanteador e talentoso com as palavras, mas também é heróico, na verdade uma espécie de anti – herói, sujo, bom no manuseio da espada e pronto para se meter em confusões que acometam seus sentimentos.

Lope é um filme de altos e baixos (mais altos que baixos), que consegue empolgar em algumas cenas, devido ao carisma do protagonista Alberto Ammann, que talvez não carregue a carga dramática que o personagem demande, mas que defende muito bem a pele desse aventureiro Lope de Vega. O seu poeta se envolve com duas belas mulheres da corte, o que pode custar sua cabeça, enquanto tenta emplacar peças suas em um teatro bancado por Jerônimo Velásquez (o excelente Juan Diego), um produtor que tenta se aproveitar dos problemas financeiros do escritor.

A produção também utiliza muito bem as paisagens das locações, criando uma fotografia bela, que ajuda a reforçar a primorosa reconstituição de época, fazendo parecer que Lope é cinema de gente grande. Um filme, que no meu ponto de vista, tratado de outra maneira, poderia ter um forte apelo comercial, porque mesmo abordando um tema como a literatura, que pode ser tornar enfadonho pela falta de conhecimento do expectador, nunca chega a ser chato, com boa fluência e apostando até em algumas seqüências de ação, como um bem orquestrado duelo de espadas  quando mercenários aparecem para cobrar uma divida passada de Lope.

É fato que Lope é um filme bem legal, mas a falta de uma maior descrição do personagem principal faz com que ele ganhe contornos superficiais, caindo em alguns clichês de biografias de época, a participação de Selton Mello como o Marques de Navas, sujeito que encomenda poemas a Lope para conquistar mulheres, também é bem ruim, Selton arranha um portunhol terrível que destoa a todo tempo. Sonia Braga também faz uma participação pequena como a mãe do poeta.

Em um contexto geral, Lope acaba tendo essas imperfeições suprimidas pelas belas inserções de poemas de Lope de Vega durante a trama, com destaque para o soneto do epílogo, recitado na integra durante uma cena em que o escritor cavalga em alta velocidade, uma das mais belas escritas sobre o amor, o que para um leigo como eu, acabou valendo a ida ao cinema, mesmo que em uma sessão desprezada e única às onze horas da manhã.

6 comentários:

alan raspante disse...

Não me interessou muito desde o início. A trama não me atrai como deveria, pontanto, prefiro nem arriscar a ver... Mesmo que não seja tão ruim, rs

Celo Silva disse...

Alan, é um filme legal, de repente vale uma olhada e as poesias de Lope são realmente muito bonitas.

Elson disse...

E as notas para cada filme não rola mais não?
Abs

Celo Silva disse...

Elson, vc q acompanha o blog, percebe q ele esta em constante evolução, tanto nos textos qt na parte visual. Percebi q muitas vezes as notas tiram a chance do texto ser lido, por isso acabei suprimindo elas, alem da analise ter avaliações. A nota agora fica por conta do leitor...hehehe...Abs

Esse filme me despertou interesse, no início de divulgação, mas depois passei a ler textos só de críticas. Uma pena. Bom, eu acho que seu texto até que valoriza ele, verei assim que puder.

E eu acho que notas no fim do texto também faz com que a pessoa NÃO leia o texto. rs!

abs

Celo Silva disse...

Cris, como citei, talvez o filme não atinja a capacidade dramatica esperada para o personagem, mas ate q funciona como uma aventura de epoca.