Quando lembro da minha infância, logo me vem à cabeça Patrulha Estelar e Pirata do Espaço , series animadas japonesas que eram exibidas ...

173 - Patrulha Estelar (Space Battleship Yamato/Takashi Yamazaki/2010)


Quando lembro da minha infância, logo me vem à cabeça Patrulha Estelar e Pirata do Espaço, series animadas japonesas que eram exibidas em um Clube da Criança capitaneado por uma inexperiente Xuxa Meneghel na extinta TV Manchete.

Eram tardes obrigatórias em frente TV, assistindo essas obras, um tanto impróprias para horário, já que eram recheadas de dramas e uma boa quantidade de violência, mas também eram outros tempos, e tanto Patrulha como Pirata eram visto apenas como meros desenhos. Se bem que teve uma época em que minha mãe me proibiu de assistir os dois, já que ficava um tanto agitado e às vezes deprimido depois dos episódios, principalmente em um do Patrulha, quando um dos heróis morre de maneira cruel.

Depois dessa introdução, percebe – se que sou um grande fã de Patrulha Estelar (no original Space Battleship Yamato), produzido a partir de 1974 e que rendeu três boas temporadas, que consegui adquirir depois de velho em uma feira underground de velharias da TV. Diferente de Pirata do Espaço, que só fez sucesso no Brasil, Patrulha Estelar foi um sucesso tanto no Japão, quanto em outros paises como os EUA e tem sua significante parcela de admiradores por aqui.

Então, vamos às vias de fato, foi uma grande felicidade quando descobri que Patrulha seria adaptada para o cinema e com produção japonesa, quer dizer, a coisa prometia. Assistindo o filme, o clima de nostalgia foi grande e a realização, dirigida por Takashi Yamazaki, consegue ser competente e homenagear muito bem a serie televisiva.

A trama da versão live action de Patrulha Estelar, assim como da serie, é um tanto absurda: o ano é 2199, a Terra está sendo contaminada por bombas radioativas, lançadas por um povo alienígena conhecido como Gamilons. A única esperança do planeta, que pelos cálculos dos cientistas tem menos de 1 ano de vida, é o Yamato, navio japonês afundado durante a 2ª Guerra que é adaptado para ser uma nave espacial. A tecnologia usada no Yamato, vem de um outro planeta, conhecido como Iscandar, que além de auxiliar os cientistas japoneses com a criação de armas da nave, como o canhão de ondas, passa coordenadas para que também consigam fazer uma viagem espacial até Iscandar, aonde receberão uma arma que possa descontaminar a Terra de toda a radiação. Bom, viagem total, né?

O ritmo de Patrulha Estelar é muito mais acelerado que o da serie, que tinha 33 capítulos na 1ª Temporada e muitas vezes incomodavam pela lentidão de alguns episódios. O filme também tem um tom mais pop, diferente da serie que era mais existencialista, e que fica evidente até pela canção tema “Love Lives”, composta pelo aerosmith Steve Tyler, mas todos os personagens marcantes estão lá, até o robô bebum conhecido como Analisador, só que bem mais ativo nessa versão. A trilha sonora é a mesma dos desenhos, marcando os momentos mais tensos e gruda no ouvido de uma maneira incrível.

O herói Kodai (Takuya Kimura) é o dono do filme, junto com o Capitão Okita (Tsutomo Yamazaki), impressionante a semelhança física deles com os personagens da serie. Alias toda a ambientação retro é uma homenagem explicita a mesma. Desde os uniformes, até os caças espaciais Tigres Negros e as batalhas espaciais, com raios lasers para todo o lado, aonde não se entende muita coisa. O nave/navio Yamato é idêntica! Fazendo esse expectador pular na poltrona em sua primeira aparição.

Os inimigos Gamilons é que foi uma grande decepção para mim, já que os seres humanóides da serie foram trocados por criaturas de CG sem muita expressão, e na serie, o líder Gamilon era figura importante, com extrema admiração pelo povo terrestre, apesar de inimigo ferrenho. A obra também peca por ter cenários extremamente artificiais, principalmente nas batalhas na superfície de Iscandar e em alguns momentos apresenta um CG primário, mas em contrapartida, apresenta de maneira crível muito dos sentimentos exaltados pelo povo japonês, como: honra, altruísmo e heroísmo.

O epílogo glorioso, no mesmo nível da serie, coloca o filme nos trilhos novamente e encheu de emoção esse humilde expectador, fazendo lembrar aquele menino dos anos 80. Patrulha Estelar também pode ser visto como uma ficção cientifica acima da media, pautada em preocupações atuais, como a saúde do nosso planeta e para quem não conhece nada da serie pode surpreender. Nota 7,5.

A tripulação da Série Animada


A tripulação da versão Live Action

7 comentários:

Hugo disse...

Não conhecia esta adaptação para o cinema.

Não acompanhava o desenho "Patrulha Estelar", mas assistia "Pirata do Espaço" nos anos oitenta na extinta Rede Manchete.

Abraço

Celo Silva disse...

Hugo, naquela epoca Pirata tinha mais publico no Brasil mesmo, até por ser uma serie q tinha mais ação.

Rodrigo Mendes disse...

Belo texto Celo, em primeiríssima mão para o leitor leigo. Desconhecia totalmente. Só lembro daquelas maravilhas simpáticas japonesas e similares da TV Manchete [bem depois da Xuxa] (Jaspion, Giban, Jiraya, enfim...até Nacional Kid que é do tempo do guaraná com rolha, rs).

Ta ótimo.
Bom saber!
Abs.
Rodrigo

Celo Silva disse...

Rodrigo, obrigado pelos elogios, esse texto foi feito com o coração tb. Tb era fã de Jaspion e Jiraya. Tenho a coleção do Ninja e de vez em qd assisto alguns episodios. Abração.

Kamila disse...

Pra ser bem sincera, nunca assisti a esse filme, mas parece ser diferente e legal.

Emmanuela disse...

Celo, eu já conhecia seu blog, sempre que posso estou passando por aqui!

Um grande abraço!

Celo Silva disse...

Kamila, é um filme interessante mesmo

Emmanuela, perdão pela falta de atenção, obrigado pela visita é q tb não tinha linkado seu blog aqui...mas agora tá. Abração.